===== QUESTIONANDO AS COISAS (SHEEHAN, 2015, 14-15) ===== A metafísica toma as coisas (o que quer que seja real, o que quer que “tenha ser”) como seu objeto [[termos:m:material:start|Material]] e, em seguida, pergunta sobre o que faz com que elas sejam reais. Na leitura tradicional da metafísica de [[termos:a:aristoteles-2:start|Aristóteles]] (e aqui eu me concentro em seu momento ontológico e me abstenho de seu momento teológico), essa investigação se desenvolve da seguinte forma. O objeto material que a metafísica aborda são as coisas, tudo o que é real, tudo o que “tem ser” (to on). O foco formal nessas coisas é então articulado pela ressalva: na medida em que elas são reais (he on); e a pergunta se torna: O que explica sua realidade? Por fim, o resultado procurado dessa pergunta é formalmente indicado como: o que quer que seja que faz com que essas coisas sejam reais. Dependendo do metafísico, o conteúdo que preenche essa indicação formal variará: para Platão será [[termos:e:eidos-hlex:start|eidos]], para Aristóteles, [[termos:e:energeia-hlex:start|energeia]], para Aquino esse ou [[termos:a:actus-essendi:start|actus essendi]]; e assim por diante. [[termos:l:leitfrage:start|Leitfrage]] DA METAFÍSICA das [[termos:b:befragte:start|Befragte]] ou objeto de uma pergunta refere-se ao que está sendo investigado, o que o escolasticismo medieval chamou de obiectum materiale [[termos:q:quod-hlex:start|quod]] ou objeto material. (coisas que são reais - que “têm ser”) das [[termos:g:gefragte:start|Gefragte]] ou ótica refere-se ao foco formal que o investigador adota ao investigar o objeto material e a pergunta que se segue a isso. (O que explica o fato de elas serem reais?) das [[termos:e:erfragte:start|Erfragte]] ou resultado é uma indicação formal da resposta que o investigador espera obter ao colocar o foco formal no objeto material (sua realidade/ser qua eidos, energeia, esse, etc.) Como essas formulações mostram, a questão metafísica está decididamente focada nas coisas, especificamente do ponto de vista de por que, como e até que ponto elas são reais. Ou seja, a pergunta que a metafísica faz às coisas é a seguinte: Qual é a sua “essência” (ou seja, sua esse-ness, being-ness, real-ness), no sentido amplo do que quer que seja que permite que elas sejam reais? A metafísica começa com as coisas, depois “vai além” delas para descobrir sua realidade em uma variedade de formas que mudam historicamente. Mas, finalmente, a metafísica retorna a essas coisas com essa notícia. Como diz Aristóteles, a metafísica anuncia “o que quer que pertença às coisas em si e por si mesmas” e, especificamente, seus “primeiros princípios e causas mais elevadas”. Heidegger indica que todas as três perguntas a seguir nomeiam ex aequo a preocupação da metafísica aristotélica: A metafísica é claramente uma questão de onto-[[termos:l:logia:start|logia]], na medida em que as operações de questionar e responder (-logia) se referem, em última instância, às coisas (onto-). (SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger. London: Rowman, 2015) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}