A redução fenomenológica operada pelo quadro reconduz o visível a uma superfície plana, a uma fachada que anula a profundidade, e essa escolha pela forma plana é um ato de método para destruir a ilusão e revelar a verdade.
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Rothko descobriu que a fachada plana não permite pintar a figura humana sem mutilá-la, pois a face, o rosto de outrem, não pode ser reduzido à visibilidade plana, exigindo uma outra via de manifestação, como a da responsabilidade e do encontro.
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A face não aparece como um visível, mas se manifesta por meio de uma contra-intencionalidade, dirigindo seu olhar ao sujeito e impondo-lhe uma responsabilidade, o que a torna incompatível com a fachada do quadro.
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Rothko optou por se “mutilar” como pintor, renunciando a pintar a face diretamente para não a matar na visibilidade plana, e com isso, ele marca eticamente o que o ídolo mascara: a face de outrem.
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O ídolo, que reina soberano na pintura moderna, não pode dar acesso à face de outrem, e o pintor que transgride esse interdito ético corre o risco de se tornar cúmplice de um assassinato do humano, mas Rothko, mesmo com sua mutilação, manteve uma preocupação com o drama humano, a mortalidade e a tensão, expressando-as indiretamente por meio da variação cromática.
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A Chapelle de Houston, com suas pinturas escuras, exemplifica a tensão entre a fachada e a face, entre o ídolo e o ícone, em um espaço desprovido de um olhar que o habite, um templo vazio que deseja um olhar que não vem, e que revela a impossibilidade de o quadro, por si só, dar acesso ao que é mais íntimo e humano.