estudos:deely:fenomenologia
Fenomenologia como Meio da Questão do Ser
Deely1971
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Determinação inicial da fenomenologia como exigência da questão do ser
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A questão do sentido do ser conduz imediatamente à questão fundamental da filosofia, a qual não pode ser tratada senão fenomenologicamente.
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A insuficiência histórica da formulação da questão do ser decorre da ausência de uma delimitação metodológica rigorosa do campo próprio da investigação filosófica.
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A fenomenologia torna possível, pela primeira vez, a determinação explícita do ser como área problemática própria, distinta dos domínios objetuais das ciências positivas.
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Distinção radical entre ciência positiva e investigação fenomenológica
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As ciências positivas orientam-se diretamente aos entes enquanto entes, delimitando seus objetos segundo aspectos formais determinados.
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Tal orientação implica que a questão do sentido do ser desses entes permanece estruturalmente intocada.
A investigação fenomenológica, em contraste, dirige-se ao ser dos entes enquanto tal.-
Essa inversão de orientação metodológica funda a possibilidade da ontologia como disciplina distinta.
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Ontologia é possível apenas como fenomenologia, pois somente esta torna o ser tematicamente acessível.
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Fenomenologia como determinação do modo e não do objeto da investigação
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O termo fenomenologia não designa um domínio de objetos, mas o modo de acesso e de explicitação do que deve ser investigado filosoficamente.
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A máxima orientadora consiste em deixar que aquilo que se mostra seja visto a partir de si mesmo.
Essa caracterização exclui a compreensão da fenomenologia como uma escola, posição ou direção filosófica particular.-
Trata-se de uma exigência metódica válida para toda investigação filosófica madura.
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Crítica à redução da fenomenologia à análise da consciência
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A regressão ao consciente não deve ser entendida como redução psicologista.
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O campo propriamente visado estende-se para além do domínio do puramente psíquico.
A fenomenologia toma o consciente como ponto de partida, mas não como limite último.-
O que se busca é a condição de possibilidade do próprio tornar-se consciente dos entes.
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Distinção fenomenológica entre ser e ente
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O ente pode aparecer como plenamente dado na atitude natural, mas esse aparecimento encobre o ser enquanto tal.
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O ser é simultaneamente revelado e ocultado no aparecimento do ente.
A tarefa fenomenológica consiste em trazer à luz aquilo que, pertencendo essencialmente ao que aparece, permanece não tematizado.-
O ser dos entes é, por isso, o fenômeno propriamente dito da fenomenologia.
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Conceito fenomenológico de fenômeno
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Fenômeno designa aquilo que se mostra a si mesmo a partir de si mesmo.
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Aparência e semblante são modos derivados e fundados do fenômeno.
O fenômeno, em sentido fenomenológico estrito, nunca é algo que remeta a outra coisa situada por trás dele.-
Não há nada por trás do fenômeno do ser senão o próprio ser enquanto tal.
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Elucidação do logos como discurso manifestativo
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O sentido fundamental de logos é discurso entendido como deixar-ver.
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Todas as demais acepções derivam dessa função originária.
O discurso autêntico manifesta aquilo de que fala retirando-o do próprio ente.-
A verdade originária não reside no juízo, mas no desvelamento.
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Verdade como desvelamento anterior ao juízo
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A concepção tradicional de verdade como adequação é derivada e não originária.
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A percepção sensível e o noein possuem um caráter de verdade mais originário que o logos judicativo.
A possibilidade do erro emerge apenas em níveis derivados de manifestação.-
O desvelamento originário não pode ser falso, apenas pode não ocorrer.
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Fenomenologia como disciplina do deixar-aparecer
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Fenomenologia significa deixar que aquilo que se mostra seja visto no modo como se mostra.
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Toda explicitação deve proceder por mostração direta.
Essa exigência vale para toda investigação rigorosa, mas adquire especificidade filosófica quando o que deve ser mostrado é o ser.-
Desformalização do conceito de fenômeno
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O conceito formal de fenômeno é insuficiente para a ontologia.
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É necessário compreendê-lo como aquilo que, embora pertença ao que aparece, permanece encoberto.
O fenômeno propriamente ontológico é o ser dos entes.-
Ele constitui o sentido e o fundamento do que aparece na cotidianidade.
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Centralidade de Dasein como fenômeno privilegiado
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Dasein é o ente cujo modo de ser consiste em compreender o ser.
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Por isso, ele ocupa posição central na investigação fenomenológica.
A análise fenomenológica de Dasein é necessariamente existencial.-
O objetivo é mostrar o que Dasein é para além do modo como aparece na cotidianidade.
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Esquecimento do ser e necessidade da rememoração
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O ser é estruturalmente esquecido na compreensão cotidiana.
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Esse esquecimento não é acidental, mas constitutivo.
A tarefa da ontologia fundamental consiste em arrancar o ser desse esquecimento.-
Tal tarefa assume a forma de uma rememoração guiada pela questão do ser.
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Estrutura da investigação fenomenológico-ontológica
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Na explicitação do ser, os entes são sempre tema preliminar e acompanhante.
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O tema próprio permanece sendo o ser.
A fenomenologia não elimina os entes, mas suspende sua primazia temática.-
O foco desloca-se para as condições ontológicas de sua manifestabilidade.
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Primado do esse intentionale na investigação do ser
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O ser é acessível apenas na compreensão própria de Dasein.
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O esse intentionale constitui a condição fenomenológica dessa acessibilidade.
A investigação fenomenológica mantém-se restrita a esse domínio.-
A consideração do ente enquanto independente da compreensão não pertence ao âmbito da ontologia fundamental.
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Fenomenologia como atitude permanente do pensamento heideggeriano
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A posterior renúncia terminológica à palavra fenomenologia não implica abandono da atitude fenomenológica.
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O modo de interrogar permanece inalterado.
O pensamento do ser mantém-se determinado pela exigência do deixar-aparecer.-
A fenomenologia constitui o meio permanente da questão do ser.
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