| (Derrida) Mostra como Heidegger, após ter retrocedido do spiritus para o pneuma, acaba (no texto de 1953) por transpor os limites do próprio pneumático no sentido do fogo: nesse fogo do espírito, Derrida reconhece «o caminho da delimitação ou da partilha que teria de passar segundo Heidegger, por uma determinação grega ou cristã, ver onto-teológica, do pneuma ou do spiritus, e um pensamento do Geist que seria outro e mais originário. Retirado do idioma alemão, Geist levaria a pensar, mais cedo na chama». Derrida levanta então o problema do espírito, simultaneamente original/derivado e a deslocação ao longo da obra da essência dita original. Se primeiro ela se apresenta como retorno ao vocábulo grego aquém das interpretações derivadas (nomeadamente latina e cristã), torna-se depois transposição do grego para o alemão. Não por essa «dissimetria» que vem interromper a «parelha» grego-alemão esteja explicitamente sublinhada por Heidegger; mas é cumprida por ele. E a razão pela qual Derrida sente-se autorizado a soltar o plano, e a apresentá-lo como irredutível: «O alemão é então a única língua, afinal de contas, que pode nomear esta excelência máxima ou superlativa (geistigste) que, em suma, só partilha até certo ponto com o grego. Em última instância, é a única língua na qual o espírito acaba por se nomear a si próprio.» | (Derrida) Mostra como Heidegger, após ter retrocedido do spiritus para o pneuma, acaba (no texto de 1953) por transpor os limites do próprio pneumático no sentido do fogo: nesse fogo do espírito, Derrida reconhece «o caminho da delimitação ou da partilha que teria de passar segundo Heidegger, por uma determinação grega ou cristã, ver onto-teológica, do pneuma ou do spiritus, e um pensamento do Geist que seria outro e mais originário. Retirado do idioma alemão, Geist levaria a pensar, mais cedo na chama». Derrida levanta então o problema do espírito, simultaneamente original/derivado e a deslocação ao longo da obra da essência dita original. Se primeiro ela se apresenta como retorno ao vocábulo grego aquém das interpretações derivadas (nomeadamente latina e cristã), torna-se depois transposição do grego para o alemão. Não por essa «dissimetria» que vem interromper a «parelha» grego-alemão esteja explicitamente sublinhada por Heidegger; mas é cumprida por ele. E a razão pela qual Derrida sente-se autorizado a soltar o plano, e a apresentá-lo como irredutível: «O alemão é então a única língua, afinal de contas, que pode nomear esta excelência máxima ou superlativa (geistigste) que, em suma, só partilha até certo ponto com o grego. Em última instância, é a única língua na qual o espírito acaba por se nomear a si próprio.» |