====== metafísica da subjetidade (2005:400) ====== PEOS * Perda grega da relação originária com o invisível e instauração do primado do ver * A visão grega originária não se define pelo simples ato sensorial, mas pela antecipação do que já está em vista ao ver * O esquecimento progressivo da dimensão noturna da eclosão conduz à redução da ipseidade ao imediatamente visível * A metafísica surge como fixação da luz e do ver como acesso privilegiado ao ser * O ver passa a significar disponibilidade do ente e possibilidade de disposição voluntária sobre ele * Ampliação do conceito de visão como fundamento da inteligibilidade * O ver não se limita ao olho corporal, mas designa o acesso global ao que é acessível * O ver recobre o conhecer e o representar, constituindo o horizonte da relação ao ente * A visão torna-se metáfora dominante de toda apreensão cognitiva * A clareza aparece como condição prévia de todo aparecer * Co-originariedade entre visão e ente na ontologia grega * O ente e o ver surgem conjuntamente no mesmo ato originário * A luz antecede e constitui tanto o ver quanto o visto * A relação entre sujeito e objeto é fundada por um campo luminoso prévio * O bem platônico concede simultaneamente desvelamento ao ente e capacidade de conhecer ao conhecedor * Identidade originária entre ver e saber no início da metafísica * Ver e saber não são distintos, mas instituídos como um único movimento * A verdade é compreendida como não-velamento estabilizado * O saber assume a forma de presença clara e disponível * Ambivalência da posição platônica na interpretação heideggeriana * Platão inaugura a metafísica sem consumá-la plenamente * A possibilidade de um além do ente permanece ainda aberta * O além da ousia é visado sem ser pensado em sua proveniência abissal * A dimensão erótica do si mesmo mantém uma tensão para além de si * Centralidade do eros como abertura extática do si mesmo * O eros arrebata o homem para além de si em direção ao ser * O esquecimento do ser só é superado quando o ser exerce potência erótica * O si mesmo platônico ainda não se reduz à posse do ente * O ser é compreendido como luminoso, não como proveniente do ocultamento * Estatuto ambíguo do si mesmo platônico * O si mesmo situa-se entre a ideia suprema e as ideias visíveis dos entes * Não há plena apropriação do ente fora do retraimento * O ser é base estável e não ainda abismo originário * Permanece a distinção entre ser e ente sem tematização radical do ocultamento * Aristóteles como consumador da decisão platônica * A ousia torna-se conceito central da ontologia * O hypokeimenon estrutura o ente como sujeito ou substrato * A subjetidade se afirma sem ainda se tornar subjetividade moderna * O ente é posto como aquilo que permanece sob os predicados * Consolidação da metafísica da subjetidade * O ser é interpretado a partir do ente presente * A diferença metafísica funda-se na primazia do ente * O mundo torna-se campo de disponibilidade integral * O si mesmo passa a compreender-se como centro ordenador do ente * Redução do si mesmo ao campo do visível e do disponível * O combate originário com o inquietante é esquecido * O ente permanece enquanto produto estabilizado * A physis perde o caráter de surgimento originário * A natureza torna-se domínio manipulável * Transição do contemplar ao produzir * O ver contemplativo dá lugar ao ver produtor * O ente é compreendido como objeto para fabricação * A verdade é associada à efetivação e à realização * O mundo é interpretado segundo o esquema do feito * Confirmação aristotélica do primado do ver * O desejo humano fundamental é o desejo de ver * A visão é o sentido privilegiado do acesso ao ente * O si mesmo define-se como capacidade de apreensão visual * O saber é orientado para o que já está descoberto * Reconfiguração da episteme * O entender-se restringe-se ao domínio do visível * A ciência torna-se conservação do desvelado * O saber é posse estável da evidência * A verdade é fixada como permanência do descoberto * Redução da aletheia à clareza estável * O desvelamento deixa de remeter ao velamento * O ocultamento perde relevância ontológica * A verdade torna-se característica do ente presente * O ser é esquecido enquanto diferença * Distinção aristotélica entre sophia e phronesis * A sophia refere-se ao saber teórico do ente imutável * A phronesis orienta o agir prático no mundo * Ambas permanecem dentro do horizonte do desvelado * O saber visa a melhor forma de manter o ente disponível * Centralidade da techne * A techne desabriga o desabrigado * O eidos é produzido na efetividade do ente * A forma é extraída do singular pela fabricação * O ente torna-se plenamente visível na obra * Transformação da physis * A physis é interpretada como vir-a-ser para a forma * O surgir é reduzido a processo de realização * A natureza torna-se modelo de produção * O ser é compreendido como presença produzida * Preparação da subjetividade moderna * O ente é pensado como totalmente disponível * O si mesmo afirma-se como dominador do mundo * A res cogitans encontra seu solo ontológico * A metafísica culmina na técnica como consumação