A Tradição da Clareza Francesa versus a Obscuridade Germânica Existe uma guerra estilística e epistemológica secular que opõe a tradição filosófica francesa, caracterizada pela linha clara e pela prosa acessível de pensadores como Montaigne,
Descartes, Diderot, Maine de Biran, Auguste Comte,
Bergson e Bachelard, à tradição do idealismo alemão e da universidade prussiana inaugurada por
Kant, que valoriza a complexidade sintática e a criação de neologismos obscuros como garantias de profundidade teórica; neste contexto, Albert Camus insere-se decididamente na linhagem francesa da clareza, escrevendo para ser compreendido e para auxiliar na existência, o que lhe vale o desprezo da casta filosófica dominada pelo modelo hegeliano e sartriano, para a qual a inteligibilidade é sinônimo de superficialidade e a escrita obscura é a única digna de comentários acadêmicos, gerando o paradoxo de autores que escrevem para não serem lidos, mas glosados, enquanto Camus acumula leitores reais para além das salas de aula.