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TEMPORALIDADE DA TONALIDADE AFETIVA
KING, Magda; LLEWELYN, John. A guide to Heidegger’s Being and time. New York, NY: State Univ. of New York Press, 2001.
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A tonalidade afetiva como autodescoberta sentida do Da-sein
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A tonalidade afetiva designa o caráter existencial pelo qual o Da-sein se encontra a si mesmo de modo afetivamente sintonizado, de tal maneira que a autodescoberta não ocorre primariamente como saber explícito, mas como estar-disposto.
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A compreensão e a tonalidade afetiva são cooriginárias, pois toda compreensão se encontra sempre de algum modo afinada por humores e sentimentos, ao mesmo tempo em que todo sentir-se de certo modo já envolve uma autocompreensão implícita.
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Na tonalidade afetiva reside uma forma originária de desvelamento, cujo alcance ultrapassa as capacidades de explicação e justificação temáticas, justamente porque ela traz o Da-sein à sua própria situação antes de qualquer tematização.
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A ambivalência estrutural do Da-sein, enquanto cooriginariamente em verdade e não-verdade, implica que a tonalidade afetiva pode revelar a lançadidade ou, ao contrário, encobri-la com obstinação, sem deixar de tocar a facticidade do ser-aí.
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A função primordial da tonalidade afetiva como apresentação do fato de ser-aí
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A função desveladora primária da tonalidade afetiva consiste em conduzir o Da-sein ao diante de si do fato de já-estar-aí, isto é, ao caráter de fato do seu ser, expresso no que se indica pelo que de ser-aí.
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Mesmo em modos inautênticos, a tonalidade afetiva não elimina esse fato, pois o que de ser-aí acompanha o Da-sein e se mostra inclusive nos movimentos de desvio e fuga, de modo que o encobrimento permanece, paradoxalmente, uma forma de relação com o que é encoberto.
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O trazer diante do que de ser-aí não fornece uma informação teórica, mas expõe o Da-sein à sua própria facticidade, isto é, ao ter de ser como já sendo.
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O revelar e o ocultar pertencem à mesma função estrutural, pois em ambos os casos a tonalidade afetiva opera como mediação pela qual o Da-sein se descobre em seu estar-aí.
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O enraizamento temporal da tonalidade afetiva no ter-sido
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O Da-sein só pode ser trazido diante do que de ser-aí porque ele é constantemente como ter-sido, de tal maneira que a estrutura da tonalidade afetiva implica um movimento de trazer-de-volta-a.
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O ter-sido não é produzido pela tonalidade afetiva, mas é a condição pela qual o Da-sein pode ser reconduzido a si mesmo de modo tal que se encontra a si na maneira como se sente.
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A análise existencial não pretende deduzir a tonalidade afetiva a partir da temporalidade, mas mostrar que os humores e sentimentos não poderiam ser o que são sem a sua estrutura temporal.
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A indicação de um trazer-de-volta-a exige que a temporalização primária se dê a partir do passado, porque o para-trás inscrito no movimento de retorno aponta para o ter-sido como solo originário do ser afetivamente descoberto.
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O medo como modo inautêntico e o problema do seu caráter temporal
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O medo é caracterizado como modo inautêntico de tonalidade afetiva porque emerge do ser-no-mundo cuidador e se refere a algo temível que se aproxima no âmbito das circunstâncias descobertas pela circunspecção.
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O que é temível não se impõe por mera observação objetiva, pois somente o medo pode descobrir algo como temível, dado que a ameaça não é um dado neutro, mas um modo de atingimento do si mesmo fático.
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O medo estrutura o ser-no-mundo como um olhar-para que aguarda temerosamente o temível que pode pesar sobre o Da-sein, e assim desvela uma ameaça dirigida ao poder-ser cuidador.
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A objeção segundo a qual o medo seria primariamente futural é admitida em seu alcance, pois a ameaça é não-agora e, além disso, o temeroso vem a si em seu poder-ser ameaçado, de modo que há um duplo caráter de futuro, tanto no sentido da intratemporalidade dos acontecimentos quanto no sentido do vir-a-si do cuidado, ainda que em modo inautêntico.
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A afetividade do medo como retorno ao si mesmo já sido
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O caráter afetivo que distingue o medo não se esgota no horizonte futural da expectativa, pois ele consiste em deixar que a ameaça retorne ao si mesmo fático já sendo como ter-sido.
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O temor de algo é simultaneamente temor por si mesmo, porque a afecção depende do movimento de retorno da temporalidade sobre si mesma, no qual a ameaça toca o Da-sein no que ele já é.
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A tonalidade afetiva desvela, assim, o Da-sein na facticidade de já ter sido entregue ao seu poder-ser-no-mundo ameaçado, fazendo com que a ameaça intramundana alcance o si mesmo como concernido.
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O caráter primário do passado no medo não elimina o futuro, mas fundamenta a possibilidade de que a ameaça seja sentida como ameaça ao si mesmo.
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O passado inautêntico do medo como esquecimento e encobrimento da lançadidade própria
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O passado constitutivo do medo, enquanto inautêntico, é determinado como um autoesquecimento, e isso não contradiz o fato de o medo reconduzir o Da-sein a si, pois o retorno opera segundo um horizonte deslocado.
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O autoesquecimento consiste em recuar diante da lançadidade própria, isto é, diante do nada de si que ameaça não a partir de fora, mas a partir do próprio ser lançado, de tal modo que o recuo se torna um encobrimento da ameaça mais própria.
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Esse recuo, entretanto, é simultaneamente um voltar-se, e o único voltar-se possível é para si mesmo como já lançado no ser-no-mundo cuidador, isto é, para o si mesmo tal como se encontra já ocupado e já engajado no mundo.
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O passado não pode ser apagado, mas pode ser coberto por uma lembrança autoesquecida do já-ter-cuidado-do-mundo, deslocando o horizonte do antes para aquilo que foi feito, vivido e administrado no cotidiano, e assim ocultando a dimensão própria do ter-sido.
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O traço depressivo e confuso do medo e a estrutura da dispersão
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O humor específico do medo é descrito como depressão ou confusão, de tal modo que ele pressiona o Da-sein de volta à lançadidade e, simultaneamente, encobre o ter-sido próprio pelo caráter exclusivamente mundano do que ameaça.
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O passado ao qual o Da-sein é reconduzido no medo não é o ter-sido apropriado, mas o já-ter-sido no modo autoesquecido do cuidar, no qual o si mesmo se mantém preso ao mundo como proteção e evasão.
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A confusão do medo surge do esquecimento do si mesmo lançado, pois, ao recuar de uma possibilidade resoluta, o Da-sein mantém-se em possibilidades de autopreservação previamente descobertas, saltando de uma coisa a outra sem poder apreender uma possibilidade determinada.
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O medo se expressa como um fazer-presente confuso do mais próximo, no qual se acumulam possibilidades soltas, inclusive impossíveis, e essa dispersão pertence ao esquecer-se em medo, ao mesmo tempo em que modifica o aguardar, convertendo-o em aguardar deprimido ou confuso, distinto da expectativa pura.
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A questão do medo paralisante como possível falha do retorno ao si
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A paralisia que pode acompanhar certas experiências de medo levanta a questão de saber se ela deriva de uma intensificação extrema da confusão ou de uma deficiência do trazer-de-volta-a-si que constitui a função primária da tonalidade afetiva.
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O fascínio pelo temível, no qual o Da-sein parece fixar-se no de que do medo, sugere um enfraquecimento do retorno ao si mesmo lançado, pois o olhar torna-se um stare que suspende a recondução do si ao seu poder-ser.
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A dificuldade consiste em explicar como a tonalidade afetiva, cuja estrutura é reconduzir ao si mesmo, pode sofrer um bloqueio que transforma o movimento em imobilidade, sem com isso suprimir a afecção.
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O ponto permanece como problema de articulação fenomenológica dentro da descrição, pois o fenômeno parece indicar uma tensão interna entre retorno ao si e captura pelo intramundano.
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A unidade extática do medo e sua correspondência com a compreensão inautêntica
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A unidade extática que torna possível o medo é caracterizada como um esquecer que faz-presente enquanto aguarda de modo confuso, estrutura que corresponde, com mudança de ênfase, à temporalidade da compreensão inautêntica.
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A articulação mostra que o medo não é mero episódio psicológico, mas modificação temporal do cuidado, pois seu aguardar e seu fazer-presente são modos pelos quais o Da-sein se mantém no mundo e se perde nele.
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O esquecimento não é ausência, mas modo positivo de ter-sido que possibilita a retenção de entes intramundanos e, com isso, a orientação prática confusa em meio a ameaças.
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A correspondência com a compreensão inautêntica explicita que tonalidade afetiva e compreensão se determinam mutuamente no interior da totalidade do cuidado.
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A angústia como tonalidade afetiva originária e diferença em relação ao medo
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A angústia é semelhante ao medo por também desvelar uma ameaça, mas difere essencialmente por não descobrir um ente intramundano determinado como o de que, e sim o nada como ameaça que reside no próprio ser do Da-sein.
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A angústia revela o nada que ameaça não de fora, mas do ser lançado e do ser-para-a-morte, trazendo o Da-sein diante do seu não-fundamento como fundamento não autooriginado.
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Ela não é apenas um modo autêntico entre outros, mas a tonalidade afetiva mais básica, pois seu desvelamento é o mais originário no sentido de abrir o horizonte no qual o ser dos entes pode tornar-se questão.
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Sua função singular é trazer o Da-sein originalmente diante do nada que nega no ser dos entes, e em primeiro lugar no próprio ser-aí.
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A insignificância do mundo e a revelação do mundo como horizonte
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Na angústia, as coisas familiares e confiáveis afundam em completa irrelevância, não por desaparecerem, mas por perderem peso e sustentação, de modo que não oferecem mais nenhum apoio.
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O mundo como um todo aparece sob o caráter de insignificância, e nessa modalidade negada ele não pode mais remeter significativamente a outros entes como relevantes para o ser do Da-sein.
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O aguardar atento não encontra mais em que se orientar para compreender-se, e por isso ele se agarra à nadidade do mundo, sendo entretanto justamente por isso reconduzido ao ser-no-mundo como tal.
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A nadidade do mundo designa tanto o mundo em modo negado quanto, mais radicalmente, o mundo como outro em relação aos entes, isto é, como horizonte ontológico que não é um ente, mas condição de manifestação do ente.
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O que da angústia como ser-no-mundo e o deslocamento do futuro
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O que da angústia é o próprio ser-no-mundo, pois a ameaça não é um mal futuro intramundano, mas a exposição do Da-sein ao seu ser lançado e ao seu não estar em casa.
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Isso não elimina o caráter futural, mas impede que ele seja compreendido como expectativa inautêntica, porque o vir-a-si não se dá pela via do que é cuidado, mas pela via do próprio poder-ser como tal.
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A angústia revela a impossibilidade de fundar primariamente a existência num cuidar de coisas, e com isso faz luzir a possibilidade de um poder-ser autêntico.
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O desvelamento do possível autêntico não constitui ainda decisão, mas abertura do horizonte no qual a decisão pode tornar-se possível.
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A afetividade extrema da angústia como autoafecção e retorno ao que de ser-aí
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A afetividade da angústia é descrita como a forma mais pura de autoafecção, pois o Da-sein se deixa afetar pela dessorção de si mesmo enquanto lançado.
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Em termos temporais, a angústia reconduz o Da-sein ao puro que de sua lançadidade, sem transformar esse retorno em esquecimento autoencobridor, embora também não o converta ainda em retomada plena.
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O retorno não pode ser uma retirada autoesquecida, pois a ameaça é o nada de si que se mostra como tal; mas tampouco é ainda uma recolha resoluta, porque isso exigiria uma resposta decisiva do si mesmo ao chamado da consciência.
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A angústia traz o Da-sein à sua lançadidade como retomável, tornando visível que as possibilidades a projetar só podem ser extraídas da própria lançadidade, e por isso ela abre a possibilidade de vir-a-si na própria capacidade mais própria de ser como ser-para-a-morte.
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A temporalidade da angústia como possibilidade da resolução e do instante
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A temporalidade da angústia não é ainda a estrutura plenamente autêntica do correr-para recolhedor e instantâneo, mas a possibilidade dessa estrutura.
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A presença correspondente não é o fazer-presente confuso do medo nem o instante plenamente realizado, pois o instante pertence à resolução concreta que assume a situação como própria.
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A angústia mantém o instante em prontidão, isto é, prepara a disposição para uma possível resolução sem produzi-la por coerção.
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O sentido temporal pleno da angústia é caracterizado como um trazer-diante de uma possível recolhibilidade que pode tornar-se correr-para e instante, permanecendo, porém, apenas possibilidade existencial enquanto não houver apropriação resoluta.
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Limites da análise e questões não tematizadas
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A análise mostra o nada na não familiaridade do ser-no-mundo e na possibilidade do não-ser-no-mundo, mas não avança até a tematização do nada do si mesmo singular em sua determinação própria.
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Permanece em suspenso como o ser se torna compreensível a partir desse nada e como esse desvelamento originário já articula uma inteligibilidade do ser.
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Não se formula a questão do sentido temporal do nada, embora ele pareça exigir um sentido temporal eminente.
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A análise permanece, assim, nos limites de uma elucidação preparatória, indispensável, porém ainda incapaz de resolver os problemas decisivos que ela mesma suscita.
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A interdependência entre tonalidade afetiva e compreensão no todo do cuidado
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A análise final indica que considerar medo e angústia isoladamente introduz uma artificialidade metodológica, pois tonalidade afetiva e compreensão não aparecem como elementos separados, mas como co-determinações no todo do cuidado.
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As disposições afetivas determinam a compreensão e são por ela determinadas, de modo que o seu enraizamento temporal pode variar conforme o jogo total do cuidado.
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Indica-se que a angústia pode surgir do futuro da resolução, enquanto o medo pode surgir do presente perdido do qual ele se torna ainda mais presa, sugerindo deslocamentos de origem conforme a totalidade da estrutura.
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A temporalidade da tonalidade afetiva, embora primariamente fundada no ter-sido, exige ser pensada em unidade extática com futuro e presente, sob pena de perder o movimento próprio do cuidado.
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A generalização da tese do ter-sido para a tonalidade afetiva em geral
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A primazia do ter-sido se evidencia mais facilmente em humores depressivos, pois eles pressionam o Da-sein para o peso do fundamento lançado.
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Mesmo humores elevadores e leves são compreendidos como emergindo do fardo da lançadidade, e por isso se experimentam como alívio e elevação, o que preserva seu vínculo com o ter-sido.
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A tendência de atribuir caráter primariamente futural a humores como esperança é atribuída ao modo decaído de explicar o existencial a partir do que ele visa intramundanamente.
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O peso decisivo dos humores é reconduzido ao seu caráter afetivo, e na esperança esse caráter consiste em esperar algo para si, o que pressupõe que o si mesmo já tenha ganho a si mesmo, isto é, tenha obtido um chão em sua lançadidade.
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A falta de tom cotidiana como poder do esquecimento
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A indiferença cinzenta da cotidianidade mostra de modo penetrante o poder do esquecimento nos humores do cuidar do próximo.
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O mero seguir o dia é fundado numa entrega esquecida à lançadidade, cujo sentido temporal é um ter-sido inautêntico.
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O não se importar indica uma perda extrema de si, mesmo quando coexistente com extrema atividade, pois a atividade não impede o abandono de si ao impessoal.
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O contraponto autêntico à indiferença é a equanimidade, compreendida como humor no qual uma existência resoluta, correndo para diante, está instantaneamente aqui para suas situações possíveis.
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