Alega-se que a análise do Dasein se ocuparia apenas da existência individual, sendo incapaz de explicar as relações interpessoais.
Contudo, a abertura originária do Dasein desvela não apenas coisas, mas outros entes que existem do mesmo modo, isto é, como Dasein.
“Outros” não significa aqueles dos quais se difere, mas aqueles entre os quais se existe cotidianamente.
“Com” indica que o Dasein, enquanto Dasein, existe sempre com outros de sua mesma natureza.
A existência é desde o início ser-com, e o mundo do Dasein é essencialmente Mitwelt, mundo-comum.
Não existimos primeiramente como sujeitos isolados que depois entram em relação, mas já estamos juntos no mundo, compartilhando os mesmos entes na luz comum de nossas existências.
Por isso, a daseinsanálise não sustenta individualismo egotista, mas fornece fundamentos sólidos para as ciências sociais, a psiquiatria social e a psicanálise social.
Todo sintoma psicopatológico deve ser compreendido como perturbação no tecido das relações sociais que constituem a existência humana.
Assim, todo diagnóstico psiquiátrico é, em última instância, uma afirmação sociológica.