A importância da filosofia medieval e a reavaliação heideggeriana: Ao contrário do desprezo cartesiano e da ignorância da cultura francesa moderna (exemplificada por
Sartre), Heidegger reconhece a grandeza e a seriedade da filosofia medieval, vendo nela um “conservatório do ser”. Sua familiaridade com a escolástica, adquirida em seus estudos iniciais de teologia, é profunda e constante—são Tomás é citado já no primeiro parágrafo de
Ser e Tempo. No entanto, seu engajamento com são Tomás é crítico e problemático, determinado por um fator decisivo: o encontro precoce e direto com o grego de
Aristóteles, através do livro de
Brentano oferecido pelo padre Gröber. Este acesso imediato ao texto aristotélico permitiu a Heidegger medir o “abismo perturbador” que separa o pensamento grego originário de sua interpretação latina e cristã na escolástica tomista.