Quarto argumento: O próprio dom dado deve ser colocado fora de jogo. “Na limiar, o dom
como dom não deveria aparecer: nem ao donatário, nem ao doador.”
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A entrada do dom na visibilidade o objetiva, o adapta à troca econômica e o subtrai à doação.
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O que destrói o dom é a presença, entendida como subsistência permanente da entidade. “Se o presente lhe é presente como presente, esse simples reconhecimento basta para anular o dom.”
O resultado é uma aporia dupla que fecha o caminho do dom para entender a doação.
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Se o dom se apresenta na presença, ele desaparece na doação para se inscrever no sistema econômico da troca.
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Se o dom não se apresenta, ele não aparece de forma alguma, fechando toda fenomenalidade da doação.
O dom fecha a doação
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As duas objeções analisadas (a redução à causalidade e a aporia derridiana) convergem para um único obstáculo: o dom não serve como fio condutor para pensar o “pli” (dobra) do dado com a doação.
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O dilema é estrito: ou o dom se efetiva e se abole imediatamente como objeto neutro, ou ele recusa esta presença neutra, mas deve desaparecer.
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Em ambos os casos, o dom nada esclarece sobre a doação; pelo contrário, serve como argumento contra a possibilidade de acessá-la.
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A aporia do dom parece assim engolir a doação, tornando urgente encontrar outro caminho para pensar sua fenomenalidade.