A temporalidade originária, que constitui a estrutura do si-mesmo como ser-aberto ao ser enquanto ser, abre-se à possibilidade da palavra.
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A Palavra é a origem mesma da ek-sistência transcendente própria à ipseidade.
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Ao falar, o si-mesmo atesta que está entregue ao ser como Palavra, à qual responde por sua estrutura de falante.
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A questão sobre se o homem possui a palavra ou é por ela possuído encontra uma solução natural.
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O homem é capturado por sua capacidade de falar, que não escolheu.
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A capacidade de fala é, ela mesma, uma resposta ao envio de uma Palavra originária, a do ser.
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Tomar cuidado com o fenômeno da palavra do si-mesmo é constatar a guinada pela qual o ser aparece como regente da estrutura presentificante do si-mesmo.
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Estamos no ser como em uma palavra, e na palavra como no ser.
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A margem que nos permite nos voltar para o ser já está compreendida em sua própria verdade, sendo correlativa do apelo.
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Da mesma forma, só sabemos que falamos e podemos tomar distância da linguagem porque esta própria linguagem nos dá a vê-la e nos olha.
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A unidade da essência do pensamento é revelada: não há diferença entre ver e ouvir no contexto da relação com o ser como Palavra.
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Só é possível ver o ente porque sua presença bruta sempre já nos interpelou e convocou.
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Só é possível ouvir a Palavra do ser pronunciada na presença de cada ente porque já vimos o espaço noturno onde o ente instala seus contornos.
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Saber olhar é entrar no silêncio opulento da Palavra do ser.
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O exemplo de Mozart ilustra a indiferenciação entre audição e visão na gênese da obra, revelando a unidade da essência do pensamento.
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A essência do pensamento é uma unidade inaparente de apreensão pelo olhar e pela audição, confiada ao homem como ser pensante.
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A simultaneidade da escuta na visão de Mozart o mostra como um receptáculo transparente para a vinda à presença.
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Ele exemplifica a tarefa da ipseidade humana: a Entschlossenheit para o Seinlassen (deixar-ser).
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Como instrumento musical de Deus, Mozart apaga sua individualidade para transmitir o dado, obedecendo à Palavra.