CHAMBON, C. Logique de la finitude: essai sur l’expérience de la réalité. Strasbourg: Presses universitaires de Strasbourg, 1990, p. 53-55.
Presença do horizonte
1. O problema da idealidade da transcendência é o do estatuto da idealidade invisível, questionando-se como o homem pode ser atravessado por pensamentos que não vê, ainda que Merleau-Ponty tenha também falado de uma visão do mundo, estabelecendo relação entre a faculdade de ver o horizonte e a ausência de pertencimento real ao mundo.
2. Ressalta-se a contradição constituída pela inobjetividade dos limites e pela afirmação contrária, meio evocada meio defendida, de sua visão, ligando-se esse tema à preeminência do vidente em quem se reúne o Todo do campo de visão, sendo o agrupamento do visível em campo totalitário análogo a uma visão segundo Merleau-Ponty.
3. No texto em que ataca a filosofia de Sartre, Merleau-Ponty resume a posição deste, criticando o caráter apriorístico da visão sub-repticiamente avançado por ele, segundo o qual seria o nada constitutivo da consciência que faria tanto a distância do ser quanto sua proximidade.
4. Merleau-Ponty faz observação análoga a respeito de Kant na Fenomenologia da Percepção, segundo a qual uma filosofia como o criticismo pressupõe que o pensamento do filósofo não está sujeito a nenhuma situação, partindo do espetáculo do mundo para encontrar a condição que o torna possível num Eu transcendental.
5. Se o visível é remetido ao espectador, é necessário que este conheça o campo do visível em sua reflexão sobre si mesmo, devendo aparecer o campo do visível pelo qual os aspectos das coisas lhe são oferecidos e conduzidos a seus limites, sendo na filosofia clássica o sujeito, sujeito da representação.
6. Ainda que rompido, um vínculo ao ser permanece contido no saber de si de um sujeito representante, tendo Hume percebido o problema colocado ao ceticismo ao criticar o valor do conhecimento sensível e desvalorizá-lo em representação, incorrendo em contradição.
7. Kant quis ser rigoroso, exigindo a crítica do conhecimento e a separação entre coisa em si e fenômeno a fundação do ceticismo como atitude rigorosa, requerendo a substituição do saber pela fé racional a delimitação, pelo próprio saber, do campo de seu alcance.
8. Este é o sentido da distinção entre balizas e limites do conhecimento, sendo o verdadeiro ceticismo aquele que não se aventura na extensão do conhecimento e esbarra em suas balizas contingentes, traçando de antemão a carta ou o plano geográfico de seu domínio.
9. O horizonte do conhecimento é um horizonte negativo, tangencial ao círculo finito de nosso domínio, que revela seus limites sem nos fazer sair dele, questionando-se como conheceríamos os limites de nosso conhecimento humano se não pudéssemos vê-los.
10. Em Kant, a delimitação do campo da sensibilidade não pode fazer-se no próprio plano desta, requerendo a ação do entendimento, indicando o fenômeno uma relação a um objeto fora dele, remetendo a limitação que o constitui ao ser-em-si como àquilo que lhe escapa.
11. Cabe a uma faculdade não sensível pensar o ser, a fim de conferir à sensibilidade os limites que ela reclama, pensando o entendimento o ser-em-si como numeno, sendo este o ser-em-si em sentido negativo, não procurando ao entendimento extensão positiva alguma rumo ao absoluto.
12. Ao limitar a sensibilidade, essa ação dá o em-si de modo negativo, apenas para fazer vir essa limite a si mesma, de sorte que a ação do entendimento a ela se reduz por retorno, sendo o Todo que mede o conhecimento considerado no interior de seus próprios limites.
13. Tal é o sentido da definição a priori dos limites, havendo uma visão mental do horizonte que mede a sensibilidade e atesta a finitude de nosso acesso às coisas, sendo por se tratar de visão mental que estamos encerrados nos limites de nossa perspectiva sensível.
14. A objetivação vazia do horizonte é um aprisionamento nos limites que ela produz, e também a incapacidade de desembocar no próprio horizonte, sendo a visão mental do horizonte sua perda.
15. O único conhecimento possível seria, pretensamente, o conhecimento objetivo, a relação frontal de sujeito e objeto, onde o objeto aparece sempre sobre o fundo transbordante do horizonte, jamais sendo apreendido o horizonte total e definitivo de todo conhecimento, pois um horizonte só pode ser conhecido, por sua vez, sobre o fundo de outro.
16. Cai-se necessariamente no círculo vicioso constituído pela impossibilidade de conhecer o sujeito transcendental que constitui a forma de todo conhecimento, valendo isso também para sua autoconhecimento, conhecendo-se o sujeito apenas determinado pelas formas prévias de sua representação, elas mesmas incognoscíveis.
17. A extensão máxima da representação significa que a forma de todo conhecimento, o horizonte sensível, pertence ao sujeito enquanto delimita a extensão possível de seu conhecimento, ligando-se a impossibilidade de uma experiência do horizonte ao estatuto transcendental deste.
18. Essas análises fazem aparecer a diferença que separa a visão do horizonte, em sentido objetivo, daquilo que seria sua experiência efetiva, pois ver o horizonte é repeli-lo ao infinito, conferindo-lhe caráter de horizonte, tornando-se impossíveis sua experiência e seu caráter de totalidade.
19. Merleau-Ponty acrescenta que “é preciso que haja sempre limite; o que é ganho de um lado é preciso perdê-lo do outro”, não sendo a limite fronteira objetiva visível nem, portanto, intransponível, não tendo contornos nítidos o campo de visão, no qual não estamos encerrados, passando a experiência espontaneamente à totalidade do horizonte.
20. O horizonte só engloba nossa visão e constitui por isso campo de pertencimento se os limites de nossa visão forem insuperáveis, sendo aquilo que nossa visão não pode repelir para além de si mesma, sendo necessário estarmos condenados à nossa situação de espectador externo para que o horizonte se ateste também como aquilo que nos engloba.
21. Kant não deixou de notar isso, sendo o objeto pelo qual pensamos o X por trás dos fenômenos, o numeno ao qual reportamos nossas sensações, a estranheza do em-si no fenômeno, permitindo essa estranheza que o diverso sensível seja percebido como tal.
22. Vê-se mal como os limites vêm verdadeiramente a si mesmos se o entendimento fornece a unidade necessária ao estabelecimento dos limites da intuição, não contendo esta o momento de seu objeto, questionando-se como o sujeito estaria situado no entre-dois do conhecimento.
23. Para que o sujeito esteja no entre-dois e seja promovido a espectador, é preciso que o objeto da intuição seja dado, bem como o campo da distanciação, sendo necessário, para que as fronteiras que separam objeto e sujeito sejam fronteiras, que o além do qual elas nos separam esteja de algum modo presente.
24. O que se coloca aqui, no fundo, é o problema do estatuto da representação, da objetivação horizontal, aparecendo esse problema ao filósofo que reflete sobre a inerência do sujeito representante ao campo da representação, significando este que a abertura reportando um ao outro sujeito e objeto se tece por si mesma, sem estar sob poder do sujeito.
25. A abertura é anterior ao sujeito, embora se realize nele, requerendo uma testemunha situada em face dos existentes, que os aborda de fora, a seu ponto de vista, sendo a antecedência aquela da abertura em relação à sua realização na relação sujeito-objeto, uma preeminência da operação sobre o resultado.
26. Heidegger assinala, em “O Princípio de Razão”, trecho do primeiro livro da Física de Aristóteles, no qual se evoca a questão da absolutidade da abertura, distinguindo Heidegger, ao comentá-lo, entre o que é mais manifesto para nós e o que é mais manifesto em si.
27. O em-si da manifestação é o fenômeno da automanifestação do ser e o movimento autônomo de sua abertura, sendo o campo do ser manifesto de si porque se abre de si mesmo, não dependendo de nós que o vejamos ou não, sendo sua presença constante e o mais manifesto, impondo-se e não podendo cair no esquecimento.
28. Essa presença sempre salva, reunida e constante do campo da abertura constitui um enigma, pois questiona-se para quem ela é manifesta-em-si, não podendo sê-lo apenas para o homem, precisando esclarecer-se antes o que consiste o mais manifesto para nós, a face do ente à qual estamos tão acostumados que tendemos a não considerar outra evidência.
29. É preciso arrancar o conhecimento dessa visão para devolvê-lo ao ser, significando o acostumamento desviante à visão que a iluminação própria e natural do ser recai sobre o aspecto, a forma do ente oferecida ao olhar do homem, parecendo esse recaimento justificar uma apropriação humana da luz.
30. A abertura é esquecida por ser confundida com o olhar avante do homem, consistindo o conhecimento devolvido ao ser numa visão anterior à visão sobre a determinação, sendo o conhecimento no ser e pelo ser ainda uma vista, mas a vista que se opera de si mesma, que não vem do homem, o poder que institui o homem como vidente.
31. A vista do ser no ser já não é, portanto, literalmente um olhar, o olhar obstinado sobre a face do ente, sendo antes a essência da vista, questionando-se como pode haver visão em si estando a visão ligada ao vidente, não supondo toda visão alguém e não sendo sempre também visão de algo.
32. Heidegger esclarece a natureza da manifestação em si, afirmando que aquilo pelo qual essas coisas, de si presentes, chegam à presença e à eclosão, nunca se encontra em face de nós como as coisas presentes aqui e ali a cada momento, oferecendo antes o caráter de se reter e permanecer de certo modo na sombra.
33. A automanifestação do ser garante a das coisas, permitindo-lhes mostrar-se de si mesmas no face a face, implicando que o olhar do homem sobre as coisas não seja de sua autoria, advindo antes como necessidade, que o campo da abertura esteja previamente aberto em seu reino.
34. Essa percepção primeira não é objetiva, pois o campo da abertura nunca faz face e nunca é algo, não se resumindo por isso na vista do homem, estando esta fundada na percepção de uma dimensão invisível, permanecendo essencial a questão de como entender essa ausência de visão característica da percepção do horizonte.
35. Os propósitos de Heidegger caracterizam-se por notável ambiguidade, consistindo em duas afirmações aparentemente contraditórias, uma sobre o caráter constante da presença do ser, evocando o “quem se ocultará do fogo que não se põe” de Heráclito, outra sobre seu caráter de retraimento ou ausência.
36. A não-facialidade do campo do Ser é interpretada como presença em modo de ausência, questionando-se se o não estar em face, o não ser objeto, equivale a um retraimento, a uma ausência para o conhecimento, e como falar da presença constantemente salva do Ser e de sua iluminação primitiva.
37. Definir como retraimento e ausência o caráter inobjetivo da presença do campo de eclosão é considerá-lo do ponto de vista da consciência de objeto, o que contradiz a secundariedade reconhecida dessa vista, permanecendo a natureza de uma manifestação em si mergulhada na obscuridade.
38. Compreende-se o que significa esse modo das coisas se fazerem ver pelo homem, de se voltarem para ele, destruindo a ideia de abertura assim a ideia tradicional de representação, permanecendo contudo difícil apreender como isso pode ocorrer sendo o espectador o polo necessário da manifestação das coisas.
39. Questiona-se como a visão que requer o homem e lhe é relativa pode operar-se sem ele, antes dele, e o que seria a manifestação em si do campo da eclosão implicada nessa operação, devendo tratar-se de manifestação que, oferecendo o Ser, não o reabsorva em sua percepção.
40. Uma manifestação em si só é possível se aquilo que se manifesta não cair sob o golpe do esse est percipi, não podendo aqui, porém, como para as coisas, haver o transbordamento rumo a um horizonte que caracteriza sua percepção e as impede de se reabsorver no aparecer, sendo o próprio horizonte que aparece.
41. Isso supõe que o horizonte não seja por sua vez transbordado por novo horizonte, dando-se por inteiro, imediatamente, questionando-se como pode tratar-se de manifestação em si, da manifestação de algo que não se reabsorve no conhecimento.
42. A resposta talvez esteja contida na própria pergunta, pois conhecer o Todo não é reduzi-lo ao conhecimento, senão já não se trataria precisamente do Todo, sendo esse conhecimento incapaz de reduzir seja o que for a si mesmo, permanecendo afetado e transbordado.
43. A noção de uma aparição do horizonte põe em jogo toda a questão da filosofia, pois enquanto o horizonte é pensado, como em Kant, como função transcendental da fenomenalidade externa no pleno exercício de seu desdobramento, parece esgotar-se em escavar distância que o impede de aparecer em si mesmo.
44. Ele é então apreendido unicamente em seu retraimento, que o condena a permanecer em reserva da emergência que promove, não abrindo seu transbordamento, enquanto condição dos limites da fenomenalidade, sobre nada além das coisas aparecentes, nada que esteja no absoluto.
45. Pensar, ao contrário, sua própria aparição confere-lhe a possibilidade de estar presente enquanto tal, no Todo de seu ser e na unidade de sua envergadura, arrancando-o em certa medida da alienação que o afeta no processo da exteriorização radical, libertando-o de sua exaustão fenomenal.
46. Isso o admite como transcendência absoluta e real do ente, devolvendo-o à sua própria unidade antes que seu movimento de exteriorização se tenha totalmente cumprido até sua perda, questionando-se se essa perda é seu esgotamento ou seu nascimento, ou se seu esgotamento não é ele mesmo seu cumprimento e sua vinda.
47. Questiona-se se a manifestação do horizonte no absoluto não seria um contrassenso, pois sendo o horizonte a condição da limitação do fenômeno e o espaçamento responsável pela finitude do conhecimento, o que traça a fronteira que nos impede de acessar o em-si, como poderia oferecer-se a si mesmo em proximidade imediata e sem limites.
48. Esse argumento não parece válido, pois o que está em jogo é precisamente a noção de cumprimento do limite, não sendo o cumprimento um fim, não tendo o nada jamais o poder de se cumprir, pois o nada nada produz, sendo o cumprimento do limite, a vinda do limite a si mesma, o cumprimento da função do horizonte.
49. A completude do limite é a completude de sua condição, e a doação a si dessa condição como totalidade do limite, não se perdendo o horizonte na vinda do limite, mas nela se realizando e vindo a si em seu Todo, não podendo o cumprimento ser um fim, um esgotamento.
50. Do que morre não se pode dizer que se cumpra, ou então são as próprias noções de fim e de perda que merecem ser pensadas na multiplicidade articulada de suas significações, supondo o cumprimento de uma condição relação ao nada, cuja instituição importa examinar.
51. Se a efetuação do fundamento é sua terminação no limite, mas essa terminação é pensada como desaparecimento radical, resta apenas o nada, não se vendo como o nada, que nada é, poderia sustentar o limite, tendo a implicação do nada na promoção do limite sentido bem distinto.
52. O cumprimento supõe o nada e revela-se assim cumprimento necessariamente finito, pois enquanto término vai até o fundo do nada, isto é, o supera e o faz advir como nada, não tendo o nada existência própria, sendo apenas o elemento necessário ao ato da vinda que o supera e o faz advir como nada.
53. A perda do fundamento em sua efetuação não é, assim, senão seu engajamento absoluto, seu total investimento em seu ato, sua formação e autotransformação no limite, sendo o cumprimento do horizonte seu reabastecimento, seu recolhimento, sua base para novo impulso.
54. É a própria operação que se nutre de seu cumprimento, não para cessar, mas para continuar, sendo a limite resultado da operação não porque esta se dissolva em seu resultado, mas porque o resultado dá a operação a si mesma e a torna presente a si.
55. Justamente por ser o horizonte apenas função distanciadora, não pode ele existir sem o limite que promove, não sendo nada de transcendental, não apontando para um além dos entes, não caracterizado por tensão alguma rumo a uma transcendência do mundo, sendo apenas a operação de distanciar.
56. Longe de ser quadro estático anterior aos entes, o horizonte é atividade, movimento que só se cumpre na e pela vinda dos entes limitados à cena de toda limitação em geral, não sendo o cumprimento da exteriorização no teatro da comparência sujeito-objeto o esgotamento da Área que desdobra a extensão do teatro, mas sua efetuação verdadeira.
57. Essa efetuação implica sua parusia, dando o resultado da operação sua própria possibilidade, sendo essa possibilidade tornada existente, não fazendo o resultado senão relançar o resultado em seu fim, podendo-se dizer de um movimento essencialmente obra e operação que cada uma de suas efetuações o realiza.
58. Em cada resultado o movimento chega a seu término, instalando-se seu possível em si mesmo, de sorte que conserva reserva e obtém a possibilidade de continuar e prosseguir além do resultado obtido, sobrevindo pelo resultado a preeminência da operação sobre o resultado, a integridade mantida da operação, a potência de reserva.
59. Pode-se assim pensar que a objetivação com o que a caracteriza, a vinda extrema dos limites a si mesmos de ambos os lados, do lado objeto pela fachada, o retraimento e os perfis, do lado sujeito pela finitude de sua perspectiva e o reenvio a si, é o cumprimento da condição dos limites e a vinda a si da própria condição.
60. Chegado a seu termo, esse processo apenas remete a seu possível e à potência infinita e jamais alterada do movimento que o funda e que, na integridade e unidade de sua operação enquanto operação, lhe é anterior por reunir-se em si e por si na potência de seu dinamismo eternamente recomeçado.
61. Haveria assim dois sentidos e duas camadas do aparecer: o aparecer objetivo, totalmente objetivo e relativo ao homem, e que remeteria a um aparecer-em-si, para ninguém, onde a luz seria dada a si e se confundiria com a própria existência.
62. Nesse aparecer absoluto, onde o movimento da manifestação não estaria completamente desdobrado, a operação incessante se retomaria em cada efetuação, em razão do recolhimento em si da emergência, remetendo o aparecer objetivo do pleno desdobramento, por seu próprio cumprimento no desdobramento, ao movimento da operação em si mesma recolhida.
63. A reserva do horizonte não deve ser entendida como o nada ou a pura ausência, mas como a persistência da operação em si mesma, sua obra e seu inacabamento real, sendo esse inacabamento real a presença a si da operação, o gozo de seu possível.
64. Esse inacabamento se cumpre num aparecer essencialmente diferente do aparecer objetivo, e enquanto a presença é pensada em termos de proximidade objetiva, de face, de face a face entre sujeito e objeto, a reserva horizontal que ao mesmo tempo constitui e desmente essa presença não pode ser pensada como contendo em seu cerne presença primeira e absoluta do horizonte a si mesmo.
65. Ela significa apenas a impossibilidade de uma presença plenária no sentido da presença objetiva, mas como essa impossibilidade implica a perfeição dos limites que nos separam do ser, é natural pensar na presença em si da condição, tratando-se então de aparecer fundamentalmente diferente do aparecer objetivo.
66. Tratar-se-ia do aparecer da operação a si mesma, não de um objeto estático, e nisso do aparecer de um processo anterior ao conhecimento objetivo, não podendo tratar-se de saber objetivamente perfeito, mas antes de presença-a-si perfeita, porém de um ser inacabado, sob o modo de uma proximidade não facial.
67. Tratar-se-ia de um aparecer-em-si, isto é, de um primeiro nível da manifestação, de uma luz onde a luz, dada a si, não iluminaria um existente que a transborda, mas se confundiria com o existente que ela mesma é, significando aparecer, nesse plano, perfeita adequação do saber e da existência.
68. Ao em-si do conteúdo manifestado deveria corresponder o em-si de sua manifestação, significando isso sua coincidência numa comum essência do conhecer e do ser, sendo o caráter não visual desse conhecimento sem dúvida indício da natureza dessa coincidência.
69. A meditação sobre a essência em si da representação aproxima de questões essenciais, entre elas a antecedência da manifestação ao sujeito e o paradoxo de uma manifestação “sujeito” no homem, esta última questão permanecendo ainda por aprofundar.