Para estender a validade desse conceito além do exemplo privilegiado de
Aristóteles — a tragédia grega e, em menor grau, a epopeia —, propõe-se definir a concordância discordante, característica de toda composição narrativa, pela noção de síntese do heterogêneo, dando conta das diversas mediações que a intriga opera — entre o diverso dos eventos e a unidade temporal da história narrada; entre os componentes díspares da ação, intenções, causas e acasos, e o encadeamento da história; enfim, entre a pura sucessão e a unidade da forma temporal —, mediações que, no limite, podem perturbar a cronologia a ponto de aboli-la, explicitando essas múltiplas dialéticas a oposição, já presente no modelo trágico de
Aristóteles, entre a dispersão episódica do relato e a potência de unificação exercida pelo ato configurante que é a própria poièsis