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Dasein
BARBARAS, Renaud. Introducción a una fenomenología de la vida: intencionalidad y deseo. Madrid: Ediciones Encuentro, S.A., 2013
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Ao pensar a diferença do Dasein como diferença de seu modo de ser em relação aos demais entes, e não como exterioridade face ao ente, Heidegger concilia a condição de ente ou a intramundaneidade do Dasein com sua dimensão constituinte, repetindo aqui os conceitos husserlianos
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Em vez de uma relação hierárquica ou vertical de dependência entre uma consciência absoluta e uma realidade relativa de sentido unívoco, Heidegger ressalta uma diferença entre o sentido do ser do Dasein, a existência, e o dos demais entes, a subsistência, sobre cuja profundidade repousa a possibilidade de dar conta do aparecer do mundo ao sujeito e, portanto, da correlação
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Heidegger chega a escrever que existência e subsistência são mais díspares entre si do que, na ontologia tradicional, o ser de Deus e o ser do homem
A constituição transcendental constitui uma possibilidade central da existência do Si-mesmo fático, o homem concreto, que nunca é um mero fato real mundano porque nunca está apenas presente-subsistente, mas existe, sendo maravilhoso que a constituição existencial do Dasein torne possível a constituição transcendental de tudo o que é positivoA constituição transcendental, fórmula idealista da correlação, remete à constituição existencial do Dasein, caracterizado propriamente pela existência, opondo-se aos entes que são no modo da presença subsistente aquele ente que somos e que está em questão para si mesmo, sendo suas próprias possibilidades no modo do cumprimento-
Devido a esse modo de ser singular que é a existência, o Dasein pode cumprir função constituinte, referindo-se aos demais entes ao fazê-los aparecer, sendo a correlação a possibilidade mesma do Dasein em sua diferença, relação ativa com o mundo do qual faz parte, e não relatividade do mundo a um absoluto extramundano da ordem da consciência
A concepção heideggeriana do Dasein procede de ter considerado com mais rigor a correlação e as coerções que esta impõe ao sentido do ser do sujeito, conciliando ao definir o Dasein como existência sua intramundaneidade com sua dimensão constituinte-
Heidegger percebe o beco sem saída da perspectiva transcendental husserliana, devida a uma caracterização unilateralmente subjetivista do sujeito, e por isso situa o Dasein no interior do ente, substituindo a alteridade do sujeito husserliano pela diferença do Dasein respeito aos demais entes
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Coloca-se a questão de saber se a intramundaneidade do Dasein pode ficar verdadeiramente fundada ao implicar necessariamente um parentesco, uma comunidade ontológica com os demais entes, e em que medida uma ontologia atida à partição entre existência e subsistência pode dar conta dessa comunidade
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A dificuldade reside em pensar uma continuidade ontológica que contenha a diferença entre o sujeito e os entes ultramundanos, sem que Heidegger, ao sacrificar a univocidade à equivocidade, consiga mostrar como o Dasein compartilha algo com os demais entes
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Heidegger reconhece, no entanto, que o homem nunca é apenas presente-subsistente mas também existe, o que significa que nele se conjugam existência e subsistência, questionando assim, no próprio ente que a fundamentava, a cisão que ele mesmo instaura
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Pode-se replicar que o Dasein não é o homem, que o desafio da analítica existencial consiste em fazer ressaltar o Dasein no homem, e que reconhecer a dimensão subsistente do homem não entra em conflito com a partição do ente, sendo precisamente a presença subsistente que confere ao Dasein a intramundaneidade que permite qualificá-lo como homem
O problema fica apenas deslocado e não resolvido, pois resta entender como a existência pode integrar uma dimensão de subsistência e ser, como tal, existência humana intramundana capaz de comércio fundamental com os demais entes-
Ou se aceita a originariedade e a unidade da existência concreta como existência humana, o Si-mesmo fático ou homem concreto, devendo então concluir que a cisão heideggeriana entre existência e subsistência está fadada a ser questionada, senão superada, ou se pensa essa cisão como última, comprometendo a unidade do próprio homem concreto atestada fenomenologicamente
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O sentido do ser do sujeito, sendo a um só tempo momento do mundo e condição de sua aparição, pode caracterizar-se como vida, ponto em que se articulam existência e subsistência e onde se fundam conjuntamente a pertença ao mundo e a existência no mundo como existência fenomenizadora
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A vida nomeia a existência na medida em que esta se inscreve no mundo e atesta seu parentesco com os demais entes, constituindo o ponto de inflexão da univocidade em equivocidade, perspectiva segundo a qual a leitura das fenomenologias clássicas visa evidenciar a originariedade e a irredutibilidade do viver acima das cisões abstratas, entre as quais figura a distinção heideggeriana entre existência e subsistência
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Se o vivir constitui o sentido originário buscado, o próprio homem em sua humanidade deve ser pensado a partir de sua vida, e a possibilidade de superar a cisão entre existência e subsistência para alcançar o homem em sua irredutibilidade concreta se decide a propósito da questão da vida e de seu estatuto, cabendo saber em que medida a análise heideggeriana da existência integra uma consideração da vida, questão que provoca certa tensão no seio de seu pensamento
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