estudos:braver:consciencia-e-culpa-2014
CONSCIÊNCIA E CULPA (2014)
BRAVER, Lee. Heidegger: thinking of being. 1. publ ed. Cambridge: Polity Press, 2014.
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A busca inicial de 2.II por uma atestação da autenticidade de Dasein decorre da exigência fenomenológica de encontrar evidência vivida de um modo de existir não exibido na medianidade cotidiana, de modo que o testemunho convocado é o próprio vivente, já que Dasein permanece em verdade e inverdade e tende a deturpar sua compreensão pré-ontológica ao explicitá-la por interpretações ontológicas inadequadas.
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Atestação é requerida para sustentar a pretensão de um modo de existir além da cotidianidade mediana (312/267).
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Fenomenologia demanda evidência e não mera inferência argumentativa.
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Evidência é localizada apenas na vida própria enquanto campo de manifestação.
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O testemunho é o próprio vivente tomado como “witness”.
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Dasein está simultaneamente em verdade e inverdade.
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A compreensão buscada é possuída, mas não acessível imediatamente.
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A explicitação da compreensão pré-ontológica tende a descambar para deturpações ontológicas.
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Algum acesso ao modo de ser é pressuposto para que ele possa ser tematizado.
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A convocação à autenticidade não parte do eu cotidiano mergulhado na inautenticidade, mas do contraste entre o burburinho do “eles” e uma voz abafada que pode ser ouvida ao silenciar a tagarelice, a saber, o chamado da consciência, cuja função se assemelha à ansiedade e à antecipação da morte ao isolar e produzir instantes de silêncio tipo campânula (316–17/271–3).
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Cotidianidade é descrita como ensimesmada na inautenticidade.
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O “eles” fornece ruído público sobre “o que se diz” que encobre outra voz.
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O chamado da consciência emerge quando a fala ociosa do “eles” é aquietada.
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Ansiedade e antecipação da morte são descritas como colapsos em larga escala do mundo.
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Esses colapsos esvaziam a significância de preocupações habituais.
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A individualização ocorre ao cortar, ainda que temporariamente, vínculos com papéis substituíveis do “eles”.
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O chamado opera como isolamento que produz silêncio audível para ser ouvido.
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Em um mundo pós-nietzschiano, o chamador não é autoridade transcendente, mas o próprio si no desabrigo ansioso e infamiliar, expulso de um mundo em colapso e capaz de enxergar a estrutura iluminada do ser-no-mundo, de modo que a consciência desvela a natureza própria e convoca a apropriação de si por um viver condizente com o tipo de ente que se é, preservando a fórmula de que o chamado vem de si e ainda assim de além e acima de si, chamando contra expectativas e mesmo contra a vontade (322/277; 320/275).
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Ausência de autoridade transcendente é afirmada como traço do cenário pós-nietzschiano.
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O si chamador é descrito como ansioso e infamiliar, não em casa no mundo.
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Quebra do mundo e ejeção do si tornam visível a estrutura do ser-no-mundo (322/277).
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Consciência é descrita como desvelamento da natureza e como convocação à apropriação de si.
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Apropriação é descrita como viver de modo apropriado ao ser que se é.
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Fórmula “vem de mim e ainda assim de além e acima de mim” é preservada (320/275).
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O chamado é descrito como vindo contra expectativas e contra a vontade (320/275).
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A associação com o sentido comum de consciência inclui ouvir o indesejado, frequentemente ligado a agir mal para obter o desejado.
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A fuga para a cotidianidade inautêntica é vinculada a evitar traços existenciais penosos.
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O chamado contraria inclinações ontológicas ao exigir reconhecimento e assunção desses traços.
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Desejo de estar em casa no mundo aparece como busca de tranquilização e legitimação do modo de vida escolhido.
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A infamiliaridade é posta como modo básico do ser-no-mundo encoberto na experiência cotidiana (322/277).
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Tentativas do “eles” de acomodar-se e encerrar a questão do ser são caracterizadas como inautênticas.
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A consciência, embora seja uma forma de discurso, nada diz e se liga ao tema do silêncio (208/165), não se orientando a faltas particulares porque isso seria uma interpretação caída e ôntica que oferece tarefas para desarmá-la e transforma a vida em cálculo moral de débitos e créditos, mas enunciando antes que Dasein enquanto tal é culpado, o que exige esclarecimento da culpa ontológica ou existencial (331/285; 336–8/289–92).
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Consciência é descrita como discurso que não profere conteúdo.
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A ligação com a discussão anterior do silêncio é explicitada (208/165).
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Desvinculação de malfeitos específicos é afirmada como condição do fenômeno.
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Interpretação de consciência como lista de faltas é descrita como caída e existenciária.
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A queda permitiria desarmar a consciência por tarefas reparatórias.
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Vida como prontidão calculável é figurada como planilha moral (336–8/289–92).
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Enunciado central é que Dasein como tal é culpado (331/285).
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A culpa visada é ontológica/existencial, independente de atos particulares.
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A explicação de culpa recorre a uma noção obscura de responsabilidade como ser base de uma falta ou nulidade, vinculando-se à ideia de privação e ao sentido de dívida do alemão Schuldig, mas exigindo compreensão existencial do “faltar”, na qual Dasein é ou tem o que falta como seu ainda-não, de modo que nulidade é um traço pervasivo do ser, como o estudante que é não-graduado, e a culpa exprime uma notidade que impede totalidade e se deixa compreender como finitude, devendo manifestar-se nos três momentos do cuidado: facticidade, existência e queda (329/283; 329/284).
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Nulidade traduz Nichtigkeit como “notness” (329/283).
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Exemplos de privação incluem roubo, escravidão, dano, morte.
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Responsabilidade é descrita como reduzir a condição de vítimas e gerar dever.
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Schuldig é associado a dívida como sentido literal.
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A falta não deve ser entendida como simples inexistência categorial.
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Dasein é dito ter ou ser o que lhe falta, como seu não-ainda.
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A nulidade é dita pervadir o ser, como no estudante que é não-graduado.
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A culpa é descrita como ser atravessado por notidade e impossibilidade de ser inteiro.
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A finitude aparece como outra formulação do mesmo traço.
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Aceitação e vivência da finitude é colocada em contraste com tentativas filosóficas de superação de limitações.
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Como o ser de Dasein é cuidado, a culpa ontológica deve aparecer em facticidade, projeção e queda (329/284).
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A nulidade aparece primeiramente como lançadura, pois Dasein foi trazido ao seu aí sem seu concurso e não pode recuar para liberar o “que-é-e-tem-de-ser” a partir de um si anterior e conduzi-lo ao aí, o que esclarece lançadura como nascimento e inserção em traços factícios não escolhidos, incluindo tempo, lugar e modo, e como endividamento incontornável perante pessoas e eventos dos quais a própria existência depende.
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Dasein é trazido ao aí sem ser de sua própria iniciativa (329–30/284).
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Não há retorno por trás da lançadura para iniciar-se a si mesmo.
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A fórmula “que-é-e-tem-de-ser” é ressaltada como conteúdo da lançadura.
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Lançadura é explicada como ser nascido e lançado numa vida.
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Facticidade é descrita como conjunto de traços particulares da vida.
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Não houve decisão de nascer, nem de quando, onde e como.
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Não houve criação autoexecutada.
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Dependência de pessoas e eventos anteriores ao primeiro fôlego é destacada.
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Endividamento é descrito como o “não” basal do ser qualquer coisa.
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A lançadura não é apenas evento pretérito, pois persiste como atraso constante diante das possibilidades e como impossibilidade de ter poder sobre o ser mais próprio desde o chão, e esse ideal de controle radical é apresentado como fio condutor de larga tradição filosófica, exemplificada por Descartes, Sócrates, Kant, estoicos, Espinosa e Hegel, que tentam superar passividade passada por dúvida metódica, exame, autonomia ou sistemas de vida, enquanto a análise sustenta o fim desse sonho por exigir sempre algum dado para examinar crenças, sem com isso negar que o si herdado seja realmente o si pelo qual há responsabilidade (330/284).
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O atraso diante das possibilidades é afirmado como constante (330/284).
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“Ser base” é descrito como nunca ter poder desde o chão sobre o ser mais próprio (330/284).
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O ideal de controle desde o chão é caracterizado como extravagante e ao mesmo tempo histórico.
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Ressentimento filosófico contra passividade da juventude é exemplificado por Descartes.
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Descartes é associado à crítica ao ensino aceito sem exame e à dúvida metódica.
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Sócrates é associado ao reproche aos sábios por crenças socialmente aceitas.
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Superação por elenchus é indicada como modelo de exame.
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Kant é associado à autonomia absoluta do eu fenomenal.
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Estoicos, Espinosa e Hegel são listados como partícipes da mesma busca.
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A “reconfiguração” é descrita como tentativa de reiniciar a mente sob controle.
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A impossibilidade de recomeço total é atribuída à necessidade de apoiar-se no dado para examinar.
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A ausência de um eu noumênico além do mundo é afirmada como condição.
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O si herdado é descrito como o único si existente, com gostos e peculiaridades.
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A responsabilidade por esse si é mantida apesar de sua não-criação.
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A pervasão do “não” desde o chão é reiterada como traço do próprio si.
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A lançadura deve ser compreendida existencialmente como algo vivido, e não como fato histórico fixo, pois Dasein é sua base lançada ao projetar-se em possibilidades nas quais foi lançado, limitando o campo de possibilidades por condições sociais e corporais e por preferências encontradas em Befindlichkeit, de modo que a projeção permanece profundamente entrelaçada à lançadura (330/284).
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Lançadura não é comparável a uma data de criação de um quadro.
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Lançadura é descrita como vivida ao longo da existência.
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Projeção é descrita como projetar-se sobre possibilidades nas quais se foi lançado (330/284).
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O conjunto de possibilidades é limitado por época e sociedade.
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Exemplo de impossibilidade de ser samurai é ligado ao mundo social contemporâneo.
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Exemplo de impossibilidade de ser jogador profissional é ligado ao corpo e a preferências encontradas.
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“Opções vivas” em William James são citadas como distinção de possibilidades.
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Befindlichkeit é indicada como condicionante de opções.
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Interconexão entre projeção e lançadura é reafirmada.
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A nulidade informa a projeção também porque cada escolha é simultaneamente escolha de não fazer inúmeras outras coisas, e como ações compõem o para-o-que, a formação de si implica tornar-se não inúmeros tipos ao tornar-se um, sendo a liberdade caracterizada como escolha de uma possibilidade com tolerância do não ter escolhido as demais, o que vincula escolha à finitude temporal (331/285).
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Ler implica não praticar futebol, não aprender instrumento, não cortar grama.
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A identidade por para-o-que é acumulada por decisões cotidianas.
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Tornar-se um tipo implica não tornar-se muitos outros.
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A liberdade é definida como escolha de uma possibilidade (331/285).
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A liberdade inclui tolerar não ter escolhido outras (331/285).
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A estrutura é atribuída a criaturas finitas e temporais.
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A queda é apresentada como o momento do cuidado em que a notidade aparece mais imediatamente, pois no cair o si é, proximamente e na maior parte das vezes, não ele mesmo, e a consciência, ao atravessar o “eles” e esvaziar sua significância, convoca o si próprio ao retirar abrigo e esconderijo públicos e ao confrontar o ser-no-mundo drenado de conteúdo, tornando inescapável a pergunta pelo tipo de vida genuína e desejada, acessível sobretudo em experiências de ruptura comparáveis ao experimento do eterno retorno de Nietzsche (151/116; 317/273).
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Queda é descrita como não ser si mesmo proximamente e na maior parte (151/116).
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Inautenticidade cotidiana é dita afastada do si próprio.
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Consciência é descrita como aquilo que denuncia essa queda.
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O chamado convoca ao si próprio e não ao que se conta, faz ou se ocupa publicamente.
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O chamado atravessa o “eles” e empurra para insignificância (317/273).
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O si perde alojamento e esconderijo e é trazido a si pelo chamado.
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A definição de si por tarefas e recomendações do “eles” é recusada nesses momentos.
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Dread e ansiedade são descritos como confrontos com vazio de conteúdo do mundo.
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A pergunta por vida genuína, digna e querida é salientada.
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A vida é descrita como acúmulo de decisões menores muitas vezes inerciais.
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Rupturas que expulsam do mundo permitem ver e deliberar sobre esse acúmulo.
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A comparação com o eterno retorno de Nietzsche é explicitada.
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Ouvir e compreender o chamado não se traduz em apreensão teórica, mas em agir apropriadamente ao escolher o si próprio convocado, e a consciência existencial não fornece prescrições ônticas para evitar reduzir decisão a obediência, sendo a autenticidade ligada a escolhas próprias feitas sem garantia plena de valor, em registro associado a Kierkegaard (333–4/287; 340/294).
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Compreensão do chamado é descrita como efetivação prática.
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Paralelo com uso de ferramentas e com assumir mortalidade por agir é indicado.
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O chamado é ouvido ao ser convocado ao si próprio e escolhê-lo (333–4/287).
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Consciência existencial não prescreve ações ônticas específicas.
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Prescrever ações seria converter decisão em obediência (340/294).
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A ausência de certeza sobre viver bem é destacada como verdade a aceitar.
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A referência a Kierkegaard aparece como apoio à ideia de escolher no escuro.
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A autenticidade é vinculada ao caráter próprio das escolhas.
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A leitura apresentada caracteriza autenticidade como voluntarismo de escolha explícita, sustentando que o “eles” encobre a escolha ao aliviar tacitamente o peso de escolher possibilidades e ao manter indefinido quem escolheu, de modo que Dasein não escolhe, é levado pelo ninguém e se enreda na inautenticidade, e a reversão exige trazer-se de volta a si e “compensar” a não-escolha escolhendo escolher uma possibilidade-de-ser a partir do si próprio (312–13/268).
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O “eles” é descrito como ocultando a maneira de aliviar o fardo de escolher.
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A autoria da escolha permanece indefinida.
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Dasein é descrito como não fazer escolhas e ser carregado pelo ninguém.
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O resultado é enredar-se na inautenticidade.
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A reversão requer trazer-se de volta a si da perda no “eles”.
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“Compensar” por não escolher é descrito como escolher fazer a escolha.
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A decisão é descrita como decidir por uma possibilidade-de-ser.
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A decisão é descrita como feita a partir do si próprio (312–13/268).
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A cotidianidade inautêntica é descrita como absorção no “eles” e em rotinas em piloto automático, mas como o ser é questão e nunca fato encerrado, a adesão a um para-o-que exige compromisso contínuo e pode ser rompida a qualquer momento, enquanto a experiência usual não sente essa liberdade por seguir fluxo social e inércia do passado, tornando insuficiente a compreensão simplista de liberdade e ação e atribuindo ao “eles” o fazer predominante.
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Absorção no “eles” e em atividades mundanas é reiterada.
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Rotina é descrita como seguir “o que se faz” com pouco pensamento.
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Ser como questão implica que a identidade é sempre pendente.
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Um para-o-que exige reafirmação contínua.
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Há possibilidade de ruptura e tomada de nova trajetória a qualquer momento.
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A ausência de sensação de liberdade é descrita como efeito de inércia.
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Fluxo social e hábito são descritos como guias da ação.
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A compreensão comum de liberdade e ação é dita simplista.
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O “eles” é descrito como agente efetivo na maior parte do tempo.
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A reversão exige começar a decidir por si.
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As crises como ansiedade, antecipação da morte e chamado da consciência são descritas como oportunidades por remover do fluxo e por quebrar para-o-que e mundo, permitindo ver novamente e deliberar intencionalmente, e esse movimento é chamado resolução, que transforma o aí em situação e faz ver possibilidades como possibilidades em vez de atualidades fechadas, permitindo pôr de lado coisas em curso e recuperar outras como possibilidades ainda retomáveis (343/296–7; 346–7/299–300; 355/308).
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Crises retiram do fluxo cotidiano por colapso do mundo e dos projetos.
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A visão das próprias rotinas ocorre quase “de fora”.
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A decisão intencional sobre como viver é posta como possibilidade.
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O termo resolução é introduzido (343/296–7).
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A resolução transforma o aí em situação (346–7/299–300).
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Situação inclui ver possibilidades como possibilidades.
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Itens em curso não são tratados como atualidades absolutas.
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Possibilidades podem ser postas de lado (355/308).
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Possibilidades abandonadas podem ser retomadas como ainda possíveis.
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A noção voluntarista recebe duas qualificações, pois a lançadura nunca é superada e ser si exige ser-em-um-mundo com algum para-o-que socialmente oferecido, de modo que a autenticidade não é fuga do “eles” mas modificação existenciária de seu interior, e além disso não é possível decidir simplesmente começar a decidir, porque o chamado vem de si e não de si, sendo formulado como “isso” chama, o que mina autonomia tradicional e torna a própria resolução dependente de humor ou de ser-chamado (344/298; 168/130; 320/275).
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Não há superação da lançadura como limite permanente.
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Ser si requer ser-em-um-mundo.
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Um para-o-que precisa ser assumido a partir de ofertas sociais (344/298).
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Autenticidade não é escapar do mundo do “eles”.
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Autenticidade é descrita como modificação existenciária do “eles” (168/130).
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Não há decisão soberana de começar a decidir como ato puro.
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O chamado é dito vir de si e não de si.
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A fórmula “ ‘isso’ chama” é apresentada (320/275).
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A autonomia tradicional é enfraquecida por essa estrutura.
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A resolução depende de um humor ou de ser-chamado.
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A metáfora auditiva do chamado reforça a passividade constitutiva, pois sons acontecem e sobrevêm enquanto o foco visual pode ser dirigido, e por isso o chamado não pode ser produzido, apenas aguardado mediante preparação, nomeada querer-ter-consciência, sob pena de violar a mensagem de nulidade ou finitude, e essa linha é indicada como aprofundada mais tarde na análise da tecnologia (320/275; 334/288; 186–7/146–7).
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A oposição entre ouvir e ver é usada como indicador fenomenológico.
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O olhar é descrito como direcionável voluntariamente.
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O som é descrito como algo que sobrevém.
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O chamado não pode ser iniciado nem controlado.
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A atitude possível é preparar-se e esperar.
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O termo querer-ter-consciência é apresentado (334/288).
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Produzir o chamado violaria sua mensagem de nulidade/finitude.
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O desenvolvimento ulterior é sinalizado como ligado à análise da tecnologia.
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