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Do Homem e do "Cogito Sum" ao Dasein

Deely1971

O projeto heideggeriano exige a formalização da experiência básica do esquecimento do Ser em um status quaestionis adequado à pesquisa sobre seu sentido. Para tal, três insights foram decisivos, embora inicialmente insuficientes.

  • Os três insights decisivos para a formulação da questão do Ser
    • O primeiro insight foi o encontro pessoal com Husserl, que proporcionou o primeiro contato com a Fenomenologia.
    • O segundo insight derivou de um estudo renovado dos textos aristotélicos.
      • Consistiu na interpretação do conceito grego de verdade original como um processo de desvelamento.
      • A verdade foi caracterizada como não-ocultação, à qual pertence toda auto-manifestação dos entes.
    • O terceiro insight foi o reconhecimento do traço fundamental da ousia, o Ser dos entes, como Presença.
      • A questão inquietante do Ser como Presença desenvolveu-se na questão do Ser em termos de seu caráter temporal.
      • No apresentar-se move-se, não pensado e oculto, o tempo presente e a duração – numa palavra, o Tempo.
      • O Ser como tal é desvelado devido ao Tempo, que assim aponta para a verdade do Ser.
      • Este Tempo a ser pensado não é experimentado na carreira cambiante dos entes; tem natureza totalmente diversa, não captada pelo conceito metafísico de tempo.
      • O Tempo torna-se o primeiro nome, ainda a ser considerado, da verdade do Ser ainda a ser experienciada.
  • A unificação dos insights pelo princípio fenomenológico
    • Antes que esses insights se tornassem suficientes para a formalização inicial da questão do Ser, foi necessário que se unificassem na compreensão do princípio da pesquisa fenomenológica: “às coisas mesmas”.
    • Heidegger eventualmente rompeu com Husserl e se distanciou do movimento fenomenológico geral.
      • Esta dissociação foi exigida por uma adesão mais fiel ao princípio da Fenomenologia, tal como ele a compreende.
    • É crucial perceber que Heidegger nunca abandonou a atitude fenomenológica que busca apenas deixar o fenômeno manifestar-se.
      • Sua concepção do Ser no período tardio é tão rigorosamente fenomenológica quanto em Ser e Tempo.
      • Tudo o que é dito sobre o Ser é dito em termos do processo de aletheia que deixa os entes serem desvelados ao Dasein.
  • O Dasein como estrutura fenomênica e a orientação da problemática
    • Esta atitude determina inteiramente a orientação da problemática heideggeriana original em relação à questão do Ser.
    • Ela torna possível a concepção inicial do homem em termos de Ser-aí, Dasein.
    • Por estar assegurado em princípio pelo método fenomenológico, o Dasein é uma estrutura fenomênica.
      • A designação precisa deste termo só será trazida à frente quando determinarmos a natureza única da pesquisa fenomenológica.
    • O homem é o Aí através de cujo Ser a irrupção manifestiva entre os entes acontece, mas somente com base em sua compreensão pré-ontológica do Ser.
      • Isto significa que, ao colocar a questão do Ser das coisas, Heidegger está preocupado apenas com o processo pelo qual os entes são iluminados e se revelam como o que são para e perante o homem.
      • A questão sobre como os entes são antes do Dasein descobri-los não pode ser feita sem abandonar a atitude fenomenológica heideggeriana.
  • O Ser como processo de iluminação e a analogia da luz no nevoeiro
    • O Ser é o processo de iluminação pelo qual os entes são “iluminados”.
    • Sejam esses entes sujeitos ou objetos, a luz mesma não é nem um nem outro, mas está “entre” ambos, como possibilidade para o encontro.
    • O Dasein é luminosidade, mas esta luminosidade supõe outra que a luz ilumina ao mesmo tempo que a si mesma.
    • Nenhuma revelação pode ser luz para si mesma sozinha.
    • Uma analogia pode ilustrar isso: imagine um poste de luz lançando seu brilho num nevoeiro denso.
      • A iluminação sufusa o próprio nevoeiro, iluminando-o, e revela talvez o contorno de certos edifícios.
      • O nevoeiro simboliza o Mundo; os edifícios simbolizam o que-é; o poste representa o homem; o Ser é o próprio iluminar, a própria sufusão-que-desvela; o círculo de iluminação representa o Dasein.
    • Tanto o Dasein como horizonte quanto o Ser como fundamento do desvelamento situam-se entre o homem e os entes.
      • O Dasein é transcendente, ou seja, passa além de todos os entes, além da polaridade sujeito-objeto, para o Ser dos entes.
    • Fenomenologicamente, o círculo de iluminação apresenta-se como um estado constitutivo do poste, mas não se revela como originando-se nele.
      • O que a luz é em si, ou o que o poste é em si, independentemente do processo desvelador, não é parte do problema articulado fenomenologicamente.
  • A superação da dicotomia sujeito-objeto e a prioridade do Dasein
    • Heidegger “supera” a dicotomia sujeito-objeto não por recusar-se a falar em seus termos, mas graças a uma concepção metodológica que em princípio exclui polarizações entitativas como dados primários.
    • O Ser vem à luz no Dasein, e o Dasein é sempre “meu”. Ele é anterior a qualquer campo de consciência estruturado como sujeito-objeto porque é estruturalmente anterior.
      • Se o homem só é homem com base no Dasein nele, a questão sobre o que é mais originário que o homem não pode ser, em princípio, antropológica.
    • Na abordagem fenomenologicamente estruturada ao homem, a natureza humana é transformada de tal modo que animal rationale é “deslocado” pelo Dasein.
      • O animal racional entre outros animais dá lugar ao lugar do Ser entre os entes.
    • A problemática não é subjetiva nem objetiva. Mais subjetivo que qualquer sujeito, a transcendência do Dasein para o Ser é também mais objetiva que qualquer objeto.
      • O Dasein não é um sujeito em relação a um objeto, mas é esta relação mesma, aquilo que está “entre” sujeito e objeto.
      • Este “entre” não é derivado da justaposição sujeito-objeto, mas é anterior ao surgimento desta relação, tornando-a possível.
      • O problema da transcendência não é explicar como um sujeito sai de si para contatar um objeto, mas como acontece que o Dasein como ser-no-mundo encontra outros entes e os constitui como objetos.
  • A constituição filosófica da problemática pela Fenomenologia
    • Toda a problemática torna-se filosoficamente possível como tal pela Fenomenologia.
    • A formulação filosófica da questão do Ser recuperada só se tornou possível após o significado e escopo do princípio “às coisas mesmas” tornarem-se claros em seu sentido próprio e único.
      • Esta máxima pode parecer autoevidente, expressando o princípio subjacente a qualquer conhecimento científico.
      • Contudo, o tipo de “autoevidência” em jogo no sentido fenomenológico de “as coisas mesmas” permaneceu irrealizado para o próprio Husserl e não se tornou geralmente claro.
      • Trata-se aqui de uma questão decisiva: é preciso tornar transparente a plena importância fenomenológica de “as coisas mesmas” como fator essencial na recuperação da problemática heideggeriana original.
    • A intencionalidade da consciência no ego transcendental é um limiar a ser cruzado, mas deter a pesquisa nesse nível seria recair na onticidade.
      • Com tal confinamento, o sentido do princípio de pesquisa fenomenológica é diluído e seu poder e escopo são diminuídos artificialmente.
  • A Fenomenologia como método imposto pela concepção do Ser
    • Se a Fenomenologia, como processo de deixar as coisas manifestarem-se, deve caracterizar o método padrão da filosofia, e se a questão-guia da filosofia é a questão sobre o Ser dos entes, então o Ser tinha de permanecer a primeira e última coisa-em-si do pensamento para uma Fenomenologia concebida maduramente.
    • A concepção heideggeriana de Fenomenologia não é um método escolhido arbitrariamente; é imposta por sua concepção do processo do Ser mesmo como aquilo que torna os entes manifestos de modo negado.
      • É o modo pelo qual o Heidegger de 1927 se ocupa do pensamento do Ser.
  • O caminho para o pensamento do Ser preparado pela meditação sobre o Dasein
    • O Ser não é um ente, pois é o que possibilita que os entes sejam presentes ao homem.
    • Está mais próximo do homem, pois o faz ser o que é e lhe permite entrar em comportamento com outros entes.
    • Contudo, está mais distante dele porque não é um ente com o qual ele, estruturado para lidar diretamente apenas com entes, pode comportar-se.
    • Do ponto de vista dos entes, o Ser os abarca a todos, como um domínio de abertura abarca o que se encontra dentro dele.
      • O Ser é um domínio de abertura precisamente por ser o processo de iluminação pelo qual os entes são iluminados.
      • Se esses entes são 'sujeitos' ou 'objetos', a luz mesma não é nem sujeito nem objeto, mas 'entre' ambos, possibilitando o encontro.
  • A noção preliminar do Ser e o caráter circular da questão
    • A noção preliminar do Ser é que há algo “que determina os entes como entes” para e na consciência.
    • Aquilo com base no qual os entes são compreendidos é o que denominamos provisoriamente “Ser”.
    • Na questão sobre o significado deste Ser, não há “raciocínio circular”, mas uma notável “referência para trás ou para frente” que o Ser guarda com a investigação mesma, como um modo de Ser de um ente.
  • A escolha do ente a ser interrogado e o acesso fenomenológico
    • Na medida em que o Ser constitui o perguntado, e “Ser” significa o Ser dos entes, então os entes mesmos são o que é interrogado.
    • Tudo de que falamos, tudo que temos em vista, tudo para o qual nos comportamos de algum modo é ente.
    • O Ser reside no fato de que algo é, e em seu ser tal como é.
    • Surge então o problema: em quais entes o sentido do Ser deve ser discernido?
    • Se as características do Ser dos entes devem ser fornecidas sem falsificação, então esses entes devem ter-se tornado acessíveis como são em si mesmos.
    • A questão do Ser exige que o modo correto de acesso aos entes seja obtido e assegurado de antemão.
      • Um ente pode mostrar-se de si mesmo de muitos modos, dependendo em cada caso do tipo de acesso que temos a ele.
    • Se a questão sobre o Ser deve ser formulada explicitamente de modo transparente, é preciso explicar como o Ser deve ser olhado, como seu sentido deve ser compreendido e conceitualmente apreendido.
      • É preciso preparar o caminho para escolher o ente correto como exemplo e elaborar o modo genuíno de acesso a ele.
  • O Dasein como ponto de partida necessário e “sempre meu”
    • Para Heidegger, apenas a pesquisa fenomenológica pode, em princípio, alcançar o acesso necessário e explícito aos entes em termos de seu Ser.
    • Se nossa análise deve ser autêntica, seu objetivo é tal que a tarefa prévia de assegurar-nos fenomenologicamente daquele ente que servirá como exemplo já foi prescrita como nosso ponto de partida.
    • O modo como o Ser e suas estruturas são encontrados no modo do fenômeno deve ser arrancado dos objetos da Fenomenologia.
    • Cumprimos a “tarefa prévia” de alcançar uma base adequadamente assegurada para investigar o sentido do Ser apenas se nossa investigação proceder daquele ponto em que o Ser primeiramente sai da ocultação.
      • Este ponto é aquele ente para quem o Ser é primeiramente revelado e sempre está em jogo: o Dasein.
    • Por isso o Dasein é “em cada caso meu”, e por isso deve-se sempre usar um pronome pessoal ao falar em seus termos.
      • Somente assim podemos começar nossa análise com um fenômeno fenomenológico, e não com uma aparência ou semblante.
      • Somente assim o projeto filosófico pode tornar-se autocritico num sentido positivo.
      • Somente assim o conceito ordinário de fenômeno torna-se fenomenologicamente relevante.
  • A autenticidade da análise e as dimensões ôntica e ontológica
    • Esta estrutura introduz como elemento constitutivo da problemática original a observação de que o pensamento nunca se desprende tanto da dimensão entitativa do Dasein a ponto de não ter nada a ver com entidades.
    • Uma análise filosófica inautêntica é inicialmente caracterizada por Heidegger como aquela que esquece o Ser, restringindo sua atenção à dimensão ôntica do homem e do mundo.
      • Assume-se que o único tipo de inautenticidade do Dasein é aquele que esquece sua própria dimensão ontológica.
      • Surge a questão: o Dasein não seria igualmente inautêntico se esquecesse sua dimensão ôntica e se perdesse num puro misticismo do Ser?
  • A noção preliminar do Dasein e sua fundamentação fenomenológica
    • A noção preliminar da natureza essencial da realidade humana como Dasein pressupõe uma sólida compreensão da natureza da Fenomenologia heideggeriana como o solo mesmo de onde a noção preliminar brota.
      • O ponto de partida para nossa análise do Ser requer ser assegurado pelo método próprio, assim como nosso acesso ao fenômeno.
    • O ponto de partida a partir do qual uma revelação do Ser pode ocorrer não é opcional.
      • Sempre que uma ontologia toma por tema entes cujo caráter de Ser é outro que o do Dasein, ela tem seu próprio fundamento na estrutura ôntica do Dasein, na qual uma compreensão pré-ontológica do Ser está compreendida.
    • O significado do Ser só pode ser desvelável naquele reino de entes onde o Ser está em jogo, é uma matéria de preocupação.
      • O Ser torna-se uma questão de preocupação apenas onde uma questão surge autenticamente.
      • O próprio colocar uma questão é um modo de Ser de um ente, que deriva seu caráter essencial daquilo sobre o que se indaga: o Ser.
    • O próprio elaborar da questão do Ser requer que tornemos transparente em seu próprio Ser um ente particular: o inquiridor.
      • A força deste requisito deriva também da natureza de nosso empreendimento como um de compreensão.
  • A designação “Dasein” e a essência do homem
    • Se devemos formular nossa questão explicitamente e de modo transparente, devemos primeiro dar uma explicação própria de um ente com respeito a seu Ser.
    • Este ente que cada um de nós é e que inclui o inquirir como uma das possibilidades de seu Ser, denotamos pelo termo “Dasein”.
    • Escolhemos designar este ente como “Dasein”, um termo que é puramente uma expressão de seu Ser.
      • Não podemos definir a essência do Dasein citando um “quê” do tipo que pertence a um assunto, porque sua essência reside no fato de que, em cada caso, ele tem seu Ser a ser, e o tem como seu.
    • A questão sobre o significado do Ser de um ente toma como tema o “sobre-o-quê” daquela compreensão do Ser que subjaz a todo Ser dos entes.
    • O significado do Ser do Dasein não é algo livre, outro e “fora de” si mesmo, mas é o próprio Dasein auto-compreensivo.
    • A questão torna-se: o que torna possível o Ser do Dasein, e com isso sua existência fática?
    • Trata-se de ver uma estrutura primária do Ser do Dasein – uma estrutura de acordo com cujo conteúdo fenomênico os conceitos de Ser devem ser articulados.
      • Esta estrutura não pode ser apreendida pelas categorias ontológicas tradicionais, pois não cai, segundo o que lhe é próprio, em nenhuma categoria entitativa.
  • A radicalização da compreensão pré-ontológica e a tarefa da ontologia fundamental
    • O Ser do Dasein só se tornará acessível se olharmos “por todo este todo até um único fenômeno primordialmente unitário” que já está neste todo de tal modo que fornece o fundamento ontológico para cada item estrutural.
    • A questão do Ser mesma não é nada mais que a radicalização de uma tendência-essencial-de-Ser que pertence ao próprio Dasein: a compreensão pré-ontológica do Ser.
    • O sentido do Ser como tal não será desengajado definindo os entes por suas causas ônticas, como se o Ser tivesse o caráter de algum ente possível.
      • O Ser, como aquilo sobre o que se pergunta, deve ser exibido de um modo próprio, essencialmente diferente do modo como os entes são descobertos.
      • O significado do Ser também exige ser concebido de um modo próprio, essencialmente contrastante com os conceitos nos quais as entidades adquirem sua significação determinada.
    • Basicamente, toda ontologia permanece cega e pervertida em seu objetivo mais próprio se não tiver primeiro clarificado adequadamente o significado do Ser.
    • Portanto, a ontologia fundamental, da qual todas as outras podem surgir, deve ser buscada na analítica existencial do Dasein.
      • Isto apenas na medida em que esta analítica é guiada e determinada de antemão pela questão do sentido do Ser como tal.
      • O Dasein funciona como aquele ente que, em princípio, deve ser interrogado de antemão quanto a seu Ser.
  • A transformação fenomenológica da noção de natureza humana
    • A distinção entre o homem como animal rationale e o homem como Dasein é traçada fenomenologicamente.
    • Se há uma transformação da noção de natureza humana em linha com as exigências da questão do Ser, esta transformação deve ser trazida fenomenologicamente.
    • Esta transformação é tão decisiva para qualquer investigação autêntica do sentido do Ser que Heidegger a chama de “tarefa prévia” para o pensamento do Ser.
    • Compreender o conceito inicial de Dasein como uma estrutura fenomênica, o “precipitado” imediato que resulta de contemplar a realidade humana através de um olhar puramente fenomenológico, é crucial para apreender o sentido original da questão do Ser em Heidegger.
  • A necessidade de pensar a natureza humana e o significado do termo “Dasein”
    • No serviço da questão sobre a verdade do Ser, torna-se necessário parar e pensar sobre a natureza humana.
    • A experiência do esquecimento do Ser envolve a conjectura crucial de que, em vista do desvelamento do Ser, o envolvimento do Ser na natureza humana é uma característica essencial do Ser.
    • Para que esta conjectura se torne uma questão explícita, é preciso libertar a determinação da natureza humana do conceito de subjetividade e do conceito de “animal rationale”.
    • Para caracterizar tanto o envolvimento do Ser na natureza humana quanto a relação essencial do homem com a abertura do Ser, escolheu-se o nome “Dasein”.
    • Repensar Ser e Tempo é frustrado se nos satisfazemos com a observação de que o termo “Dasein” é usado em lugar de “consciência”.
      • Não se trata do mero uso de palavras diferentes.
      • O que está em jogo é fazer o homem pensar sobre o envolvimento do Ser na natureza humana e apresentar uma experiência da natureza humana que possa provar-se suficiente para dirigir nossa investigação.
    • “Dasein” nem substitui o termo “consciência” nem o “objeto” designado substitui o que pensamos ao falar de “consciência”.
      • “Dasein” nomeia aquilo que deve primeiramente ser experienciado e subsequentemente pensado como um lugar – especificamente, a localidade da verdade do Ser.
  • O Dasein e a Vida Intencional na perspectiva tomista
    • A noção de Dasein, transposta para as perspectivas de São Tomás, demandaria uma análise temática da Vida Intencional do homem como tal.
    • “Intencional” aqui deve ser entendido no sentido tomista de esse intentionale, e não no sentido husserliano de intencionalidade como estrutura básica da consciência derivada de um ego transcendental.
    • Nesta perspectiva transposta, o Ser como processo de iluminação aponta para duas direções fundamentais de análise.
      • A primeira direção apontaria para a análise da natureza e função do intelecto agente.
        • Estas linhas de análise marcariam o caráter do Ser que define a correlação que liga o Dasein ao homem em sua facticidade.
        • Isto equivaleria a uma clarificação em princípio da inter-relação essencial entre o homem como Dasein e o homem como ente.
        • Surge a questão: a interarticulação estrutural ôntico-ontológica, que dá origem à possibilidade de uma compreensão categorial e existencialista da realidade humana, pode ser inteiramente subsumida sob uma pesquisa fenomenológica pura?
        • Se os existenciais e as categorias são as duas possibilidades básicas para caracteres de Ser, exigindo modos de interrogação primária diferentes, como trabalhar adequadamente o conceito de Dasein sem trazer tematicamente sua dimensão entitativa para a problemática?
        • A introdução temática do aspecto entitativo do Dasein já pressuporia a validade de uma Interpretação metafísica.
        • Neste caso, a Fenomenologia sozinha não seria suficiente para atender a todas as exigências problemáticas da questão do Ser.
      • A segunda direção apontaria para a necessidade de uma reinterrogação do problema do primum cognitum.
        • Esta linha de análise buscaria penetrar a ambiguidade crucial na relação entre Dasein e Ser.
        • Neste registro, “entes” significariam realidade extramental precisamente na medida em que tivessem entrado na existência intencional, tornando-se esse intentionale.
    • Quando estas várias linhas de análise são consideradas juntas, resultam na ideia da Vida Intencional do homem.
      • Se esta Vida Intencional for tornada temática, ela produz, dentro das perspectivas do pensamento tomista, um paralelo à noção de Dasein.
      • O que está em jogo é a ideia fundamental que governa nossa recuperação da problemática heideggeriana.
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