| A segunda parte da aula O que chamamos pensar? (GA8) — que pode aqui ser considerada como texto de referência — segue um movimento de conjunto especialmente revelador. Desde a primeira aula, estamos confrontados com a «clivagem»: apresentando os múltiplos sentidos da sua interrogação, Heidegger distingue logo entre a determinação do pensamento que tem, desde sempre, força de lei («como é que aquilo que é aqui nomeado pensamento está circunscrito na doutrina tradicional do pensamento?») e a essência verdadeira («Quais as condições que têm de ser reunidas para que sejamos capazes de pensar conforme a essência (Wesensgerecht) (...), para cumprirmos bem o pensamento?».) No seguimento do curso, depressa irá aparecer que a doutrina tradicional desenvolve-se a partir do grego logos, visto como enunciado — o pensamento definindo-se então como lógica e julgamento. No que diz respeito à outra essência, exige que se abandone, pelo menos provisoriamente, a derivação anterior (do logos ao enunciado, do enunciado ao princípio da não contradição e outras regras lógicas), a favor de uma outra língua de sentido que tem a sua origem, já não na língua grega, mas na língua (86) alemã (a velha palavra Gedanc) — o pensamento definindo-se então enquanto memória, recolha e reconhecimento. | A segunda parte da aula O que chamamos pensar? (GA8) — que pode aqui ser considerada como texto de referência — segue um movimento de conjunto especialmente revelador. Desde a primeira aula, estamos confrontados com a «clivagem»: apresentando os múltiplos sentidos da sua interrogação, Heidegger distingue logo entre a determinação do pensamento que tem, desde sempre, força de lei («como é que aquilo que é aqui nomeado pensamento está circunscrito na doutrina tradicional do pensamento?») e a essência verdadeira («Quais as condições que têm de ser reunidas para que sejamos capazes de pensar conforme a essência (Wesensgerecht) (...), para cumprirmos bem o pensamento?».) No seguimento do curso, depressa irá aparecer que a doutrina tradicional desenvolve-se a partir do grego logos, visto como enunciado — o pensamento definindo-se então como lógica e julgamento. No que diz respeito à outra essência, exige que se abandone, pelo menos provisoriamente, a derivação anterior (do logos ao enunciado, do enunciado ao princípio da não contradição e outras regras lógicas), a favor de uma outra língua de sentido que tem a sua origem, já não na língua grega, mas na língua (86) alemã (a velha palavra Gedanc) — o pensamento definindo-se então enquanto memória, recolha e reconhecimento. |