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TRABALHO, INTRUMENTOS E FERRAMENTAS (CH:§16)

ARENDT, Hannah. A Condição Humana.Tr. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense, 2020 (epub)

  • O aperfeiçoamento extraordinário das ferramentas, dos robôs mudos do homo faber em auxílio do animal laborans, em contraste com o instrumentum vocale dos escravos antigos, tornou o trabalho de manutenção e geração da vida menos penoso sem eliminar a compulsão da necessidade, obscurecendo a condição de sujeição que outrora era manifesta na sociedade escravista e criando o perigo de que, ao ignorar a necessidade, o homem perca a consciência de que sua liberdade depende da luta constante contra ela, sobretudo num contexto em que a revolução industrial e a revolução atômica alteram o mundo sem modificar a condição básica da vida humana.
    • Homo faber como produtor de ferramentas e animal laborans como executor do trabalho vital.
    • Instrumentum vocale como designação antiga dos escravos domésticos.
    • Necessidade como maldição visível na sociedade escravista.
    • Liberdade como tentativa nunca plenamente bem-sucedida de libertar-se da necessidade.
    • Repugnância à futilidade como possível impulso para a liberdade.
    • Revolução industrial e revolução atômica como mudanças do mundo, não da condição humana fundamental.
  • As ferramentas e instrumentos, produtos da obra e não do trabalho, pertencem ao mundo de objetos de uso e são fundamentais para toda fabricação, pois nenhuma obra pode surgir sem instrumentos adequados, de modo que o nascimento do homo faber coincide com a descoberta das ferramentas, que multiplicam a força humana e aumentam a fertilidade do animal laborans em termos quantitativos, embora a qualidade das coisas fabricadas dependa decisivamente da adequação dos instrumentos.
    • Distinção entre trabalho ligado ao consumo e obra ligada à fabricação.
    • Ferramentas como parte integrante do mundo artificial.
    • Contemporaneidade entre homo faber e descoberta de instrumentos.
    • Domínio de forças naturais como animais domésticos, água e eletricidade.
    • Abundância de bens de consumo como efeito quantitativo.
    • Qualidade da obra dependente de instrumentos apropriados.
  • As limitações fundamentais dos instrumentos para aliviar o trabalho vital manifestam-se no fato de que nenhum conjunto de aparelhos ou robôs substitui plenamente o serviço de um criado, como já intuía Aristóteles ao imaginar ferramentas autônomas semelhantes às estátuas de Dédalo e às trípodes de Hefesto que agiriam por si mesmas, pois mesmo que a lançadeira tecesse e o plectro tocasse a lira sem mãos humanas, o artífice poderia dispensar assistentes, mas não os escravos domésticos, já que estes servem à vida e ao consumo contínuo, enquanto o instrumento da fabricação atinge um fim delimitado no produto acabado e o processo vital exige um instrumento vivo, comparável a um perpetuum mobile, conforme Aristóteles na Política e conforme a interpretação de Winston Ashley sobre a teoria da escravidão natural.
    • Aristóteles como antecipador da automação em Política.
    • Dédalo e Hefesto como imagens de ferramentas autônomas.
    • Distinção entre instrumentos da produção e instrumentos da vida.
    • Processo de fabricação como finito e controlável.
    • Processo vital como interminável e consumidor de serviços.
    • Instrumentum vocale como único instrumento à altura da vida.
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