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TONALIDADE AFETIVA E DISPOSIÇÃO (1986:IV)
STAMBAUGH, Joan. The Real is not the rational. Albany: State university of New York press, 1986.
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A objeção segundo a qual os estados de espírito seriam meramente subjetivos ou simples acompanhamentos fisiológicos exige distinguir entre a crítica ao subjetivo e a crítica ao fisiológico, sendo esta última examinada a partir da experiência comum da oscilação entre causas corporais e disposições anímicas.
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Dupla objeção: subjetividade e fisiologia.
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Prioridade metodológica da questão fisiológica.
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Centralidade persistente da suspeita de subjetividade.
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A questão fisiológica manifesta-se na indagação circular sobre se a depressão decorre de um resfriado ou se o resfriado decorre da depressão, revelando a tendência de buscar causas e durações, especialmente em estados negativos como a depressão patológica.
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Busca espontânea de causalidade.
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Necessidade de saber duração e origem.
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Caráter inquietante da depressão sem causa identificável.
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A explicação fisiológica mostra-se limitada porque apenas descreve estados corporais sem esclarecer o como do seu impacto anímico, conduzindo a regressões sucessivas entre fatores físicos e psicológicos e expondo a fragilidade do paralelismo entre mente e corpo.
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Descrição sem elucidação do porquê.
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Regressão infinita entre físico e psíquico.
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Inadequação do paralelismo mente-corpo.
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Abalo da pretensa supremacia da razão.
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A persistência e a inexorabilidade do humor desafiam a ideia de racionalidade soberana, pois estados de espírito independem de razões aparentes e determinam o modo como se enfrenta o que ocorre, mesmo sem alterar objetivamente os acontecimentos.
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Descompasso entre razões objetivas e disposição anímica.
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Influência do humor sobre a recepção dos fatos.
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Independência relativa em relação às circunstâncias externas.
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A alternância causal entre mente e corpo revela-se infrutífera tanto quando se supõe sua separação quanto quando se afirma sua identidade abstrata, culminando na inescrutabilidade e na simples continuidade da existência sem resolução conceitual.
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Limites da explicação causal.
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Insuficiência da tese da identidade mente-corpo.
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Rendição diante do enigma.
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A acusação de que o humor seria puramente subjetivo opõe razão objetiva e estabilidade a instabilidade e imprevisibilidade do mal-humor, mas tal distinção confunde o humor constitutivo com a volatilidade emocional derivada.
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Razão como critério de objetividade.
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Mal-humor como instabilidade ôntica.
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Distinção entre humor e reações emocionais.
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As emoções reativas pressupõem sempre um humor prévio que delimita o campo das possíveis respostas, de modo que o estado de espírito funciona como condição constitutiva do ser-no-mundo e não como mero epifenômeno que colore uma realidade previamente dada.
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Humor como condição de possibilidade das emoções.
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Caráter constitutivo do ser-no-mundo.
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Recusa da realidade como mera Vorhandenheit abstrata.
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O fato de a experiência da realidade pertencer sempre a alguém não a torna subjetiva no sentido tradicional, sobretudo se o ser humano não puder ser definido como sujeito, sendo a temporalidade o elemento decisivo para desestabilizar a noção substancial de sujeito e descrever antes o surgimento da própria realidade.
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Crítica ao conceito de sujeito como substância.
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Temporalidade como desfundamentação do sujeito.
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Ênfase no surgimento da realidade.
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O termo atitude, desvinculado de seu uso psicológico vulgar, remete etimologicamente à adequação e à aptidão, indicando a capacidade de habitar adequadamente uma situação e de acessar o real de modo próprio, articulando-se com necessidade e sintonia.
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Relação entre atitude, apto e aptidão.
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Comentário apto como ajuste à situação.
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Atitude como modo adequado de habitar.
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A citação de Heráclito — harmonia aphanes phaneres kreitton — condensa a tese de que a sintonia não manifesta é mais decisiva do que a harmonia aparente, reafirmando a primazia do humor constitutivo sobre manifestações visíveis.
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Harmonia invisível superior à visível.
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Primazia da sintonia implícita.
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