Relata a desconfiança inicial diante de Heidegger, sucessor de
Husserl em Friburgo desde 1928, conhecido apenas por ouvir dizer, e cuja terminologia da angústia e do nada lhe parecia suspeita, talvez romantismo
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Conta ter encomendado Sein und Zeit após as férias de 1942, já professor no liceu Ampère em Lyon, texto do qual seu amigo Joseph Rovan, virtuose de documentos falsos, já traduzira algumas páginas para a revista Arbalète, descobrindo rapidamente em Heidegger filosofia bem distinta daquela que lhe ensinaram
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Relata quase dois anos de trabalho com Rovan e outros, até a partida destes para Dachau, sendo surpreendido em 6 de junho de 1944, ao vigiar o baccalauréat e decifrar Sein und Zeit, pela irrupção de um inspetor anunciando o desembarque
Situa nesses anos de leitura a origem dos artigos publicados entre 1944 e 1946 na revista Confluences, nos quais busca explicar
Husserl e Heidegger
Relata, de modo anedótico, ter avistado certa manhã, em Terre des hommes, fotografia de Heidegger conversando com soldados aliados sob a legenda “Qu'est-ce que la métaphysique?”, identificando mais tarde, no Coq d'Or, um dos soldados presentes, Towarnicki, animador cultural junto a de Lattre de Tassigny, e revelando que o autor da fotografia era Alain Resnais
Menciona Palmer, jovem germanista encontrado por
Beaufret em Grenoble, que se dirige a Friburgo portando uma carta cujo rascunho ainda conserva, na qual escreve a Heidegger que com ele a filosofia se liberta de toda platitude e recupera o essencial de sua dignidade
Situa na primeira visita de Jean
Beaufret em 1946 o início do diálogo desejado por Heidegger em sua resposta de 23 de novembro de 1945, segundo a qual o pensamento fecundo requer, além da escrita e da leitura, a synousia da conversa e do ensino recebido tanto quanto dado
Conclui que as páginas seguintes testemunham soberbamente um pensamento que se realiza pelo pensamento de outro