O encontro que, como evento, não se inscreve em um mundo prévio, em meu mundo, neste “Welt” (mundo) a cada vez meu (je meines) que Heidegger afirma ser um constituinte ontológico do Dasein.
O encontro que introduz no mundo sempre “meu” a estranheza de um mundo “outro” (incomparavelmente), o mundo do outro.
O evento que transforma o mundo do adventício de ponta a ponta.
O evento que providencia o acesso ao mundo do outro, ao qual não se poderia aceder por si mesmo.
O evento que permite “ver” o próprio mundo e a si mesmo a partir do mundo do outro.
O encontro que significa, para o adventício, uma metamorfose do mundo ao romper o mundo solitário e introduzir possíveis que nele não se prefiguravam.
A citação de Kafka em uma carta a Milena: “O que me acontece (was geschieht) é algo formidável (Ungeheuerliches; literalmente: de imenso, de assustador), meu mundo se desmorona e meu mundo se edifica (meine Welt stürtz ein, meine Welt baut sich auf)… De sua queda, eu não me queixo, ele estava se desmoronando, eu me queixo de sua edificação, eu me queixo de minhas fracas forças, é de nascer que eu me queixo, é da luz do sol.”