ZARADER, Marlène. L’être et le neutre: à partir de Maurice Blanchot. Lagrasse: Éd. Verdier, 2001..
(…) Num sentido, uma vez que a filosofia se define por sua relação com a exterioridade, a experiência do encontro — com o que surpreende o pensamento — é a sua possibilidade inaugural. Noutro sentido, é claro que a filosofia só aceita esta experiência na condição de ter sido primeiro metamorfoseada, de ter sido despojada do seu fardo de alteridade absoluta para o incluir, de um modo ou de outro, num processo de significação — sendo esta metamorfose precisamente chamada “filosofia”. Nesta medida, o acontecimento específico da síncope, da suspensão (que se define apenas pela sua heterogeneidade), parece incapaz de se inscrever no campo filosófico: antes se apresenta como aquilo que o anula.