HISTORICIDADE AUTÊNTICA (2023)
A Crise da narração / Byung-Chul Han ; tradução de Daniel Guilhermino. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2023.
O ser-si-mesmo de Heidegger é anterior ao contexto narrativo da vida produzido posteriormente. O ser-aí se assegura de si mesmo antes de narrar a si mesmo uma história coerente referente ao mundo da interioridade. O eu não é construído através de ocorrências coerentes do mundo interior. Somente a “ex-tensão de toda a existência” cria a “autêntica historicidade”. Contra a atrofia do tempo, busca-se uma estruturação temporal da existência, uma “ex-tensão de toda a existência, originária, que nem se perde e nem necessita de um nexo”1). Ela deve garantir que o ser-aí, como unidade pré-narrativa, não se desintegre em uma “soma das realidades momentâneas de vivências que vêm e desaparecem uma após a outra”2). Ela retira o ser-aí da “multiplicidade infinda das possibilidades de bem-estar, simplificar e esquivar-se”, e o ancora na “simplicidade de seu destino”3). Ter um destino significa assumir o controle de si mesmo. Quem se rende às “realidades momentâneas” não possui destino, não possui “historicidade autêntica”.
