O argumento central de
Husserl é que esquecer a origem da geometria equivale a esquecer a natureza histórica de disciplinas como ela, o que é importante porque a geometria expressa em sua forma mais pura o que
Husserl chama de atitude teórica — a postura que as ciências naturais adotam diante de seus objetos —, de modo que reativar a origem da geometria é recordar como a atitude teórica das ciências pertence a um contexto social e histórico específico, o que
Husserl chama de mundo da vida (Lebenswelt); o ponto crítico e polêmico de
Husserl — desenvolvido em uma crítica ao cientismo — é que a atividade científica, desde Galileu, resultou em uma matematização da natureza que negligencia a dependência necessária da ciência em relação às práticas do mundo da vida, e é essa situação que
Husserl chama de crise.