estudos:stambaugh:temporalidade-zeitlichkeit-realidade-wirklichkeit-tonalidade-1986
TEMPORALIDADE [ZEITLICHKEIT], REALIDADE [WIRKLICHKEIT], TONALIDADE AFETIVA [STIMMUNG] (1986:IV)
STAMBAUGH, Joan. The Real is not the rational. Albany: State university of New York press, 1986.
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Ao recusar que a resposta à pergunta “O que é real?” consista em fornecer uma razão causal ou em substituir a pergunta por um manejo pragmático do desconhecido — como no caso do inconsciente tomado como o real — coloca-se a necessidade de repensar o real a partir da temporalidade, cuja consideração é esperada como via de acesso a uma nova compreensão do que é real.
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Recusa de uma fundamentação causal como resposta filosófica.
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Rejeição da redução pragmática da pergunta ao controle do desconhecido.
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Referência ao inconsciente como figura do real incontrolável.
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Expectativa de que a temporalidade ofereça nova visão do real.
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A temporalidade não coincide com o tempo serial de sucessivos pontos-agora, pois mesmo quando Heidegger relaciona Verständnis ao futuro, Befindlichkeit ao passado e Rede e Verfallen ao presente, tais dimensões não se organizam como sucessão cronológica, mas como estrutura unitária do Da-sein expressa pelas preposições antes-de-si, já-em e junto-com, nas quais o adiante-de-si e o já-ser-em constituem a plenitude do presente.
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Distinção entre temporalidade e tempo serial.
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Associação de Verständnis ao futuro.
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Associação de Befindlichkeit ao passado.
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Associação de Rede e Verfallen ao presente.
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Estrutura do Da-sein como antes-de-si, já-em, junto-com.
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Unidade de existência, facticidade e enredamento como Fora-de-Si.
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Adiante-de-si não situado no futuro cronológico.
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Já-ser-em não situado no passado cronológico.
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Convergência dessas dimensões na plenitude do presente.
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A consideração da temporalidade permite vislumbrar o real não como presente objetivado, mas como emergência da consciência em termos de compreensão e sintonia, pois somente o estar-fora-de-si possibilita o ser-no-mundo, seja de modo inautêntico no enredamento, seja de modo autêntico no habitar.
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Superação da concepção de presente como objeto.
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Consciência compreendida a partir de Verständnis e Befindlichkeit.
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Fora-de-Si como condição do Em.
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Distinção entre modo inautêntico e modo autêntico de ser-no-mundo.
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Reconhecida a primazia do futuro na estrutura do Fora-de-Si, destaca-se o já-em e a Befindlichkeit como dimensão decisiva que revela como se é no mundo, constituindo talvez o elemento mais inovador da análise do ser-no-mundo.
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Primazia do futuro na estrutura temporal.
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Ênfase no já-em.
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Befindlichkeit como revelação do modo de ser-no-mundo.
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Centralidade da disposição na análise existencial.
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A Stimmung, entendida como o modo como alguém se encontra no mundo, é apresentada como aquilo que é real, pois não se reduz a faculdade controlável nem a ideia confusa, mas expressa o “como” da existência nua, elimina a dicotomia entre razão e emoção e, embora analisada em Ser e Tempo como condição de possibilidade da existência, pode ser pensada posteriormente como ocorrência pura e simples.
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Stimmung como modo de encontrar-se no mundo.
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Etimologia ligada ao modo, ao como.
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Recusa de explicação causal do estado de espírito.
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Revelação de si no mundo além da análise objetiva.
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Superação da oposição entre razão e emoção.
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Não compreensão do humor como faculdade.
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Deslocamento da questão da possibilidade para a ocorrência.
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Nos escritos posteriores, a sintonia encontra seu correspondente na habitação, de modo que o estado de espírito como maneira de encontrar-se transforma-se no modo próprio de morar.
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Correspondência entre sintonia e habitação.
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Transformação do modo afetivo em modo de morar.
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