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MUNDO DAS APARÊNCIAS (LM)

ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. Tr. Antônio Abranches e Cesar Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 [ARENDTVE] / The Life of the Mind: the Groundbreaking Investigation on How We Think. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 1981 [LM]

* A formulação das questões relativas ao MUNDO DAS APARÊNCIAS revela a tensão originária entre linguagem e fenômeno sensível, tensão já reconhecida por Aristóteles, Hegel, Wittgenstein, Carnap e Heidegger, indicando que a discrepância entre palavras e o mundo visível impulsionou o nascimento da filosofia e da metafísica [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar Introdução].

  • Carnap identifica a metafísica com poesia.
  • Heidegger aproxima filosofia e poesia na fonte comum do pensamento.
  • Aristóteles reconhece vínculo entre poesia e filosofia.
  • Hegel afirma a insuficiência da linguagem para captar o “Isto” sensível.
  • A oposição entre percepção sensorial e logos marca a história da metafísica.

* O fim da distinção entre sensorial e suprassensorial implica também o colapso do próprio MUNDO DAS APARÊNCIAS tal como compreendido pela tradição, pois ao abolir o “mundo verdadeiro”, conforme Nietzsche em O crepúsculo dos ídolos e A gaia ciência, suprime-se igualmente o mundo aparente [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar Introdução].

  • Parmênides fundamenta a primazia do não sensível.
  • Nietzsche declara abolido o “mundo verdadeiro”.
  • O sensível positivista não subsiste sem o suprassensível.
  • A distinção metafísica sustentava ambos os polos.

* Desde Parmênides e Platão até Kant, a filosofia definiu-se como retirada do MUNDO DAS APARÊNCIAS para uma região reservada aos poucos, mas a dissolução dessa distinção restitui o pensamento à pluralidade humana e elimina sua exclusividade profissional [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar Introdução].

  • Platão associa o filósofo à imortalidade no Symposium.
  • Kant rejeita a exclusividade moral do pensar.
  • A ausência de pensamento não equivale à estupidez.
  • O pensamento não é monopólio especializado.

* A dicotomia entre Ser verdadeiro e Aparência fundamenta-se paradoxalmente na primazia da própria aparência, pois o filósofo abandona o MUNDO DAS APARÊNCIAS porque este, como afirma Kant no Opus Postumum, demonstra a existência de algo que não é aparência [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 2].

  • Parmênides descreve a estrada divina além dos caminhos humanos.
  • Platão formula a periagoge na alegoria da Caverna.
  • Heidegger interpreta a verdade como a-letheia, desocultamento.
  • O espírito espera que algo lhe apareça.

* A ciência moderna, embora busque uma verdade por trás das aparências, não resolve o impasse, pois o cientista permanece pertencente ao MUNDO DAS APARÊNCIAS e compartilha sua estrutura fenomênica [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 3].

  • A perspectiva científica difere do senso comum.
  • A condição de aparecimento não é superada.
  • A verdade científica permanece vinculada à evidência.

* A distinção entre pensamento e vida da alma mostra que o pensamento necessita de linguagem metafórica para aparecer no MUNDO DAS APARÊNCIAS, enquanto emoções e paixões manifestam-se corporalmente, como observam Merleau-Ponty e Kant [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 4].

  • Emoções são experiências somáticas.
  • A linguagem da alma não é metafórica em seu estágio expressivo.
  • O pensamento exige metáforas para preencher a lacuna sensível.
  • O espírito não possui fundo próprio.

* A tese kantiana de que as aparências exigem um fundamento não aparente deriva de analogia com fenômenos vitais, mas a hierarquia ontológica entre coisa-em-si e aparência não se sustenta apenas com base no MUNDO DAS APARÊNCIAS [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 6].

  • Portmann inverte a ordem hierárquica tradicional.
  • A coisa-em-si surge da experiência do ego pensante.
  • A orientação teológica influencia Kant.
  • A base manifesta-se por seus efeitos.

* A identificação do ego pensante como coisa-em-si evidencia uma falácia metafísica originada na experiência do pensamento, como observa Kant e como comenta P. F. Strawson [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 6].

  • O ego pensante não aparece.
  • Pensamentos não se confundem com propriedades pessoais.
  • A razão não é intemporal por apreender verdades intemporais.
  • A falácia decorre da estrutura da consciência.

* A suspensão do senso comum no ato de pensar, como em Descartes e Husserl com a epoché, retira o espírito do MUNDO DAS APARÊNCIAS, instaurando o bios xenikos aristotélico [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 7].

  • O cogito não restaura o senso de realidade.
  • O alheamento acompanha o pensamento.
  • O filósofo vive como estrangeiro.
  • O senso comum garante a sobrevivência.

* A distinção kantiana entre Verstand e Vernunft separa verdade e significado, situando a cognição no MUNDO DAS APARÊNCIAS e o pensamento na busca de sentido que transcende a evidência sensível [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 8].

  • Wahrnehmung indica verdade na percepção.
  • Razão busca significado, não existência factual.
  • Aristóteles distingue logos significativo e logos verdadeiro.
  • Ideias da razão são heurísticas.

* A metáfora constitui a ponte entre o invisível do pensamento e o MUNDO DAS APARÊNCIAS, conforme Aristóteles, Kant e Shelley, realizando a transferência metapherein por analogia [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 12].

  • Metáfora revela similaridade de relações.
  • Kant descreve analogia como semelhança entre relações.
  • Linguagem filosófica é metafórica.
  • Metáfora reintegra o pensamento ao mundo visível.

* A descoberta socrática do dois-em-um, descrita por Platão como diálogo silencioso, mostra que a pluralidade do MUNDO DAS APARÊNCIAS encontra seu correlato na dualidade interna do ego pensante [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 18].

  • O pensamento realiza diferença na identidade.
  • Estar-só não é solidão.
  • A consciência moral deriva do diálogo interno.
  • A pluralidade é lei da Terra.

* A faculdade de julgar manifesta o pensamento no MUNDO DAS APARÊNCIAS ao distinguir o certo do errado e o belo do feio, como sugere Kant, prevenindo catástrofes ao menos para o eu [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 18].

  • Juízo lida com particulares.
  • Pensamento lida com invisíveis.
  • Julgar exige mentalidade alargada.
  • A manifestação do pensamento não é conhecimento.

* A Vontade introduz conflito com o ego pensante ao projetar o futuro no MUNDO DAS APARÊNCIAS, envolvendo impaciência e Sorge, conforme análise de Kant, Bergson e Hegel [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 5].

  • Volição relaciona-se com realização.
  • Esperança e medo acompanham o querer.
  • Projeto nega o presente.
  • A inquietação cessa no agir.

* A primazia hegeliana do futuro integra-se a uma filosofia da história que internaliza o passado pelo esforço do conceito, reconciliando Espírito e MUNDO DAS APARÊNCIAS [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 6].

  • História torna-se parte do espírito.
  • O pensamento assimila o significativo.
  • O acidente é descartado.
  • Reconciliação elimina alienação.

* A metáfora e a analogia garantem a unidade da experiência humana ao manter o pensamento vinculado ao MUNDO DAS APARÊNCIAS, evitando a separação radical dos dois mundos [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 12].

  • Corpo e espírito pertencem-se.
  • A teoria dos dois mundos é falácia razoável.
  • A linguagem une visível e invisível.
  • O pensamento permanece fora de ordem.

* A experiência do Ser como ordem invisível manifesta-se no MUNDO DAS APARÊNCIAS, conforme Anaxágoras, Heráclito e Coleridge, fundamentando o espanto filosófico [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 15].

  • Anaxágoras afirma que as aparências são vislumbre do não-revelado.
  • Heráclito fala da harmonia invisível.
  • Physis gosta de esconder-se.
  • Ser revela-se no espanto.

* A condição humana de finitude estrutura todas as atividades do espírito, pois o ego pensante retira-se do MUNDO DAS APARÊNCIAS sem jamais abandoná-lo, permanecendo consciente do limite temporal [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 19].

  • O ego pensante não está em lugar algum.
  • Conceitos-limite cercam o pensamento.
  • A finitude é infraestrutura espiritual.
  • O sensus communis ancora a realidade.
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