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Daseinsanalyse

O termo “Daseinsanalyse” apareceu pela primeira vez em 1927 na obra-mestra de Martin Heidegger, Ser e Tempo. Foi imediatamente traduzido para francês por “analyse existentielle”. Mas esta denominação está na origem de um contra-senso sobre o sentido original que Heidegger deu ao termo Dasein: é essa a razão pela qual tomámos o hábito de conservar o termo alemão Dasein, mesmo em francês. Este termo, que significa literalmente “ser-af’, é aquele pelo qual a filosofia alemã traduziu, depois de Kant, o latim existentia, mas Heidegger deu-lhe um sentido muito particular, já que designa na sua filosofia exclusivamente o ser do homem que, uma vez que a compreensão do ser lhe pertence, não pode ser definido de outro modo que como o modo de ser fora de si, como ex-istência — este termo não designando mais em Heidegger o simples facto de ser para um qualquer ente, mas exclusivamente o modo de ser próprio do Dasein. A compreensão efectiva que o Dasein tem de si mesmo é, pois, uma compreensão existencial. Mas aquilo que Heidegger designa por análise existencial ou Daseinsanalyse não se situa ao nível simplesmente “ôntico” do comportamento individual concreto, mas ao de uma explicitação temática da sua estrutura ontológica. A tarefa da analítica existencial consiste em distinguir e em analisar as modalidades de ser fundamentais do Dasein, os seus existenciários. A diferença entre “existencial” e “existenciário” deve ser claramente sublinhada: não há nível existenciário sem fundamento existencial, quer dizer, sem a compreensão que tem da sua própria existência um Dasein em cada caso singular. Mas a análise existencial, uma vez que não visa unicamente um Dasein particular, mas o Dasein como tal, constitui a ontologia fundamental que serve de solo a todas as ontologias regionais, que têm por tarefa elucidar o modo de ser dos entes diferentes do Dasein, daqueles que procedem, por exemplo, da região “natureza” ou “vida”. (Françoise Dastur, site LusoSofia)


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