estudos:zahavi:si-mesmo
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| + | ====== Perspectivas conflitantes sobre o si-mesmo ====== | ||
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| + | * Perspectivas conflitantes sobre o si-mesmo [self] | ||
| + | * O debate contemporâneo sobre o si-mesmo é marcado por uma profunda heterogeneidade conceitual, o que torna problemático qualquer uso não tematizado do termo como se fosse unívoco e autoevidente. | ||
| + | * As posições eliminativistas de Thomas Metzinger e Miri Albahari partem de uma concepção reificada do si-mesmo, entendido como uma entidade ontologicamente independente, | ||
| + | * Metzinger sustenta que a experiência de si é uma ilusão gerada por processos neurocognitivos distribuídos, | ||
| + | * Albahari distingue rigorosamente entre experiência e realidade, afirmando que o si-mesmo parece possuir independência ontológica, | ||
| + | * A crítica central a essas posições consiste em mostrar que elas pressupõem uma definição excessivamente restritiva de si-mesmo, já amplamente abandonada tanto pela fenomenologia do século XX quanto pela pesquisa empírica contemporânea. | ||
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| + | * A multiplicidade empírica dos conceitos de si-mesmo | ||
| + | * O si-mesmo não é apenas um problema filosófico, | ||
| + | * Ulric Neisser propõe uma distinção entre múltiplas formas de si-mesmo, entre as quais se destaca o si-mesmo ecológico como a forma mais primitiva e fundamental. | ||
| + | * O si-mesmo ecológico designa o sujeito enquanto agente corporal situado, capaz de perceber a si mesmo em relação ao ambiente. | ||
| + | * Desde as primeiras semanas de vida, o bebê manifesta uma sensibilidade às affordances [affordances] auto-especificadoras, | ||
| + | * Essa concepção rejeita explicitamente a ideia de um si-mesmo interior substancial, | ||
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| + | * O si-mesmo experiencial e as emoções autoconscientes | ||
| + | * Emoções como vergonha, culpa e ciúme são tradicionalmente classificadas como emoções autoconscientes, | ||
| + | * A distinção recorrente entre vergonha como avaliação negativa do si-mesmo global e culpa como avaliação negativa de ações específicas ilustra a centralidade do conceito de si-mesmo para a psicologia das emoções. | ||
| + | * Uma análise adequada dessas emoções exige uma conceituação diferenciada do si-mesmo, capaz de acomodar níveis e modalidades distintas de auto-relação. | ||
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| + | * Perturbações do si-mesmo na psicopatologia | ||
| + | * Desde Karl Jaspers, a esquizofrenia tem sido compreendida como envolvendo distúrbios fundamentais do si-mesmo [self-disorders]. | ||
| + | * Autores como Minkowski, Parnas e Sass defendem que alterações precoces na estrutura da autoexperiência desempenham um papel patogênico central no desenvolvimento da psicose. | ||
| + | * Doenças neurodegenerativas como o Alzheimer são frequentemente descritas como processos de dissolução progressiva do si-mesmo, o que entra em tensão direta com posições eliminativistas radicais. | ||
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| + | * O si-mesmo no autismo | ||
| + | * A literatura sobre o autismo apresenta diagnósticos profundamente divergentes quanto ao estatuto do si-mesmo, oscilando entre a tese da ausência de autorconsciência e a da hipercentralidade egóica. | ||
| + | * Essas contradições revelam a insuficiência de abordagens que tratam o si-mesmo como uma unidade monolítica. | ||
| + | * Uma análise mais precisa exige distinguir diferentes dimensões do si-mesmo, em especial a dimensão interpessoal, | ||
| + | * Déficits nessa dimensão podem manifestar-se em dificuldades de atenção conjunta, apresentação estratégica de si e emoções autoconscientes. | ||
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| + | * Filosofia e ciência no estudo do si-mesmo | ||
| + | * A investigação empírica do si-mesmo não pode prescindir de clarificação conceitual, sob pena de comprometer tanto a formulação das questões quanto o desenho experimental. | ||
| + | * A relação adequada entre filosofia e ciência não é a de subordinação da primeira à segunda, mas de cooperação crítica. | ||
| + | * A filosofia contribui ao examinar pressupostos teóricos tácitos que orientam a interpretação dos dados empíricos e a própria construção dos experimentos. | ||
| + | * A coexistência de múltiplas definições de si-mesmo não indica degeneração conceitual, mas reflete a complexidade multidimensional do fenômeno. | ||
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