estudos:franck:espaco-ser-com-1986
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O espaço e o ser-com (1986)
1. Determinação existencial da espacialidade do Dasein e preparação do problema
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A atribuição da espacialidade ao Dasein exige que o ser-no-espaço seja concebido a partir do modo de ser desse ente, de tal maneira que a espacialidade não seja tomada como um predicado externo ou como um recipiente neutro no qual o Dasein viria a situar-se.
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A exclusão antecipada de qualquer incompatibilidade ontológica entre Dasein e espaço implica que o espaço, tal como interrogado a partir do ser-no-mundo, é submetido ao horizonte da existência e, correlativamente, à temporalidade.
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A hermenêutica da espacialidade é apresentada como preparando necessariamente a exibição de um sentido temporal, de modo que o percurso interpretativo parece encaminhar-se para uma derivação do espaço a partir do tempo.
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As dificuldades que emergem dessa preparação são indicadas como filosoficamente fecundas, pois elas permitem discernir a irredutibilidade do espaço ao tempo e, por consequência, motivar a interrupção de Sein und Zeit enquanto projeto.
A espacialidade do Dasein, sendo compreendida em função da existência, é diferenciada da espacialidade de um ente simplesmente diante-da-mão que ocupa uma posição no espaço das ciências naturais.-
Essa espacialidade também é diferenciada da espacialidade de um ente à-mão colocado numa região, pois a determinação regional dos utensílios não esgota o modo de ser espacial próprio do Dasein.
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A espacialidade existencial não coincide com a espacialidade dos entes oferecidos no mundo, uma vez que o Dasein não está no mundo como um ente contido em outro ente.
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A recordação de que o Dasein é no mundo no sentido do comércio familiar e preocupado com o ente intramundano reconduz o problema ao sentido originário de in, apontando para a necessidade de pensar um estar-em que não é inclusão física.
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A noção de permanecer ou demorar no mundo fundamenta a espacialidade no ser-à-demeura, que não pode ser pensado como inserção de um ente diante-da-mão numa natureza de mesmo modo de ser.
2. Constituição da espacialidade do ser-no-mundo por des-distanciamento e orientação
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A espacialidade do ser-no-mundo é dita constituída por des-distanciamento e orientação, estabelecendo-se, assim, duas estruturas fundamentais cuja análise deve explicitar como o espaço emerge do modo de ser do Dasein.
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O des-distanciamento é definido em sentido ativo e transitivo, de forma que não designa primariamente uma distância entre pontos, mas uma constituição de ser do Dasein.
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Afastar algo colocando-o de lado é apenas um modo determinado e factício do des-distanciamento, e não sua essência.
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Des-distanciar significa abolir o longínquo, isto é, abolir o ser-afastado de algo mediante aproximação.
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A determinação de que o Dasein é essencialmente des-distanciante afirma que, no modo de ser que lhe é próprio, o Dasein deixa o ente vir ao encontro na proximidade.
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A grandeza métrica da distância é declarada não essencial para esse vir-ao-encontro, insinuando que proximidade e presença operam num registro distinto do cálculo espacial.
O des-distanciamento é dito descobrir o ser-afastado, de modo que o longínquo é compreendido como algo que se dá fenomenicamente apenas na abertura instaurada pelo próprio des-distanciamento.A dissociação do termo Entfernung, normalmente significando distância e afastamento entre, é assumida como uma violência necessária à língua, requerida pelo fenômeno.-
Essa violência linguística é apresentada como índice de que a fenomenalidade em questão não se deixa dizer adequadamente no uso habitual do vocábulo, exigindo uma torção que preserve o conteúdo existencial.
A descrição cotidiana do des-distanciamento identifica-o como aproximação circunspectiva, aporte à proximidade enquanto prover, dispor e ter à mão.-
O des-distanciamento é primeiramente interpretado como gesto de manuseio e disponibilidade, isto é, como tornar algo acessível ao campo prático da pre-ocupação.
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Modos da descoberta puramente cognoscente também são caracterizados como possuindo o traço de aproximação, o que amplia o des-distanciamento para além do manuseio direto.
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A afirmação de uma tendência essencial do Dasein à proximidade introduz a passagem de um sentido de proximidade a outro.
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Num primeiro sentido, o próximo é relativo à mão e coincide com o campo de manobra, sem implicar que se trate de uma modalidade da presença.
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A referência à carne indica uma proximidade que se encarna sem ser nem tempo, e que, justamente por isso, resiste à inscrição direta na temporalidade.
Num segundo movimento, busca-se apagar, mais do que reduzir, a referência manual-carnal, a fim de atribuir à proximidade regulada pela pre-ocupação um sentido temporal de apresentação.-
Para isso, ao sustentar que o acesso teórico ao ente também pode ser aproximante, separa-se a proximidade do que está à mão.
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Essa separação ocorre ao preço de uma desmundanização, pois toda cognição, orientada ontologicamente para o diante-da-mão, tende a desarticular o contexto mundano de significações.
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A proximidade, ao tornar-se desencarnada, torna-se simultaneamente desmundanizada no ponto em que se pretende construir a espacialidade do ser-no-mundo, o que instala uma tensão interna na interpretação.
3. Proximidade, presente e a temporalização do des-distanciamento
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O vínculo entre proximidade e presente é dito aparecer mais claramente no curso sobre os Prolegômenos à história do conceito de tempo do que em Sein und Zeit, onde a interpretação temporal repete na segunda seção as análises existenciais da primeira.
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A proximidade pode ser determinada negativamente como não-muito-longe, e essa determinação é enunciada a partir do horizonte da pre-ocupação cotidiana.
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O não-muito é interpretado como imediatamente, no sentido do que está logo disponível a cada agora, do que é constantemente apresentável sem perda de tempo.
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A proximidade é então reconduzida a um des-distanciamento notável, definido como o que se torna disponível numa temporalidade determinada.
A participação contemporânea em modos de aceleração da velocidade é interpretada como instaurando uma loucura da proximidade, explicitamente sem juízo de valor.-
Essa loucura é fundamentada no próprio Dasein, sendo identificada como diminuição do tempo perdido.
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A diminuição do tempo perdido é pensada como fuga do tempo diante de si mesmo, modo de ser que apenas algo como o tempo pode ter.
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A fuga diante de si não foge para um alhures, mas constitui uma possibilidade do próprio tempo, a saber, o presente.
Des-distanciar, aproximar, é, portanto, apresentar, e a espacialidade do Dasein é reconduzida à apresentação como modo impróprio da ekstase do presente.-
Se a apresentação é o modo impróprio do presente que se temporaliza propriamente como instante, e se a queda se funda primariamente no apresentar, então o ser-no-mundo des-distanciante é declarado sempre decaído.
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A tese de que a espacialidade do Dasein só é possível como apresentação implica a inexistência de uma espacialidade própria.
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A região, enquanto tal, não pode receber estatuto de espacialidade própria, pois ela é considerada rigorosamente inconcebível na analítica existencial.
A loucura da proximidade é sintetizada como o turbilhão da queda, estabelecendo-se uma equivalência interna entre proximidade, apresentação e decadência.A independência ontológica do espaço, por sua vez, invalida a explicitação do des-distanciamento e subtrai o Dasein, enquanto espacial, à decisão entre queda e resolução, próprio e impróprio, pensamento do ser e obsessão do ente.-
Diante disso, interroga-se se ainda é possível compreender a espacialidade como um existencial.
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Questiona-se se o Dasein cuja espacialidade não é temporalizável pode conservar seu nome, e se o problema do espaço não marca a fronteira de uma ontologia fundamental que toma o Dasein como fio condutor, tal como pressentido no limiar do parágrafo 70.
4. Retomada do des-distanciamento e crítica da origem geométrica da distância
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A radicalidade das questões anteriores não autoriza a interrupção do exame do des-distanciamento, pois, mesmo admitindo que o espaço não é um modo de temporalização, ainda não se elucidaram suficientemente as razões dessa não-derivabilidade.
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Interroga-se se o des-distanciamento não pressupõe uma determinação da distância que separa o Dasein do utensílio e, por conseguinte, um espaço geométrico solidário de uma ontologia a ser destruída.
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A dificuldade já emergia na pergunta sobre a proveniência dos longínquos que são des-distanciados, sinalizando para um espaço anterior ao da pre-ocupação.
Pergunta-se se o cálculo das distâncias é realmente a origem das avaliações cotidianas do Dasein, e se um conceito existencial do ser-afastado pode libertar a espacialidade do ser-no-mundo de toda relação com a extensio categorial.-
Nega-se que a apreciação do afastamento seja medida aplicada de uma distância, pois o ser-afastado não é, antes de tudo, apreendido como distância.
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Se longínquos devem ser estimados, isso ocorre relativamente aos des-distanciamentos nos quais o Dasein cotidiano se mantém, não segundo um espaço previamente mensurável.
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Do ponto de vista do cálculo, tais estimativas podem ser flutuantes e imprecisas, mas possuem determinidade própria compreensível no uso corrente.
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Exemplos como ser uma caminhada, ser só um pulo, durar o tempo de fumar um cachimbo, mostram uma medida prática cujo critério é a situação e o sentido vivido do trajeto.
Essas aproximações não têm exatidão, e os afastamentos dependem do afazer de um ser-no-mundo para o qual o comprimento de um caminho pode variar com o humor.-
Contudo, embora não remeta ao espaço físico-matemático, o afastamento não é incommensurável, pois a longinquidão é apreendida segundo a duração.
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Assim, des-distanciar é apresentar e, além disso, o afastamento conta-se na escala do tempo.
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O curso de 1925 é dito acentuar o que Sein und Zeit atenua: um caminho objetivamente mais longo pode ser mais curto do que outro objetivamente mais curto que parece infinitamente longo.
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A diversidade dessa duração funda-se na pre-ocupação e no que foi tomado como preocupação, e o tempo que se é, conforme o modo de sê-lo, dá uma duração diferente.
5. Des-distanciamento e distância: existencial e categoria, e a aporia do ser-com
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A discriminação rigorosa entre des-distanciamento e distância é declarada essencial à hermenêutica da espacialidade, estabelecendo-se que o des-distanciamento é existencial e a distância é categoria.
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Entes intramundanos são afastados uns dos outros e do Dasein, enquanto corpos extensos são apenas distantes do sujeito que os contempla.
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Formula-se, assim, que a distância é um des-distanciamento deficiente, reforçando a hierarquia ontológica entre o existencial e o categorial.
Há, entretanto, um caso em que essa partilha parece invalidada: o ser-com cotidiano caracteriza-se por cuidado de distância, por distanciamento.-
A distância mantida não pode ter significação categorial, pois o Dasein de outrem não tem o modo de ser de um ente diante-da-mão ou à-mão, e o ser-com é um existencial pertencente a um Dasein sempre meu.
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Enquanto regime ordinário do ser-com, essa distância não é o intervalo entre coisas desmundanizadas, nem o des-distanciamento pelo qual o Dasein aproxima e torna presentes utensílios.
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A ausência de um contraste expresso entre distância métrica e distância social é apontada como singular, pois tal contraste poderia prevenir confusões e uma interpretação categorial do ser-com cotidiano, que em aparência se aproxima ontologicamente do puro diante-da-mão do qual difere fundamentalmente.
A equivocidade da distância, sendo também uma modalidade da queda, suscita problemas aos quais Sein und Zeit não responde, por não os ter formulado.-
Pergunta-se o que é a distância se ela é ao mesmo tempo um existencial e uma categoria, isto é, em sentido estrito, nem um nem outro.
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Interroga-se como discernir a distância medida da distância guardada, retomando-se uma aporia análoga àquela que surgia com a introdução de uma dispersão transcendente neutra, ao lado da dispersão factícia no impessoal.
Se o outro Dasein é encontrado a partir do mundo e da temporalidade, e se a distância é uma estrutura do ser-com decaído, questiona-se se a irredutibilidade do espaço não proíbe todo ser-com-próprio e não mantém o ser-com na queda.-
Considera-se a alternativa de que essa distância, cujo sentido ontológico-temporal permanece indefinível, e o ser-com em geral, não se deixem derivar do tempo, assim como o espaço.
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A legitimidade da questão é reforçada pelo fato de que o ser-com é um existencial maior cuja temporalidade nunca é desvelada.
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Sugere-se, então, buscar os motivos do fracasso do parágrafo 70 numa espacialidade na qual um ser-com atemporal seria constitutivo.
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Introduz-se, por fim, a hipótese de que um tal ser-com é requerido pela carne vivente sexuada que se encarna sem ser nem tempo.
6. Exclusão heideggeriana da referência carnal e determinação do aqui como junto-de
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A objeção é formulada: Heidegger teria precisamente isentado o des-distanciamento de qualquer implicação carnal.
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Quando o Dasein preocupado aproxima algo de si, isso não significa fixá-lo numa posição do espaço à menor distância de um ponto do corpo.
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Proximidade significa estar no círculo do ente primeiramente à-mão para a circunspecção, de modo que a aproximação não se orienta pelo ego-coisa dotado de corpo, mas pelo ser-no-mundo preocupado e pelo que aí se encontra primeiro e sempre.
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Por consequência, a espacialidade do Dasein não se determina pela indicação da posição na qual uma coisa corpórea está diante-da-mão.
O aqui é redefinido: não é o ponto indiferente do espaço ocupado pelo corpo, mas o junto-de-que de um ser-junto-de des-distanciante, unido ao próprio des-distanciamento.-
O contraste com concepções de proximidade e aqui recusadas pela analítica existencial é aproximado de Husserl, especificamente das Ideias II.
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A recepção de Husserl é situada no contexto de uma crítica da fenomenologia transcendental e de um percurso que conduz a Sein und Zeit como solução de impasses.
Husserl define o aqui no quadro de uma análise constitutiva da carne enquanto coisa material, articulando orientação e distância a partir do ego perceptivo.-
A carne porta o ponto-zero de todas as orientações, um aqui central último que não tem outro aqui fora de si em relação ao qual pudesse ser lá.
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Expressões como longe e à direita são referidas à carne, por exemplo à mão direita, estruturando o espaço a partir do corpo próprio.
Apesar de, em Husserl e em Heidegger, longe equivaler sempre a longe de mim, o eu é pensado de modo diferente em cada caso.-
O aqui carnal husserliano vincula-se a uma subjetividade intencional, enquanto o aqui como espaço de jogo da pre-ocupação vincula-se ao Dasein.
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A partir do ser ekstatico do Dasein, Heidegger exclui qualquer referência da proximidade a um corpo central encapsulado sobre si, como seria o ego.
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Esse sentido ekstatico-temporal autoriza e exige a forclusão da espacialidade carnal enquanto a carne for mal interpretada como corpo diante-da-mão e enquanto se supuser que a espacialidade é pensável temporalmente.
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Quando a espacialidade revela não o ser, a carne pode tornar-se espacializante, desde que não seja por essência encapsulada sobre si mesma.
7. Carne, sentimento e encarnação como passagem e travessia
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O sentimento é retomado como modo de encarnação e como modo fundamental de exterioridade a si, o que seria impossível se a carne fosse corpo encapsulado.
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Uma passagem das lições sobre A vontade de potência enquanto conhecimento é mobilizada para afirmar que a vida só vive encarnando-se, e que, apesar do acúmulo de saberes sobre o corpo-carne, faltaria uma meditação séria sobre o encarnar.
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Encarnação é mais e outra coisa do que portar uma carne consigo, pois nomeia aquilo a partir do qual o que aparece na carne de um vivente recebe seu caráter de processo.
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Ainda que o termo encarnar seja dito obscuro, ele nomeia algo a ser constantemente experimentado na compreensão do vivente e retido na meditação.
O encarnar do viver não é algo isolado e encapsulado no corpo, e a carne é simultaneamente passagem e travessia.-
Através da carne afluiria um fluxo de vida do qual se sente apenas uma parte mínima e fugidia, segundo a receptividade de cada estado carnal.
Esse texto é condensado em teses enumeradas que articulam os temas desenvolvidos.-
Primeira tese: a carne não é encapsulada e pode ser espacializante, embora isso não determine ainda que ela o seja nem como.
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Segunda tese: carne e vida são fenomenologicamente inseparáveis, e se uma se excetua da temporalidade, a outra não pode ser submetida a ela.
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Terceira tese: se a carne não é corpórea, mobilidade e espaço carnais não são os do corpo.
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Quarta tese: sendo passagem e travessia, a carne não pode dar-se de frente, em face, ao encontro.
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Acrescenta-se que a coorte das sensações é o mais próximo, tão próximo que nem sequer está ao lado, mas é o que se é, enquanto ser carnal.
Quinta tese: dizer que a carne é o mais próximo e que essa proximidade significa assimilação ao ser repete o que é dito do Dasein no início da analítica existencial.-
Como se é encarnado, a carne é tão originariamente minha quanto o Dasein; contudo, diferentemente dele e como modalidade do ser-com, ela é também originariamente tua ou sua, outra, tanto quanto minha.
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Em virtude disso, o espaço carnal deverá ser constituído pelo ser-com, caso esse título possa designar uma relação inconcebível à medida da existência.
8. Indícios linguísticos do vínculo entre ser-com e espacialidade e crítica da substituição pelo utensílio
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Busca-se confirmação do vínculo entre ser-com e espacialidade por meio de uma observação linguística associada a W. von Humboldt: certas línguas exprimem o eu por aqui, o tu por aí, o ele por lá, isto é, pronomes pessoais por advérbios de lugar.
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Heidegger observa que o problema tradicional sobre a primariedade adverbial ou pronominal dessas expressões perde fundamento quando o eu referido é pensado como Dasein.
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Aqui, aí e lá não podem indicar posições de um ente diante-da-mão e devem ser compreendidos sem recorrer a categorias gramaticais.
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A significação existencial propriamente espacial dessas expressões testemunha que a explicitação não recoberta por teoria vê imediatamente o Dasein em seu ser espacial des-distanciante-orientante junto ao mundo de que se ocupa.
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No aqui, o Dasein absorvido por seu mundo não se dirige a si, mas se desvia de si para o lá de um ente circunspectivamente à-mão, e, contudo, visa a si em sua espacialidade existencial.
Essa elucidação implica que a espacialidade pertença à existência e seja um modo de temporalização, o que a torna incapaz de resistir à enfermidade do parágrafo 70.Apesar disso, considera-se mais decisivo que, se Heidegger pode recusar a explicação gramatical-categorial de Humboldt, sua própria interpretação altera profundamente a verdade do fenômeno.-
Exprimir eu por aqui, tu por aí, ele por lá é compreender o espaço em função de outrem.
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Antes de toda teoria e antes mesmo da ontologia da existência, o Dasein apreende as relações entre aqui, aí e lá como relações entre eu, tu e ele, revelando o espaço a partir do próximo e não do utensílio.
Ao substituir o próximo pelo utensílio, Heidegger modifica o fenômeno e oculta a espacialidade do ser-com pela espacialidade da pre-ocupação, cujo sentido é temporal.O fato de a analítica existencial deixar transparecer um espaço diferentemente constituído não autoriza concluir que ele seja carnal nem que seja prévio ao do ser-no-mundo, condições requeridas para sua atemporalidade.-
Por isso, anuncia-se que o exame da orientação, segunda estrutura da espacialidade, deverá estabelecer a precedência do espaço manual sobre o do ente à-mão, sob pena de a tentativa apresentada revelar-se insustentável.
estudos/franck/espaco-ser-com-1986.txt · Last modified: by mccastro
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