estudos:ldmh:dignidade
Dignidade
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Dignidade concerne ou convém à aquilo que cada vez se mantém à par de seu ser próprio. Sempre que aquilo de que se trata, mantendo-se à altura do ser, está à altura (de seu ser), há dignidade.
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Assim ocorre com a dignidade do homem: entre todos os entes, somente o homem tem a dignidade de ser ek-sistente, o privilégio de ser, por assim dizer, chamado, interpelado pelo ser, sendo o ser sua vocação particular, aquilo que lhe convém, aquilo que lhe é expressamente enviado e destinado, em uma palavra, seu destino próprio.
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Somente o homem, como ek-sistência, tem um destino; eis sua eminência e sua dignidade, desde que saibamos reconhecer a dignidade de pastor do ser que lhe é própria.
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Assim ocorre igualmente com a dignidade do ser, a qual aparece desde que saibamos ser atentos à dimensão da verdade do ser e ao modo como ela reina sobre nosso ser, ao passo que o ser mostra precisar do homem – o em que aparece ainda a dignidade tanto do ser quanto do homem.
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Face a isso, as mais elevadas determinações humanistas do homem ainda não fazem a prova da verdadeira dignidade do ser do homem, afirma Heidegger na Carta sobre o Humanismo [GA9]; o humanismo tradicional é totalmente insuficiente por nunca fazer a prova dessa dignidade através daquilo que só a torna acessível: o questionamento do pensamento que, enquanto pensamento do ser, nomeia este em sua dignidade de questão.
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Ao passar, aqui como em toda parte com Heidegger, transparece uma outra compreensão da moral, pois a dignidade nada tem a ver com qualquer juízo sobre o valor daquilo que está em questão.
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É por isso que Heidegger pode reconhecer também à técnica sua dignidade, mais precisamente a dignidade do ser da técnica.
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Como? Ao não considerar, preguiçosamente, a técnica como um instrumento, definição pela qual ela é depreciada em seu ser, mas antes no plano que deve ser o seu, o do ser, e no horizonte da história do ser, portanto como aquilo que não vem de nós, mas do ser.
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Quando nos abrimos propriamente ao ser da técnica, encontramo-nos tomados, de modo inesperado, por um apelo libertador, não havendo, efetivamente, nenhuma tecnofobia em Heidegger, desde que se ouça enfim o que ele não cessa de repetir: o ser da técnica nada tem de técnico no sentido da tecnologia; o próprio perigo, do qual a técnica sem dúvida participa, só é perceptível, assim como aquilo que salva, a partir do momento em que é reconhecida a dignidade da técnica.
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Considerar a técnica então como um desvelamento, mas tão singular no meio do perigo que se oculta na era técnica mais do que nele se mostra, que ela é uma possibilidade inédita de nos colocar em contato com o destino.
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A esse título, a dignidade é verdadeiramente libertadora, pois só há verdadeira libertação (a si) no plano do ser.
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