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Ateísmo

JBDH3

  • O mundo grego, a presença do divino e a pergunta pela necessidade dos deuses
    • O poema de Pindaro é apresentado como invocação a Apolo, cuja presença é celebrada na vitória de Aristomenes, e o mundo evocado é aquele em que os homens, em paz ou guerra, trabalham e descansam, existindo uns para os outros na relação com o divino.
    • A pergunta fundamental sobre a necessidade do divino para que o homem seja verdadeiramente homem é colocada, e o homem é caracterizado como o ente que “tem um privilégio na questão do ser”, sustentando a “prova” do “aberto” do ser.
    • O ser, que não é nada de ente, é um “nada” que nos visita, e a filosofia grega, ao contrário do pensamento comum, medita sobre o “” (il y a) como “clarão do ser”, e a passagem da poesia à filosofia é apresentada como um acontecimento decisivo, onde o “logos” não destrói o “mito”, mas o divino se retira.
  • A poesia como evocação do divino e a separação entre “mythos” e “logos”
    • A palavra poética é caracterizada como uma evocação direta que “desperta” a presença na coisa dita, enquanto a filosofia busca meditar essa presença, e a noção de que o “logos” faz justiça ao “mito” é posta em questão, pois a destruição do mito não vem da lógica, mas do “retiro do divino”.
    • Os deuses gregos não são “personificações” de forças naturais, mas a “presença de um mundo” em diferentes aspectos, e o “retiro do divino” é o retiro de um mundo que, no entanto, permanece na memória da poesia, e o advento da filosofia é o “entardecer” desse mundo.
    • A filosofia é apresentada como um “modo particular do pensamento” que estabelece o “teorema ontológico do divino”, situando-o no “primeiro lugar” do ser, e a metafísica de Aristóteles é duplamente metafísica: pela transição do ente ao ser e pela ultrapassagem da “physis” em direção a um modo de ser superior.
  • A metafísica como “onto-teologia” e a herança do “mythos”
    • Em Aristóteles, a metafísica se torna “teologia”, e a tradição mítica é preservada como uma “relíquia” que ensina que os primeiros no ser são deuses, e o “logos” não refuta o “mito”, mas o reduz à sua “verdade”, pois ambos têm a mesma origem no “thaumazein” (espanto).
    • A filosofia, como “mundo ao avesso”, estabelece o primado do divino no ser, mas esse divino, tornado “filosofema”, embarca em uma aventura milenar, e a palavra bíblica, através do cristianismo, conquista o mundo da filosofia, originando um evento de “enormidade” incalculável.
    • A diferença entre a “aletheia” grega, como presença a descoberto que se deve “guardar”, e a “revelação” bíblica, que é um “depósito” a ser preservado, é acentuada, e a tentativa de harmonizar filosofia e fé, de Kant a Hegel, é questionada, pois a filosofia grega é essencialmente “ontológica”.
  • A ontologia grega, a “physis” e o “retiro” do divino
    • A filosofia grega é definida como a tentativa de apreender o ente “pelo qual ele é” (to on he on), um “pelo qual” (he) que é mais originário que qualquer “por cima” ou “por baixo”, e que é expresso na poesia de Ésquilo como algo mais forte que qualquer oferenda.
    • O “theion” aristotélico é um “modo de ser” neutro, indiferente ao número de deuses, e a “piedade ontológica” grega é oposta à “dogmática” bíblica, que dispensa “verdades ônticas” sobre a transcendência ou a vida após a morte.
    • A filosofia, ao se tornar “onto-teologia”, é uma “fundação segunda” que se afasta da “fundação primeira” da poesia, e a questão de “Sein und Zeit” (Ser e Tempo) é a de elaborar a pergunta fundamental da filosofia, que é a pergunta pelo “pelo qual” do ente.
  • O “par onde” (He) do ser, a história e a pergunta original
    • A pergunta pelo “par onde” do ente é essencialmente “histórica”, e o tempo do ser é aquele em que a própria luz muda, e a questão fundamental da filosofia não é “original” em relação ao que a precedeu, a saber, a manifestação do ente na palavra poética.
    • A poesia grega é a “aurora” que precedeu a filosofia, e o “olhar atlético” dos gregos, que sustentava a “antifania” do divino, é algo que já não podemos ouvir como foi dito, e a interpretação de Feuerbach sobre o divino como “fundamento econômico negativo” é recusada.
    • Os gregos não se sentiam “inferiores” economicamente, e sua relação com a terra era de “saudação”, não de exploração, e o “saluto” é caracterizado por Heidegger como o ato que “reconhece o outro em seu ser” e “desdobra a distância” para estabelecer uma proximidade.
  • A separação entre poesia e filosofia e a condição de “ateísmo”
    • O “senso grego do divino” era o “espanto” de estar no mundo, e a filosofia, como “onto-teologia”, é uma “fundação segunda” que inicia o “estrangulamento do inicial”, e a “morte de Deus” é atribuída por Nietzsche à “teologia”.
    • A tarefa presente não é renovar o “mito” grego, mas reconhecer que, “mais atrás” que a fé e a filosofia, está a luz esquecida do mito, que prepara uma “viragem do tempo”, e no “interregno”, todos somos “ateus”, não por opção, mas como Édipo, “desertados” pelo divino.
    • A condição do homem moderno é a de um “ateísmo” que afeta tanto o devoto quanto o marxista, enquanto o pensamento não se abrir ao “retiro do ser”, e a tragédia, mesmo na “derrota” de um mundo, permanece o “país dos signos”, que são a “linguagem dos deuses”.
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