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estudos:zimmerman:jogo-cosmico-1982

JOGO CÓSMICO (1982:238-240)

ZIMMERMAN, Michael E. Eclipse of the Self. Athens: Ohio University Press, 1982.

  • Heidegger recorre a Heráclito para afirmar que o jogo cósmico designado como logos ou Ereignis inclui o tempo-mundo (aeon) que possibilita a temporalidade humana, identificando aeon como mundo que mundifica e temporaliza ao trazer a estruturação do Ser a um brilho clarificador e ao remeter ao destino do Ser.
    • Logos, physis, cosmos e aeon indicam a mesmidade do Ser e do fundamento.
    • Aeon é traduzido como tempo-mundo.
    • O cosmos estrutura e ilumina o Ser.
    • O não dito dessas palavras aponta para o destino do Ser.
  • Ereignis designa o jogo no qual tempo e Ser se dão mutuamente, e a dificuldade inicial de Heidegger em esclarecer sua relação decorre da limitação do vocabulário transcendental, levando-o a interpretar o Ser como a-letheia e Anwesen e a temporalidade como lethe, ausência necessária à não-velação.
    • O tempo é dado ao Ser e o Ser ao tempo.
    • A filosofia transcendental restringe a formulação inicial.
    • Ser é compreendido como verdade e presença.
    • Temporalidade é pensada como esquecimento ou ausência.
  • Na conferência Tempo e Ser (1962), Heidegger descreve a unidade das três dimensões do tempo como interação (Zuspiel) que atua na propriedade (Eigenen) do tempo, omitindo referência ao si autêntico presente em Ser e Tempo.
    • A unidade temporal é interação recíproca.
    • A descrição parte da própria Sache.
    • Desaparece a ligação explícita com o si.
  • Para explicar a simultânea unidade e diferenciação das dimensões temporais, Heidegger introduz a quarta dimensão chamada vizinhança (Nahheit), identificando-a com o tempo-mundo heraclítico que organiza a ausência temporal como Logos e afirmando que o Ereignis dá tempo e Ser sem ser um doador no sentido comum.
    • A vizinhança exprime apropriação mútua.
    • O tempo-mundo ordena a manifestação dos entes como cosmos.
    • Ereignis não é ente nem causa.
    • O que se dá é jogo de aparência e ocultação.
  • A descrição fenomenológica da experiência como sucessão de acontecimentos revela que presença e ausência se dão conjuntamente em um jogo de manifestação, frequentemente obscurecido por projeções voluntariosas, teorias científicas e afirmações religiosas que reduzem o mundo a metas e obstáculos.
    • Sentimentos, ideias e ações surgem e desaparecem.
    • A experiência é filtrada por interpretações.
    • O mistério primordial é o acontecer constante.
    • Os acontecimentos exigem lugar intrínseco para manifestar-se.
    • O jogo acontece porque acontece.
    • A autenticidade consiste em participar desse jogo.
  • Ser e tempo existem apenas na apropriação, e pertence ao Ereignis a propriedade de trazer o homem para o que lhe é próprio como aquele que percebe o Ser ao encontrar-se no tempo autêntico.
    • O homem é apropriado (geeignet) pelo Ereignis.
    • A percepção do Ser ocorre na temporalidade autêntica.
    • O homem pertence ao acontecimento apropriador.
  • Os entes do cosmos se apropriam mutuamente ao abrir caminho uns para os outros segundo uma ordem rítmica que não é caótica, e o homem, diferentemente dos demais entes, pode abrir caminho para o Ser de todos, refletindo o mundo por sua afinidade com o Logos.
    • Terra e chuva exemplificam abertura recíproca.
    • Há rima temporal mesmo sem razão causal.
    • O mundo exibe ordem mútua.
    • O tempo humano é aspecto do tempo-mundo.
    • A afirmação de que não há tempo sem o homem significa que o tempo-mundo não se revela sem ele.
    • O tempo-mundo acontece independentemente da existência humana.
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