FRANCK, Didier. Heidegger, Ser e Tempo. Aula de 2005
A Explicação de Texto
1. A primeira tarefa consiste em restituir a questão da verdade à economia de conjunto da analítica existencial, lembrando que o problema fundamental é a questão do ser, que passa por uma analítica do Dasein, cuja existência se distingue da subsistência e que é seu aí, ser-no-mundo compreensivo cuja abertura (Erschlossenheit), sítio do aparecer constituído pela compreensão, pela disposição afetiva e pelo discurso, recupera o sentido primeiro da aletheia grega, colocando-se o problema de como a definição tradicional da verdade como adequação se articula com essa verdade como descobrimento, que só deixa de parecer arbitrária se se mostrar que é pressuposta pelo conceito tradicional, do qual a adequação pode ser derivada, o que exige uma retradução do texto.
2. O texto analisado começa no final da p. 223.
3. O ser junto ao ente intramundano, a ocupação, é descobridor, pois é o próprio ser do Dasein como ser-no-mundo cujo ser é cuidado, unidade dos três momentos, engajado numa relação com entes que não são ele, e à abertura do Dasein pertence essencialmente o discurso, pelo qual ele se exprime enquanto descobridor do ente e sobre o ente descoberto no enunciado, sempre logos tinos, cuja função apofântica mostra, e comunicativa, que supõe o ser-com, transmite o ente em seu ser-descoberto, de modo que quem recebe a comunicação se volta não para a frase, mas para a coisa de que se fala, conservando o enunciado o ser-descoberto do ente, até que o próprio enunciado se torna utensílio, repetível e transmissível, e, por essa conservação, algo disponível que mantém uma relação com o ente de que fala, relação que se converte numa relação entre dois entes, fossilização inevitável pela qual toda fala acaba por recair e todo enunciado se torna utensílio.