A fenomenalidade do fenômeno pode ser pensada além da simples presença permanente diante do olhar da consciência, questão que remete à autoridade reconhecida à presença enquanto critério de fenomenalidade
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Heidegger, no parágrafo 7 de Ser e Tempo, define fenômeno como o que-se-mostra-em-si-mesmo, admitindo casos desviantes como simples aparência, indício ou aparência enganosa, mas subordinando-os à compreensão originária do conceito
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Diferentemente de
Husserl, Heidegger não reduz o fenômeno à presença para uma consciência, pois a monstração parte de iniciativa própria do fenômeno, cuja visibilidade se decide antes de toda evidência e pode, por isso mesmo, também se ausentar
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O recoberto é definido como contraconceito de fenômeno, não como seu oposto simples, mas como contrajogo que inscreve a manifestação na própria dissimulação, de modo que manifestar consiste em retomar o que permanecia encoberto
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A fenomenologia ultrapassa o uso vulgar do termo fenômeno justamente por tornar manifesto não o que já se mostra, mas o que permanece oculto e que constitui o sentido e o fundamento daquilo que aparece de início
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O ser-recoberto configura-se como contraconceito ao fenômeno, e as dissimulações por recobrimento — acidentais ou necessárias — constituem o tema primeiro da consideração fenomenológica, incluindo o risco de fossilização de toda proposição fenomenológica comunicada
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O questionamento fenomenológico pode iniciar no mais compreensível sem que os fenômenos estejam abertos à luz do dia, permanecendo o perigo constante de desvio e extravio como sentido mesmo da fenomenologia enquanto pesquisa que desobstrui
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O fenômeno husserliano se define pela evidência e nela se encerra, enquanto o fenômeno heideggeriano, originando-se na ascensão ao visível do ainda-não-visível, implica por princípio o inaparente da aparição, de modo que o jogo entre aparente e inaparente substitui a certeza do objeto para a consciência