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 +====== Sintomas da Estrutura Psicótica (AA) ======
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 +PWAA
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 +Um //sintoma// chave das estruturas psicóticas é que o corpo tangível, tátil de outra pessoa ('A Carne') é visto como um mero objeto especular – uma //imagem// fixa ou mutável. Em contraste, a fala ou a 'Palavra' de outro (falada ou lida) é experimentada como significativa //apenas// através da maneira pela qual ela 'se torna Carne'. Seu 'significado' para o ouvinte psicótico não reside na consciência que comunica ou em seu conteúdo conceitual, mas //exclusivamente// na maneira como é sentida como um objeto (bom ou ruim) de forma tangível, carnuda – por exemplo, através da maneira como afeta emocionalmente o corpo do ouvinte ou induz sensações emocionais ou corporais imediatas de prazer ou dor (//jouissance, contentamento//).
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 +Outro sintoma é a falta de consciência do significado das palavras e eventos, atos de fala e comportamentais e eventos //para os outros//. O mundo de significado do psicótico necessariamente se centra total e exclusivamente em si. Para que fosse de outra forma, seria necessário admitir a existência de 'outras mentes' ou 'outros sujeitos'. Isso é algo muito difícil ou doloroso para o psicótico, pois todos os outros sujeitos são contaminados por associação ou identificação com o 'mau sujeito' – e, portanto, com a aniquilação da própria subjetividade. A empatia ou ressonância intersubjetiva é, portanto, excluída desde o início. Estando sozinho, o psicótico sofre isolamento. Estando com outros, ele ou ela é carregado de ansiedade paranóica. O que Winnicott reconheceu como uma condição fundamental da saúde psíquica – a capacidade de “estar sozinho com os outros” – de sentir-se mais fortemente na e através da //copresença// corporal de outro – é, portanto, excluída desde o início.
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 +Um terceiro sintoma, bem reconhecido, mas não totalmente compreendido da psicose, é a //evitação do olhar//. O psicótico pode perceber e até 'ler' o rosto e os olhos de outro, mas não //receber// o olhar. Pois receber o olhar do outro – por mais benigna ou amorosa que seja sua qualidade subjetiva – significa potencialmente abrir-se ao olhar objetificante do mau sujeito.
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 +Um quarto sintoma é uma busca constante e persistente por razões, por mais triviais, para transformar um bom sentimento, bom objeto ou bom sujeito em algo ruim.
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 +Um quinto sintoma são atos de comunicação ou fala bloqueados. Pois toda comunicação é tingida de ambivalência insuportável em relação ao outro na forma de amor e ódio, gratidão e inveja, buscando e evitando contato com outros sujeitos. É essa ambivalência que, na posição paranóide-esquizoide, é sentida como ansiedade insuportável e mau objeto em si – daí a associação de Klein da posição depressiva com a capacidade de conter sentimentos ambivalentes em relação aos outros, em vez de cindir o outro, cindir o eu e o outro – e, assim, também cindir o eu – criando um mundo polarizado de objetos bons e maus, ou de sujeitos bons e 'maus'.
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 +Um sexto e principal sintoma é aquele que torna as 'psicoses' e o que hoje é denominado 'transtorno de personalidade //borderline//' difíceis de tratar //através// da análise ou de qualquer forma de cura pela fala terapêutica. Esse sintoma se expressa na maneira como mesmo as percepções e interpretações analíticas mais bem-intencionadas e cuidadosamente formuladas não são recebidas como modos úteis de autoconhecimento ou palavras ponderadas pelo analisando – na verdade, nem são sequer tomadas como palavras ou pensamentos, mas sim sentidas como objetos ruins a serem bloqueados ou atirados de volta.
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 +Para todos, existem verdades que podem ser extremamente dolorosas de aceitar e enfrentar. Para a personalidade dominada por estruturas e transformações psicóticas, a própria articulação dessas verdades dolorosas por outro é percebida como um //ataque pernicioso e doloroso do outro// – um que deve ser enfrentado por contra-ataques defensivos e destrutivos que se concentram em tudo, exceto no conteúdo de pensamento real e no valor de verdade da palavra. Aqui, a formulação de Lacan – “O inconsciente é a fala do outro” – assume uma dimensão de significado especificamente kleininana por associação com suas análises de defesas primitivas e ansiedades persecutórias. Ao mesmo tempo, a análise de Klein das defesas paranóide-esquizoides presta-se à interpretação dentro da estrita definição de psicose de Lacan como uma estrutura psíquica na qual 'a metáfora paterna' – a linguagem como um terceiro elemento na díade mãe-filho é //excluída //– tanto como meio de intersubjetividade quanto como forma pela qual o indivíduo pode começar a construir ou reconstruir de forma saudável um senso positivo de subjetividade autônoma.
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 +{{tag>Wilberg}}