estudos:blattner:stimmung-1999
STIMMUNG (2023)
BLATTNER, William D. Heidegger’s “Being and Time”: A Reader’s Guide. 2nd ed ed. London: Bloomsbury Academic, 2023.
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A fenomenologia concreta de §30 concentra-se em espécies e variações do medo, mas a generalização torna-se difícil, sendo oferecida uma fenomenologia mais rica de afinação em Conceitos Fundamentais da Metafísica, §17.
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§30 distingue modalidades como pavor e terror.
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§30 inclui variações como temer por outro e temer junto com outros.
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A extrapolação a partir do medo permanece incerta.
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§17 amplia o campo fenomenológico da afinação.
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A afinação aparece como atmosfera que acompanha e antecede o estar-com, podendo ser descrita como contagiosa sem reduzir-se a transmissão de estado psíquico, pois determina previamente o modo de ser conjunto e envolve imersão numa tonalidade já vigente.
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Bom humor instaura atmosfera vívida.
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Presença deprimente abafa a situação e inibe abertura dos demais.
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A contagiosidade não é analogável a germes que passam entre organismos.
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A afinação não é efeito colateral, mas determinação antecipadora do ser-com.
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A imagem de atmosfera indica algo já presente no qual se ingressa.
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A afinação permeia e sintoniza por inteiro.
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O exemplo do vizinho constantemente abatido explicita que a afinação configura um tom e um modo de estar no mundo e consigo, tornando a conversação pesada e imóvel sem pressupor infecção por estado interno.
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O vizinho queixoso tende a postura corporal caída e menor prontidão ao riso.
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A resposta típica desloca-se para reclamações e dificuldades.
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A conversação perde mobilidade na presença do desanimador.
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O fenômeno é descrito como atmosfera e sintonização do mundo e de si.
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O ser é sempre questão e, para sê-lo, deve importar, sendo as maneiras pelas quais importa desveladas na afinação, de modo que fracasso, êxito, peso, leveza, culpa e liberdade são modos de portar-se na vida e não meras disposições internas.
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O importar é condição do ser-em-questão.
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Ser fracassado ou estar em alta descreve modos existenciais de condução.
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A vida pode ser sentida como fardo ou como facilidade.
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Pode haver sensação de estar liberado ou encurralado.
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Culpa e leveza são modalidades do carregar-se no mundo.
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A afinação manifesta como alguém está e como está indo.
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A afinação não apenas dá o tom da vida, mas sintoniza para os imports diferenciais de coisas, pessoas e eventos, de modo que o medo revela o temível como ameaçador, e a temibilidade não é traço neutro, mas descoberta pela própria afinação.
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Import é o modo como algo importa.
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O medo sintoniza para o temível.
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Perigo objetivo pode existir sem ser percebido.
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Temível é o que é desvelado como ameaçador pelo medo.
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A pessoa destemida não vivencia o temível com a mesma prontidão.
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O chefe não aparece como temível para quem o enfrenta facilmente.
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O contraste entre destemor e temor exibe que o medo possui duas faces inseparáveis — o ente temível e o Dasein que teme — e rejeita modelos em camadas que separam realidade neutra e experiência valorada, pois o medo já descobre o ameaçador em sua temibilidade.
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O medo envolve simultaneamente o que ameaça e quem é ameaçado.
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Modelo em camadas distinguiria neutralidade afetiva e valoração posterior.
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A apreensão de mal futuro não precede o medo.
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O medo não acrescenta depois uma coloração ao que já foi notado.
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O medo descobre previamente o que se aproxima como temível.
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A comicidade de personagens que gritam tarde explora contraste com a experiência ordinária.
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A diferença entre julgar perigo e experimentar ameaça mostra que a linguagem e o conteúdo perceptivo já trazem import, e que o ser-no-mundo é fenômeno unitário cujas facetas podem ser distinguidas analiticamente sem isolamento conceitual, sendo o medo um modo ôntico de disposição pertencente ao ser-no.
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Um cão pode ser perigoso sem ser vivido como ameaçador.
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Descrever o cão como rosnando já pertence ao contexto do medo.
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Ser-no-mundo inclui mundo, quem está-no-mundo e ser-no.
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As facetas são distinguíveis, mas não separáveis conceitualmente.
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Disposição é faceta do ser-no.
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O medo é modo concreto de disposição em que ameaça e ameaçado são intrinsecamente correlatos.
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O exemplo do cão grande e agressivo evidencia que, ao cessar o medo e surgir conforto, o próprio conteúdo do que é visto muda, pois traços antes salientes como dentes e músculos cedem lugar a padrões e suavidade, indicando que a experiência é atravessada por import.
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O cão aparece como temível sob medo.
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Dentes e musculatura tornam-se proeminentes.
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A intervenção do dono altera o campo da experiência.
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O contato amigável dissolve o aspecto de temibilidade.
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Outros traços passam a ser notados, como padrão no rosto e maciez.
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O conteúdo cognitivo varia conforme medo ou conforto.
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A experiência perceptiva é saturada por import.
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Modos de sintonização para o importar não se limitam a experiências intensas como medo, pois a confiabilidade cotidiana de utensílios, como a xícara sempre à mão ou o canivete fiel, também constitui import.
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Confiabilidade é modo de importar.
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Ação rotineira pressupõe presença estável de objetos.
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A linguagem de “fiel” expressa esse import.
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A sintonização cotidiana opera com baixa intensidade.
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A própria possibilidade ontológica de ser afetado por inutilizabilidade, resistência ou ameaça do disponível exige determinação prévia do ser-no para que o intramundano possa importar, e essa submissão desveladora ao mundo permite que algo relevante encontre.
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Inutilizabilidade, resistência e ameaça são imports do equipamento.
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O ser-no deve estar previamente determinado para que algo importe assim.
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A circunspecção cotidiana é atravessada por afinações.
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Disposição implica submissão desveladora ao mundo.
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O encontro do que importa depende dessa abertura.
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A fenomenologia apresentada sustenta que a afinação é mais ampla que humor, emoção ou afeto, pois inclui sensibilidades e virtudes como modos atmosféricos e compartilháveis de fazer distinções e perceber chamadas à ação, sem reduzir-se a estados internos privados.
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Sensibilidade de conhecedor torna distinções refinadas relevantes.
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Connoisseur de vinho, arte, carros ou café percebe diferenças que outros não veem.
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A presença do conhecedor altera a atmosfera e produz autoexperiência de rudeza.
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A sensibilidade funciona como ambiência compartilhada.
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Virtude, em leitura aristotélica, inclui modo de ver e notar o que pede compaixão.
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A pessoa bondosa percebe sofrimento e sente-se convocada a responder.
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Intervenção bondosa em abuso verbal sintoniza a situação como exigindo cuidado.
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A virtude torna-se imediatamente inteligível na cena compartilhada.
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A síntese da fenomenologia reúne que afinações desvelam imports, operam atmosfericamente como tenor situacional, manifestam como alguém está e como vai, e não atuam como coloração posterior de objetos cognitivos previamente dados.
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Afinações mostram modos de importar de coisas e da própria vida.
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Afinações funcionam como sintonização de situação, não como interioridade privada.
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A auto-revelação inclui avaliação prática de estar indo bem ou mal.
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Objetos não são primeiro dados neutros para depois serem interpretados.
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O importar constitui o próprio modo de aparecer do intramundano.
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