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Explicar e Compreender
RICOEUR. Du texte à l’action. Paris: Seuil, 1986.
Explicar e compreender
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O debate entre explicar e compreender é simultaneamente epistemológico e ontológico, pois começa como análise dos modos de pensar e falar sobre as coisas e termina por interrogar a própria diferença entre a ordem natural dos fatos submetidos a leis e a ordem dos signos, instituições e obras do espírito.
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A dicotomia que atribui compreensão e explicação a campos epistemológicos distintos e a modos de ser irredutíveis deve ser posta em questão.
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A homologia entre teoria do texto, teoria da ação e teoria da história permite substituir a alternativa rígida entre explicar e compreender por uma dialética na qual ambos se tornam momentos relativos de um processo complexo chamado interpretação.
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A filosofia deve subordinar a própria ideia de método a uma concepção mais fundamental da relação de verdade com as coisas e os seres, sem depender da defesa de uma cisão metodológica entre ciências da natureza e ciências humanas.
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A revisão epistemológica do debate exige partir da teoria do Verstehen, na qual já se encontram as razões internas que conduzem à superação da oposição puramente dicotômica entre explicar e compreender.
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Em Dilthey, a compreensão não se opõe ao espírito científico, mas busca alcançar uma respeitabilidade científica própria, exigindo que os signos fixados pela escrita e pelas inscrições da vida humana permitam a objetivação de um saber organizado, estável e coerente.
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As dificuldades internas da teoria do Verstehen introduzem a reformulação da relação entre explicação e compreensão nos três lugares principais do debate contemporâneo: teoria do texto, teoria da ação e teoria da história.
I. Teoria do texto
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A teoria do texto é ponto de partida adequado porque permanece ligada ao problema dos signos em Dilthey, mas deve ser ampliada pela teoria da ação e pela teoria da história em direção a uma antropologia filosófica.
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A semiologia permite reformular radicalmente o problema metodológico, pois os procedimentos explicativos já não provêm das ciências da natureza, mas do próprio domínio dos signos linguísticos e não linguísticos.
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A constituição do modelo semiológico passa da distinção saussuriana entre língua e fala à análise sincrônica dos sistemas de diferenças, oposições e combinações, estendendo-se da fonologia ao léxico, ao relato, ao mito e a sistemas não linguísticos.
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O debate entre explicar e compreender será considerado a partir do exemplo do relato, pois nele o estruturalismo produziu resultados decisivos e nele se sugere imediatamente o paralelismo entre texto, ação e história.
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A formulação puramente dicotômica opõe a análise estrutural, que trata o texto como máquina interna sem autor, receptor ou mensagem separada da forma, à hermenêutica romântica, que entende a compreensão como comunhão entre alma do leitor e alma do autor.
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A exclusão mútua entre objetividade explicativa do texto e subjetividade apropriadora da compreensão deve ser substituída por uma concepção dialética de interpenetração entre compreender e explicar.
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A compreensão chama a explicação quando já não existe a situação dialogal em que perguntas e respostas verificam a interpretação, pois a obra escrita rompe com a intenção do autor, com o auditório originário e com a situação comum dos interlocutores.
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A explicação não destrói a compreensão intersubjetiva, mas constitui mediação exigida pelo próprio discurso, cuja exteriorização se inicia na distância entre dizer e dito, prossegue na inscrição escrita e culmina nas codificações complexas das obras.
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A explicação deve retornar à compreensão, pois a análise estrutural virtualiza o relato como sistema de códigos e precisa ser reintegrada ao ato interpretativo que vai da compreensão ingênua à compreensão sábia por meio da explicação.
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O estruturalismo permanece dentro do relato ao buscar os sinais do narrador e do leitor na própria narratividade, sem recorrer a uma psicologia do narrador ou a uma sociologia do auditório.
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A análise estrutural é motivada por uma compreensão mais abrangente que recoloca a narrativa na transmissão viva de uma comunidade cultural que se interpreta a si mesma por meio de relatos.
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A narração, em sentido operatório, abre o relato ao mundo no qual ele se desfaz e se consuma, constituindo a contrapartida da clausura conhecida pelo semiólogo.
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A passagem da explicação à compreensão não recai no psicologismo, pois aquilo que deve ser compreendido no relato não é primeiramente uma vida psicológica oculta por trás do texto, mas a coisa do texto, isto é, o mundo que a obra desdobra diante de si.
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Na teoria aristotélica da tragédia, o muthos oferece uma mimèsis criadora dos homens em ação, de modo que a lógica formal dos possíveis narrativos só se completa na função mimética pela qual o relato refaz o mundo humano da ação.
II. Teoria da ação
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A teoria da ação mostra que a teoria do texto é apenas um dos lugares da antropologia filosófica em que se instrui o debate entre explicação e compreensão, pois campos distintos chegam às mesmas aporias e à mesma necessidade de solução dialética.
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Sob influência de Wittgenstein e Austin, a teoria anglo-saxônica da ação reproduziu a dicotomia entre explicar e compreender por meio da distinção entre jogos de linguagem relativos a eventos naturais e jogos de linguagem relativos a ações humanas.
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A batalha conceitual concentrou-se no uso de “causa”, pois a causalidade humiana supõe independência lógica entre causa e efeito, enquanto intenção, motivo e ação mantêm uma implicação lógica que pertence ao campo das razões.
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A posição do agente em sua ação também torna problemática a causalidade humiana, pois o agente não é causa de seus atos como antecedente constante, embora possa ser pensado como causa em sentido não humiano e próximo da causalidade aristotélica.
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A dicotomia entre jogos de linguagem heterogêneos torna-se insustentável porque pacifica o problema ao preço de volatilizá-lo, reduzindo a filosofia à preservação de diferenças sem articulação do saber.
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A relação entre motivo e causa não corresponde a dois jogos de linguagem sem interferência, mas a uma escala entre causalidade sem motivação e motivação sem causalidade, na qual os fenômenos humanos se situam em uma zona intermediária.
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A ordem propriamente humana consiste em comparar motivos mais ou menos racionais, submetê-los a preferências e integrá-los ao raciocínio prático, pois o desejo é simultaneamente força que move e razão de agir.
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A oposição entre causa explicável e motivo compreensível é abstrata, pois a realidade humana combina causalidade e motivação no corpo, que é ao mesmo tempo coisa entre coisas e modo de existir de um ser capaz de reflexão e justificação.
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A inserção da ação no mundo exige perguntar como um projeto pode produzir mudança, qual deve ser a natureza do mundo para receber intervenções humanas e qual deve ser a natureza da ação para ser lida como transformação do mundo.
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Von Wright reformula as condições da explicação e da compreensão por meio da noção de intervenção intencional no mundo.
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A teoria dos sistemas de von Wright concebe sistemas parciais fechados, com estado inicial, fases e estado terminal, recusando o determinismo universal e admitindo encadeamentos que abrem alternativas em cada fase.
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A ação humana se situa em relação ao sistema fechado porque isolar um sistema implica colocá-lo em movimento, produzir seu estado inicial e exercer um poder de intervenção no curso das coisas.
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A noção de ação de base revela que certos atos são conhecidos por um saber sem observação, pois se sabe poder mover a mão ou abrir uma janela, e esse poder permite produzir acontecimentos como estados iniciais de um sistema.
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A interseção entre teoria dos sistemas e teoria da ação mostra que o saber-fazer é necessário para identificar estados iniciais, isolar sistemas e definir condições de fechamento, enquanto a ação programada exige concatenação de sistemas como fragmentos da história do mundo.
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A noção de intervenção elimina definitivamente a dicotomia entre explicar e compreender, pois o curso das coisas e a ação humana se encontram imbricados na intervenção intencional.
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A intervenção põe fim à oposição entre uma ordem mentalista da compreensão e uma ordem fisicalista da explicação, pois agir é fazer algo para que outra coisa aconteça no mundo, mediante poder reconhecível entre as capacidades humanas.
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A análise da intervenção mostra que o determinismo universal é ilusão produzida pela extrapolação indevida de conexões causais parciais para a totalidade das coisas, abstraindo a condição ativa de fechamento dos sistemas.
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A teoria do texto e a teoria da ação convergem independentemente nas mesmas aporias e na mesma exigência de uma solução dialética.
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A convergência entre texto e ação não é fortuita, pois a ação humana pode ser tomada como quase-texto e o texto pode ter a ação como referente.
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A ação humana assemelha-se ao texto porque se exterioriza, se desprende de seu agente, ganha autonomia, deixa traços, torna-se arquivo e documento, reinscreve seu sentido em novos contextos e se abre a leitores futuros.
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A teoria da ação dá lugar à mesma dialética entre compreensão e explicação encontrada na teoria do texto.
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O retorno da ação ao texto reforça a legitimidade da transferência conceitual, pois certos textos, sobretudo os relatos, têm a ação como referente e a redescrevem mediante a mimèsis criadora indicada por Aristóteles.
III. Teoria da história
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As correlações entre teoria do texto e teoria da ação são reforçadas pela teoria da história, na qual a dialética entre explicar e compreender também se deixa apreender.
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A história dos historiadores suscita os mesmos problemas porque a historiografia é uma espécie de relato verdadeiro e, ao mesmo tempo, se refere às ações humanas no passado.
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A afinidade dupla da história com a teoria do relato e com a teoria da ação justifica sua consideração final, pois nela se acumulam traços de ambas.
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Na teoria da história, também se passa de dois campos inicialmente opostos a uma oposição mais nuançada e dialética, resultante do fracasso das posições unilaterais.
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Do lado da compreensão, a tradição antipositivista destaca que a história trata de ações humanas regidas por intenções, projetos e motivos, exigindo intropatia, e que a compreensão histórica implica a subjetividade do historiador.
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A posição do Verstehen em história não difere essencialmente daquela encontrada na teoria do texto e na teoria da ação, devido ao parentesco entre esses campos.
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As ambiguidades de uma teoria pura do Verstehen reaparecem na história quando se tenta introduzir o momento crítico e explicativo em uma relação concebida como transferência imediata para uma vida psíquica estrangeira.
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A tentativa de partir do polo da explicação conduz ao modelo naturalista da escola analítica, especialmente em Carl Hempel, para quem a explicação histórica segue o mesmo esquema dedutivo das ciências naturais.
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Segundo Hempel, a explicação histórica deduz eventos da conjunção entre condições iniciais singulares e leis gerais, e a fraqueza científica da história deriva da fragilidade das leis gerais que ela invoca de modo explícito ou tácito.
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O modelo hempeliano encontra dificuldades inversas às do Verstehen, pois impõe à história um ideal epistemológico externo e reconhece que a prática histórica raramente passa de uma esquisse explicativa.
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A prática efetiva da história mostra que suas explicações são orientadas por perguntas, interesses, circunstâncias, linguagem comum e generalizações flexíveis, exigindo uma nova articulação dialética entre compreensão e explicação.
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A compreensão histórica envolve a competência de seguir uma história narrada, na qual contar e acompanhar uma narrativa formam um jogo de linguagem primitivo.
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Seguir uma história é compreender uma sucessão de ações, pensamentos e sentimentos dotada de direção e surpresa, cuja conclusão não é dedutível nem previsível, mas deve tornar-se aceitável.
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A compreensão narrativa de base orienta o interesse do leitor para a configuração singular da história, mediante antecipações continuamente corrigidas até coincidirem com seu desfecho.
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A teoria narrativa da compreensão supera a intropatia imediata porque permite ver a explicação como prolongamento natural da competência de seguir um relato quando a compreensão espontânea encontra lacunas.
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A explicação histórica por leis gerais não é negada, mas sua função é recolocada: ela permite seguir novamente a história quando a compreensão espontânea se bloqueia, interpolando uma lei no relato para relançar sua compreensão.
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Em história, compreensão e explicação alternam-se de modo análogo ao que ocorre na teoria do texto e na teoria da ação, pois a história combina relato verdadeiro e ações humanas passadas.
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No plano epistemológico, não há dois métodos separados, pois apenas a explicação é propriamente metódica, enquanto a compreensão constitui o momento não metódico que precede, acompanha, encerra e envolve a explicação nas ciências da interpretação.
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A relação entre ciências humanas e ciências da natureza não é nem dualista nem monista, pois há continuidade pelos procedimentos explicativos e descontinuidade pela especificidade da compreensão dos signos, motivos, intenções e narrativas.
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A reflexão epistemológica conduz a uma reflexão ontológica, pois a compreensão indica uma pertença originária do ser humano ao ser, anterior à objetivação e à oposição entre sujeito e objeto.
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A filosofia deve pensar simultaneamente a pertença originária e o movimento de distanciamento que exige objetivação científica, explicação metódica e a convocação recíproca entre explicar e compreender.
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