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estudos:wahl:wahl-filosofias-da-existencia-generalidades-3360

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 Acontece o mesmo com a ideia da interioridade e do segredo. Se a filosofia de Hegel não se afigura satisfatória para Kierkegaard, é em grande parte porque ela não toma em linha de conta o elemento de interioridade absoluta, pelo facto de não nos podermos explicitar completamente. E teremos ocasião de dizer que toda a filosofia existencial nasce da meditação de Kierkegaard sobre os acontecimentos privados da sua vida, sobre o seu noivado e a impossibilidade em que esteve de comunicar com a noiva. Mas, se lermos Sartre, veremos, pelo contrário, que, para ele, um homem é a vida desse homem na medida em que ela se exprime pelo conjunto dos seus atos, na medida em que não há segredo. Quanto a este ponto, é a influência de Hegel, á influência do adversário contra o qual se tinha erguido Kierkegaard, que domina o pensamento de Sartre. Acontece o mesmo com a ideia da interioridade e do segredo. Se a filosofia de Hegel não se afigura satisfatória para Kierkegaard, é em grande parte porque ela não toma em linha de conta o elemento de interioridade absoluta, pelo facto de não nos podermos explicitar completamente. E teremos ocasião de dizer que toda a filosofia existencial nasce da meditação de Kierkegaard sobre os acontecimentos privados da sua vida, sobre o seu noivado e a impossibilidade em que esteve de comunicar com a noiva. Mas, se lermos Sartre, veremos, pelo contrário, que, para ele, um homem é a vida desse homem na medida em que ela se exprime pelo conjunto dos seus atos, na medida em que não há segredo. Quanto a este ponto, é a influência de Hegel, á influência do adversário contra o qual se tinha erguido Kierkegaard, que domina o pensamento de Sartre.
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 L'Être et le Néant (O Ser e o Nada) acaba por uma condenação daquilo que Sartre chama o espírito de sério. Mas, por outro lado, Kierkegaard diz-nos que uma das categorias essenciais mais necessárias é a categoria de sério. L'Être et le Néant (O Ser e o Nada) acaba por uma condenação daquilo que Sartre chama o espírito de sério. Mas, por outro lado, Kierkegaard diz-nos que uma das categorias essenciais mais necessárias é a categoria de sério.
  
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 O existencialismo foi definido em Roma por uma alta autoridade religiosa como uma filosofia do desastre, um irracionalismo pessimista e um voluntarismo religioso. Mas este juízo contém em si uma condenação, e não o podemos tomar como ponto de partida. O existencialismo foi definido em Roma por uma alta autoridade religiosa como uma filosofia do desastre, um irracionalismo pessimista e um voluntarismo religioso. Mas este juízo contém em si uma condenação, e não o podemos tomar como ponto de partida.
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 Na sua obra L'Existentialisme est un humanisme, Sartre diz que o existencialismo é uma doutrina que torna a vida humana possível e, por outro lado, declara que toda a verdade e toda a acção implicam um meio e uma subjetividade humana. Poderá o próprio Sartre considerar esta definição satisfatória? Ficamos impressionados pelo «por outro lado», que é sinal de que a própria definição é formada por membros disjuntos. Quanto ao facto de ser possível a vida humana com esta filosofia, podemos observar que todas as filosofias, excepto as de Schopenhauer e de E. von Hartman, afirmariam que tornam a vida humana possível. E que toda a verdade e toda a ação implicam um meio e uma subjetividade humana muitos filósofos idealistas o diriam, da mesma forma que Sartre. De resto, muitos diriam que a filosofia da existência torna a vida humana impossível. Na sua obra L'Existentialisme est un humanisme, Sartre diz que o existencialismo é uma doutrina que torna a vida humana possível e, por outro lado, declara que toda a verdade e toda a acção implicam um meio e uma subjetividade humana. Poderá o próprio Sartre considerar esta definição satisfatória? Ficamos impressionados pelo «por outro lado», que é sinal de que a própria definição é formada por membros disjuntos. Quanto ao facto de ser possível a vida humana com esta filosofia, podemos observar que todas as filosofias, excepto as de Schopenhauer e de E. von Hartman, afirmariam que tornam a vida humana possível. E que toda a verdade e toda a ação implicam um meio e uma subjetividade humana muitos filósofos idealistas o diriam, da mesma forma que Sartre. De resto, muitos diriam que a filosofia da existência torna a vida humana impossível.
  
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