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Caron (2005:1561) – aparecer aparece

PEOS

  • O Aparecer como Realidade Complexa que Precisa Aparecer
    • O aparecer, a pura manifestação, para ser, precisa aparecer e ser aparecer, aparecer como aparecer
    • A manifestação quer se manifestar como tal; assim, requer sempre seu en-face
    • Como ela o mantém em sua essência desdobrante, o en-face é igualmente ela mesma
    • Tudo se sustenta numa Mesmidade de co-apropriação de que a doação é inteiramente constituída
  • A Riqueza da Tautologia: “O Aparecer Aparece”
    • A frase “O aparecer aparece” parece tautológica, mas contém riqueza de sentido impensada
    • Assim como a Palavra requer um eco, uma resposta, um si que fale, o aparecer requer a ipseidade
    • “O aparecer aparece” significa duas coisas: primeiro, que ele aparece; segundo, que este aparecer aparece
    • Sem ipseidade, o presente não teria realmente aparecido, entrado em presença
    • Se o aparecer é, então ele só pode ser aparecendo
    • A tautologia revela a profundidade de um vazio significativo, não de um vazio negativo
    • Nela, o ato diz a integralidade de seu agir; estamos na dimensão do Mesmo onde o ato do permanecer se torna possível
    • A tauto-logia nomeia o desdobramento do Mesmo
  • O Aparecer como Ad-paraître (Aparecer-diante-de)
    • A suposta platitude da frase “O aparecer aparece” abre um campo para o pensamento
    • Ela diz o redobramento interior ao aparecer, que é o aparecer como tal que aparece
    • O aparecer puro é a ação de que é fonte; nele está inscrita a maneira do fazer-se-aparecer
    • Etimologicamente, aparecer (ad-paraitre) significa aparecer na vista de, para
      • O aparecer compreende em si o olhar, põe em si a vista de si, a temporalidade do si
    • Põe, com seu desdobramento, o olhar para quem o aparecer aparece como aparecer
    • Não estamos habituados a pensar plenamente a essência do aparecer
    • A tautologia, quando nomeia um agir ontológico, é o próprio oco onde toda abertura encontra sua dimensão
  • A Estrutura do Si é o Ser como Eräugen ou Ereignis
    • O ser é aparecer, e o aparecer é aparição de um 'Ele' no coração do aparecer, de um si que leva a aparecer o aparecer
    • Aparecer é, portanto, aparecer para um olhar; o olhar não é exterior ao aparecer, mas é o aparecer mesmo
    • A estrutura do si é o ser, pois o ser é Eräugen ou Ereignis
    • O ser como aparecer é um lance de olhar que traz em si seu próprio aparecer, produzindo a temporalidade ecstático-horizontal da ipseidade
  • O Ereignis como Eignis e Augnis: Estrutura do Si
    • O Ereignis, fundamentalmente Eignis e Augnis, é a estrutura do si
    • É o 'eignen' do Ereignis que dá ao si seu ipse
    • A presença do ipse depende da função supra-pessoal de 'eignen', que confere ao homem sua estrutura ecstática
    • O ser se dá um en-face, para quem ele é; este en-face não é o outro do ser, mas o ser mesmo revelando sua essência
    • O ser chama a si mesmo do olhar dentro de sua própria Mesmidade para ad-paraitre
  • A Innigkeit do Ser: Pré-nome do Ereignis
    • Heidegger nomeou em 1934-1935 a Innigkeit (intimidade) do ser, pré-nome do Ereignis
    • A Innigkeit diz a Mesmidade onde o segredo se dá à manifestação como segredo
    • É a produção da confrontação no ser entre o abismo do ser e sua recondução na estrutura do si
    • O segredo é a Innigkeit, e esta é o ser mesmo, a intimidade das potências em diferendo
    • Na Innigkeit, há olhar recíproco de dois olhares separados, cuja separação é a possibilidade de uma ipseidade
  • O Si como Abertura ao Ser e Prolongamento Consciente
    • O si é aberto ao ser pelo ser mesmo, e tal verdade é possível porque o ser é Ereignis
    • Ao tomar em guarda o ser, o si se põe face ao ser como prolongamento do ser
    • Pensando-se em propriedade, o si pensa o ser do qual é pré-compreensão e prolongamento impensado, depois prolongamento consciente
    • O si é consequência de uma 'identidade' complexa, posição no coração do ser de sua própria desmedida
  • A Mesmidade de Co-apropriação como Lugar de Toda Doação
    • No seio desta Mesmidade de co-apropriação toma lugar toda doação, consequentemente toda ipseidade e identidade
    • Enfrentamos o enigma desta doação cujo fundo é Eignis, deste Acordo onde tudo é dado
    • A doação tem lugar na co-pertinência do ser e do si
    • Esta mesmidade, quase impalpável, está presente antes de tudo como seu Acordo transcendental
    • Esta apropriação universal é o mistério do próprio 'há' (Es gibt)
  • A Orientação Final: Zeit und Sein e o Mistério do Es Gibt
    • É para o mistério desta doação concedente que Zeit und Sein vai dirigir o pensamento
    • A meditação de Zeit und Sein mostrará como o Ereignis repousa em si como dom, como dar e co-apropriar são indissociáveis
    • O mistério não é apagado, mas manifestado em toda sua dimensão, fundado para ser assumido pelo si
    • O pensamento medita sobre o 'Es' do 'Es gibt', toma a cargo a indeterminação determinante deste 'Isso' que dá no Acordo
    • Buscando o 'Es gibt', o pensamento se dá a possibilidade de viver a serenidade doadora do retraimento
    • O 'Es gibt' desdobra a temporalidade do si e o ser-temporal do ser no mesmo Ereignis
    • Tudo se resolve no Acordo deste 'Es', cujo enigma é sentido como a bondade que se dá a pensar como Segen (Bênção)
    • O si apreende então definitivamente a interpenetração de sua vida e da Morte, onde o Mistério se destina, a angústia dando lugar à gratidão do pensamento
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