Proveniência das espécies

MARTINEAU, Emmanuel. La provenance des espèces: cinq méditations sur la libération de la liberté. Paris: Presses universitaires de France, 1982.


Prefácio

1. Os cinco textos reunidos neste pequeno livro, escritos entre 1976 e 1979 e publicados em revista entre 1978 e 1980, conservam aqui sua data e se mantêm em seus estreitos limites, apesar de alguns acréscimos e de remanejamentos de detalhe.

2. Estas meditações preparam o Prefácio à Consideração, que em breve deve vir à luz e que se destina a abrir caminho para cinco Considerações fenomenológicas, sendo que o “programatismo” expresso por essa sucessão de patamares pertence à essência sempre desconhecida da fenomenologia, não para distinguir etapas de um progresso, mas pela necessidade de dar figura à posição em que se está em cada uma delas, e sobretudo na primeira.

3. A meditação, enquanto atitude aqui adotada, não designa mais a autonomia da representação nem um estágio inferior à consideração, mas indica apenas o cuidado (Sorge) com uma assunção radical de nossa finitude (Endlichkeit), cujos sinais de possibilidade se encontram na tradição e na pintura contemporânea.

4. No lugar, doravante reconhecido como tal, a verdade, para usar uma palavra cada vez mais inapropriada, é uma economia.

5. A expressão “Proveniência das espécies”, que dá título adequado tanto ao conjunto quanto ao início deste trabalho, não se inspira em A origem das espécies de Darwin, nem mesmo por alusão humorística, mas deve ser entendida simplesmente como uma homenagem conjunta a Heidegger e à tradição, ambas unidas pelo caráter da sobriedade.