No âmbito dos estudos literários, a influência da hermenêutica consolidou-se progressivamente, superando o interesse pelo estruturalismo francês e rejuvenescendo-se nos departamentos de literatura comparada americanos, tendo como um de seus resultados mais notáveis a Escola de Constança, iniciada por Hans Robert Jauss com sua estética da recepção. Jauss apropria-se da história dos efeitos de
Gadamer para formular a tese de que a historiografia literária decorre da interação dialógica entre texto e leitor, onde a obra é um evento que requer recepção para alcançar sua existência verdadeira, embora Jauss critique
Gadamer quanto ao conceito de clássico e argumente que o texto determina o horizonte de expectativas, ao passo que para
Gadamer o texto apenas fornece o impulso e a compreensão é o evento incontrolável da mudança de horizonte. A esta escola filia-se também Wolfgang Iser, desenvolvendo uma fenomenologia da leitura baseada em Roman
Ingarden, enquanto na musicologia a influência gadameriana é reconhecida em Carl Dahlhaus, que incorpora teses hermenêuticas em sua teoria musical, diferenciando-se apenas na compreensão do intervalo temporal, onde as afinações do passado tornam-se momentos constitutivos da execução presente.