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estudos:agamben:uso-do-mundo-4-2014

PRIMADO DA CURA (2014)

AGAMBEN, Giorgio. O uso do mundo. Tr. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014

4. Relação entre Uso e Cura em Martin Heidegger

4.4. A Estratégia da Angústia para Afirmar o Primado da Cura (die Sorge) sobre a «Familiaridade que Usa e Maneja»
  • O primado da Cura (die Sorge) sobre a «familiaridade que usa e maneja» (gebrauchenden Umgang)
  • A Cura (die Sorge) pressuposta e inscrita na estrutura do in-ser (In-Sein) que define a relação originária do Dasein com o seu mundo
  • Antecipação do tema da cura no par. 12 (espacialidade existencial do Dasein)
  • As modalidades do in-ser (In-Sein) possuem o modo de ser do tomar-se cura (Besorgen): «Estas modalidades do in-ser têm o modo de ser (a ser definido, mais tarde, com precisão) do tomar-se cura … A expressão não significa que o Dasein seja antes de tudo e prevalentemente econômico ou prático, mas que o ser do Dasein deve tornar-se visível como cura. Este termo deve ser compreendido [ist… zu fassen] como conceito estrutural ontológico» (p. 57)
  • A inserção da Cura (die Sorge) como exigência, apesar da manejabilidade e satisfatoriedade parecerem pressupor o contrário
  • O dispositivo decisivo para o primado da Cura (die Sorge): a angústia
  • Os pontos de fratura da manejabilidade (Zuhandenheit) (par. 16): o utensílio estragado, faltante ou fora do lugar/obstáculo
  • A manejabilidade cede lugar à simples disponibilidade (Vorhandenheit), mas não desaparece
  • Citação: «a manejabilidade não se desvanece simplesmente, mas, na surpresa causada pelo que se torna inutilizável, ela parece quase se despedir. A manejabilidade se mostra ainda uma vez e justamente na sua despedida mostra a conformidade ao mundo do manejável» (p. 74)
  • A revogação radical da relação primeira e imediata com o mundo na angústia
  • A perda de importância da «totalidade de satisfatoriedade, descoberta dentro do mundo, do manejável e do disponível», que «afunda em si mesma»
  • O mundo assume o caráter da «mais completa insignificância» (p. 186)
  • O poder da angústia de aniquilar a manejabilidade, de produzir um «nada de manejabilidade» (Nichts von Zuhandenheit) (p. 187)
  • A revelação de uma relação com o mundo mais originária que toda familiaridade
  • Citação: «Aquilo diante do qual a angústia é tal, não é nada de manejável no mundo… O nada da manejabilidade se funda em algo de absolutamente originário: no mundo… Aquilo diante do que a angústia se angustia, é o próprio ser-no-mundo. A angústia abre originariamente e diretamente o mundo como mundo» (p. 187)
  • O subvertimento radical do primado da «familiaridade que usa e maneja»
  • A tese do não-sentir-se-em-casa (das Un-zuhause) como o fenômeno mais originário: «a intimidade com o mundo “é um modo do estranhamento do Dasein e não o contrário. Do ponto de vista ontológico-existencial, o não-sentir-se-em-casa deve ser concebido como o fenômeno mais originário» (p. 189)
  • O anulamento e neutralização da familiaridade como condição para a Cura (die Sorge) se apresentar como a estrutura original do Dasein
  • O lugar originário da Cura (die Sorge) situado no não-lugar da manejabilidade
  • O primado da temporalidade sobre a espacialidade como correspondência ao primado da cura sobre o uso (nota de rodapé a)
  • A esfera da «familiaridade que usa e maneja» (gebrauchenden Umgang) definia a «espacialidade» do Dasein (parr. 22-24 de Essere e tempo)
  • Conceitos de ordem espacial: o «dis-afastamento» (die Ent-fernung), a «proximidade» (die Nähe), a «região» (die Gegend), o «dispor no espaço» (Einräumen)
  • O Dasein «é originariamente espacial»
  • A temporalidade como sentido ontológico da Cura (die Sorge) a partir do par. 65
  • A estrutura da Cura (die Sorge) (o ser-já-em-antecipo-sobre-si em um mundo como ser-junto ao ente encontrado no mundo) adquire sentido pelas três «êxtases» da temporalidade (futuro, passado e presente)
  • O ser-junto que define a manejabilidade carece de um correspondente remando imediato (p. 328)
  • A tentativa forçada de reconduzir o ser-junto à temporalidade como «presentificação» (Gegenwärtigen, p. 328)
  • O ser-junto definia a espacialidade do Dasein (proximidade espacial)
  • Admissão posterior de Heidegger da impossibilidade de manter a recondução da espacialidade à temporalidade (no par. 70 de Essere e tempo) no seminário Tempo e Ser
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