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Tarefa de uma hermenêutica "eventual" (1999:69-77)
Data: 2025-10-26 16:00
L’événement et le monde
Elucidação do sentido da aventura humana no fio condutor do evento
A Hermenêutica Eventual: Princípios e Desdobramentos
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As Quatro Determinações Fundamentais do Evento
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A atribuição unívoca que implica o próprio eu na ipseidade de todo evento.
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“em todo evento, eu estou em jogo eu mesmo em minha ipseidade”.
O caráter instaurador-de-mundo para o adventício.Sua an-arquia constitutiva que, sendo inexplicável, faz não obstante sentido na aventura humana.A impossibilidade de toda datação, segundo a qual o evento não sobrevém no tempo, mas abre o tempo ou o temporaliza.A Hermenêutica Eventual como Interpretação-
A utilização destas quatro determinações fundamentais como fio condutor para a elucidação do sentido da aventura humana.
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A elucidação que é interpretada como hermenêutica eventual.
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Os três desdobramentos desta hermenêutica:
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Primeiramente, uma fenomenologia.
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Segundo, uma interpretação do adventício, que se distingue decisivamente do conceito clássico de “sujeito”.
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Terceiro, uma hermenêutica da temporalidade.
A Fenomenologia do Evento e sua Primazia
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A Condição Incondicionada do Evento
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A diferença do evento em relação ao simples fato: ele não é primeiramente possível antes de ser efetivo.
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O evento que não é nem previsível segundo um regime causal, nem antecipável no modo do projeto.
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O evento que sobrevém, rigorosamente, antes de ser possível, e, por isso, se absolve de suas próprias condições.
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A ausência de “condições de possibilidade” enraizadas em um “sujeito” (exemplo: uma certa “passividade” que prepararia o acolhimento).
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O evento que, em sua impreparação radical, é a única condição (sem condições) de seu próprio advento.
O Evento como Fonte Primária de Sentido e Direito-
O evento que abre a área de jogo e o espaço onde pode advir por sua própria sobrevinda.
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O surgimento que é sua própria medida, atingindo fora de toda medida a nós mesmos.
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A ausência de sujeição a qualquer condição prévia ou a qualquer a priori ontológico que daria a medida de sua manifestabilidade.
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A exigência fundamental da fenomenologia de tomar o aparecer como fonte de direito, sem presumir o sentido deste aparecer.
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O primeiro e principal fenômeno em direito: o que é para si mesmo (e consequentemente para nós) a fonte de todo sentido e de todo direito.
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O evento que, ao se iluminar a si mesmo, se produz à luz de sua própria manifestação: a pura mostração do evento.
A Primazia do Evento-
A suficiência de ter estabelecido a primazia do evento e seu direito “inalienável” de se tornar fenômeno para uma fenomenologia, sem resolver os problemas concretos de uma fenomenologia do evento.
A Hermenêutica do Adventício e a Crítica ao Conceito Clássico de Sujeito
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O Sujeito Moderno e a Exclusão do Evento
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A dificuldade em responder como a análise fenomenológica do evento pode servir a uma hermenêutica do adventício e diferenciar-se radicalmente do “sujeito” clássico, sem a determinação prévia do que se entende por “sujeito”.
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A determinação moderna do “sujeito” desde Descartes que é indissociável da interpretação tardia da ousia (entidade) aristotélica em substantia.
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A substância como o que jaz no fundo e se mantém sob os diversos atributos ou acidentes, o substrato permanente (hypo-keimenon).
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A exclusão principial de que o sujeito possa ser definido como aquele a quem algo pode acontecer, ao reduzir o evento a um simples atributo ou a uma propriedade da substância.
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A determinação do homem como “sujeito” que impede que algo como um evento possa tocá-lo.
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O sujeito que se mantém sempre sob o que (lhe) acontece (sub-jectum), exercendo um domínio e controle sobre os eventos.
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O rebaixamento dos eventos ao estatuto de simples atributos.
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O sujeito como o idêntico a si mesmo até em suas alterações.
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A exclusão principial de ser atingido por algo como um evento e, por conseguinte, de ser transtornado ou transformado por ele.
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O sujeito, segundo Levinas, que é “o poder do recuo infinito, o poder de se encontrar sempre atrás do que nos acontece”.
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Ser sujeito é poder encontrar-se e reencontrar-se constantemente “atrás” ou “sob” o que se passa.
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O sujeito que conserva o poder de não ser implicado nos eventos.
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O sujeito para quem todo evento se ordena em predicado, atributo, acidente, ou seja, se sub-ordena.
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O evento reduzido a um regime degradado do ser.
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O sujeito que, ao subordiná-lo, reconduz o evento à sua própria ordem.
A Questão do Dasein Heideggeriano-
A incerteza sobre a permanência de pensamentos que visam explicitamente abandonar a metafísica do sujeito na órbita deste, adotando sub-repticiamente a determinação do sujeito como “poder do recuo infinito”.
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A questão se o Dasein heideggeriano, apesar do passo decisivo de Sein und Zeit (Ser e Tempo) para fora da metafísica, ainda se mantém no horizonte de tal pensamento da sub-jetividade.
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As duas faces da análise existencial do Dasein:
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A destruição do “sujeito” tradicional é suposta, pois na analítica existencial “não há mais cópulas”.
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A possibilidade do Dasein se instaurar como instância ontológica precisamente por uma redução fenomenológica do evento (ao ser ou como ser).
A questão que permanece aberta se, ao conquistar-se o Dasein por uma redução do evento, o “sujeito” não renasce atrás de sua destruição pela ontologia fundamental.A inversão: a necessidade de destruir também o Dasein para alcançar o adventício, o único “capaz” de eventos.O Adventício como Ruptura com a Subjetividade-
O adventício como o título para descrever o evento constantemente na iminência de minha própria advento a mim mesmo.
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O advento que se dá a partir dos eventos que me advêm e, ao se destinarem a mim, me dão um destino: aventura sem retorno.
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O adventício que não designa nem um ente privilegiado, nem uma instância ontológica.
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O adventício que é a própria abertura ao evento em geral, a “condição” eventual (ou a in-condição) de toda história.
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O adventício como a dimensão desde a qual o evento se torna visível a partir de si mesmo e em si mesmo, a um duplo título.
A Dupla Acepção do Adventício-
Primeiramente: o adventício é aquele a quem sobrevêm eventos.
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O adventício que é “sujeito” apenas neste sentido: o único substrato de atribuição ôntica necessariamente implicado em todo fato intramundano.
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A implicação necessária para que o fato possa se mostrar a partir de si mesmo, tal como ele mesmo advém.
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A necessidade desta atribuição que resulta do fato de que o evento em sua significação primária (o fato intramundano) só pode aparecer para um “sujeito” suscetível de compreendê-lo.
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A compreensão do sentido do fato intramundano em um projeto interpretativo, conforme um contexto eventual determinado.
Segundo (mais fundamental): o adventício é aquele a quem sobrevêm eventos na medida em que ele mesmo está implicado no que lhe acontece.-
O adventício que se compreende a si mesmo no que, desta maneira, lhe advém.
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O evento aqui em jogo não é mais o fato intramundano, mas o evento no sentido propriamente eventual.
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O evento que me advém de modo insubstituível e me dá a possibilidade de me compreender a partir dos possíveis reconfigurados que ele mesmo suscitou.
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O adventício como o título eventual para descrever esta própria implicação: a implicação de mim mesmo no que me acontece e que para mim faz história em sua própria aventura.
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O título para a ipseidade compreendida e interpretada em seu sentido eventual: capacidade de enfrentar e de se relacionar com eventos, fazendo deles a prova insubstituível.
O Adventício como Origem da Experiência e Desqualificador do Sujeito-
O adventício como a determinação mais originária do homem: “aquele a quem algo pode acontecer se ele mesmo está implicado no que lhe acontece”.
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A implicação em o que (nos) acontece é a capacidade de experiência no sentido mais fundamental.
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A experiência que não designa uma modalidade do conhecimento teórico, mas uma prova e travessia de si a si, indissociável de uma alteração constitutiva.
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O adventício que, por ser capaz desta prova insubstituível do evento (na qual ele mesmo é alterado sem retorno), tem a possibilidade de se compreender em sua ipseidade.
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A compreensão a partir dos possíveis articulados em mundo que o evento suscitou, e, por conseguinte, de advir precisamente ele mesmo como aquele a quem o que acontece acontece.
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O adventício que não é primeiramente um “sujeito” capaz de eventos em um segundo momento.
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O pensamento do adventício que desqualifica o pensamento do sujeito e anuncia seu fim.
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O adventício que é o “sujeito” (de atribuição) do evento apenas na medida em que ele é, primeiramente e mais originariamente, aquele a quem eventos chegam.
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A capacidade de se compreender a si mesmo a partir dos eventos, ou seja, de advir a si mesmo como si mesmo através de uma experiência.
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A determinação como “sujeito” (de atribuição) que pressupõe uma determinação mais originária da sua ipseidade como capacidade de sustentar a prova do que lhe advém.
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A primeira determinação que deriva da segunda e não lhe é preordenada.
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A implicação de toda pensamento que pretende partir do sujeito para pensar o evento com o caráter necessariamente derivado de seu ponto de partida.
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O Dasein, cuja ipseidade é determinada ontologicamente e formalmente fora de toda relação com eventos, que pode não escapar a esta consequência.
A Subjetividade como Processo de Advento Eventual-
O adventício como fundamento fenomenológico do aparecimento de todo “sujeito”.
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O “sujeito” que é ele mesmo algo que advém e deve ser pensado eventualmente.
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A inversão na formulação da questão da “subjetividade” ou ipseidade:
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Não se trata mais de pensar o evento como o que sobrevém “do exterior” a um sujeito autônomo, mas, inversamente, de pensar a “subjetividade” ela mesma como o que só sobrevém a partir do evento.
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A subjetividade (destituída de seu papel de instância ontológica) que é o que só sobrevém a partir do evento.
A exigência de descrever os modos fenomenologicamente diversificados (ou “eventuais”) segundo os quais o adventício advém como ele mesmo.Os modos que não são modos de ser de um ente exemplar, mas processos de “subjetivação”.A necessidade de pensar os procedimentos de subjetivação “antes” de toda subjetividade.O retorno a aquém de todo sujeito dado, em direção à sua origem no impessoal.A implicação do adventício no que lhe acontece, e sua dotação de uma ipseidade, que só se dão a partir do evento neutro do nascimento.O evento do nascimento que transita de ponta a ponta sua aventura e só é acessível a uma fenomenologia do pré-subjectivo.A Conexão Estrutural entre Evento e Adventício-
A ligação estrutural do sentido eventual do evento com a determinação originária do adventício.
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O adventício só é aquele a quem algo aconteceu se ele é, mais originariamente, aquele a quem algo aconteceu, e está implicado no que lhe acontece.
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O evento só se destina insubstituivelmente ao adventício se ele pode compreendê-lo, compreendendo a si mesmo em sua ipseidade, a partir dos possíveis por ele abertos.
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A implicação fenomenológica necessária do adventício no que lhe acontece.
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A prova do evento como o que lhe acontece singularmente, que só ocorre se ele se singulariza a si mesmo através desta experiência.
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O tornar-se o incomparável em sua prova insubstituível do único.
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Esta implicação que se enraíza no caráter fenomenológico: o evento, no sentido eventual, não é justamente outra coisa que esta reconfiguração de meus possíveis.
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A reconfiguração que me permite compreender-me de outra maneira, deixando-me anunciar pelo evento quem eu sou.
O Adventício como Titulo para a Ipseidade em Advento-
O adventício como o título para designar a ipseidade ela mesma tal como se advém.
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O evento sempre iminente de minha própria advento a mim mesmo a partir dos eventos que me advêm e através dos quais eu me torno.
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O adventício como título para o homem na medida em que este é constitutivamente aberto a eventos.
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A humanidade como a “capacidade” de fazer a prova insubstituível do que nos acontece.
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A humanidade do homem que significa a abertura a eventos que lhe permite compreendê-los e compreender-se a si mesmo a partir deles: como adventício.
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Sua a-ventura (abertura) que significa, rigorosamente, a abertura ao que lhe advém.
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A a-ventura, no sentido transitivo e verbal (eventual), que significa o evento de meu próprio advento a mim mesmo.
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O advento que está constantemente em iminência, ou seja, que é rigorosamente tempo.
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A abertura da aventura humana que é a temporalidade.
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O adventício que nunca é um terminus a quo (termo de onde), mas um terminus ad quem (termo para onde).
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O adventício que só “é” o evento sempre já advindo e ainda em sobrestamento de sua própria aventura.
A Hermenêutica Eventual como Hermenêutica da Temporalidade
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A Questão Diretora e os Eventuais
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A elucidação fenomenológica da aventura humana que não pode mais se orientar pela questão ontológica ou ousiológica: “o que é…?”.
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O que é pesquisado: nem essências, nem existenciais, mas modalidades da aventura (ou eventuais), ou seja, maneiras de o adventício se advir.
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A questão diretora para a interpretação: “o que advém disto…?”, ou ainda: “como (o adventício) se advém?”.
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A implicação de uma verdadeira “gramática das questões filosóficas” que prescreve a orientação de todo projeto hermenêutico.
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O adventício que “é” apenas o que se revela, advém ou sobrevém a partir de eventos.
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O adventício que “é” apenas o processo continuamente iminente de sua própria “subjetivação”.
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Os “eventuais” que são os modos fenomenologicamente diversificados segundo os quais a subjetivação se opera.
A Temporalidade Intrínseca e o Futuro da Análise-
Os processos de subjetivação que são, desde o início, temporais.
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O advir a si mesmo que é abrir-se ao tempo e abrir o tempo como tal.
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O tempo que não é algo “adicionado” ao evento, mas o evento que só pode sobreviver temporalmente: ele “é” intrinsecamente tempo.
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A aventura humana que é o evento constantemente em sobrestamento de meu próprio advento a mim mesmo e que se declina temporalmente.
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O tempo que forma, desde o começo, sua intriga essencial.
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A questão dos procedimentos pelos quais o adventício se advém que se abrirá, em um segundo momento, para a questão do sentido fenomenológico do tempo ele mesmo.
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A tarefa futura: apreender o sentido eventual do tempo ele mesmo, libertando o fenômeno temporal dos quadros formais da compreensão metafísica.
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A referência ao segundo aspecto deste estudo: O Evento e o Tempo.
ROMANO, Claude. L’événement et le monde. Paris: PUF, 1998.
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