estudos:wrathall:wrathall-20177-8-dimensao-social-das-praticas
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| + | ===== DIMENSÃO SOCIAL DAS PRÁTICAS (2017:7-8) ===== | ||
| + | Há uma dimensão social inconfundível na maioria das práticas, se não em todas. Essa dimensão social talvez seja mais visível na linguagem e no vocabulário compartilhados que temos para falar sobre a prática. Uma parte importante da iniciação em uma prática consiste em aprender como se fala sobre as atividades que pertencem à prática. Porém, em um nível mais profundo, a dimensão social da prática é encontrada na forma como participar de uma prática é juntar-se a outras pessoas em um empreendimento comum. De fato, muitas ações não podem sequer ser realizadas sem o reconhecimento de outros participantes de uma prática — ou seja, o reconhecimento de que uma ação de tal e tal tipo pertence ou é uma expressão de tal e tal prática. Ao me envolver em uma prática, estou assumindo um status específico. O reconhecimento social desse status geralmente é uma condição constitutiva para poder participar de práticas. Consequentemente, | ||
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| + | Como resultado da dimensão social das práticas, há uma tendência inerente à média, ao universal e ao geral nas práticas. Como constituídas socialmente, | ||
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| + | A generalidade incorporada às práticas é um aspecto importante da inteligibilidade que elas produzem. Sua generalidade permite que eu compartilhe com os outros a sensação do sentido que as coisas têm e comunique esse sentido aos outros por meio de uma palavra ou gesto. Mas isso também, como observa Dreyfus, “torna inevitável a conformidade... e possibilita a fuga da angústia para o conformismo servil que Heidegger chama de fazer do outro o seu herói” (Capítulo 1). Como cada um de nós entende o mundo desempenhando um papel em algum conjunto de práticas, e como esses papéis são definidos e organizados por sentidos sociais compartilhados de propriedade e impropriedade, | ||
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| + | Podemos ver, então, que as práticas compartilhadas são absolutamente fundamentais para nossa capacidade de entender a nós mesmos e as coisas e pessoas ao nosso redor. Desde o nascimento, somos iniciados em uma variedade de práticas (e assumimos papéis dentro dessas práticas). Essa iniciação geralmente assume a forma de me fornecer demonstrações exemplares de como agir, em vez de me dar instruções detalhadas sobre o que fazer. Ao imitar os outros, adquiro habilidades que me tornam consciente e capaz de discernir conexões projetáveis entre entidades e eventos. Assim, as práticas das quais participo me orientam em relação ao meu mundo. Como encontro situações em termos de práticas, entendo antecipadamente como as situações podem e devem se desenvolver. A prática, com sua orientação proposital para fins e metas, também determina o que é importante e o que não é, o que é relevante e o que é irrelevante. Ela me dá razões e motivações para agir, dando-me uma identidade ou status que vem do papel que desempenho na promoção da prática. Assim, a prática possibilita que eu me entenda. Sei quem sou, o que devo fazer, o que contaria como progresso ou retrocesso — ou seja, ficar cada vez melhor na execução das ações que promoverão os objetivos da prática. | ||
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