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 Pudemos sempre chegar à influência de Kierkegaard. A ideia de solidão, de angústia, a ideia de subjetividade, de abandono, mesmo a de preocupação, a importância dada ao tempo, ao possível, ao projeto, a ideia de nada, a ideia de relação paradoxal, tudo isso a meditação de Kierkegaard engloba. Pudemos sempre chegar à influência de Kierkegaard. A ideia de solidão, de angústia, a ideia de subjetividade, de abandono, mesmo a de preocupação, a importância dada ao tempo, ao possível, ao projeto, a ideia de nada, a ideia de relação paradoxal, tudo isso a meditação de Kierkegaard engloba.
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 Todas as filosofias têm um certo número de vocábulos que lhes são apropriados, possuem um vocabulário; o cartesiano fala de ideias claras e distintas, de evidência; o kantiano de sínteses a priori, de atividades puras do espírito. Tentemos estabelecer um pequeno vocabulário existencialista: Todas as filosofias têm um certo número de vocábulos que lhes são apropriados, possuem um vocabulário; o cartesiano fala de ideias claras e distintas, de evidência; o kantiano de sínteses a priori, de atividades puras do espírito. Tentemos estabelecer um pequeno vocabulário existencialista:
  
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 Não oferece dúvida de que é em Gabriel Marcel que algumas destas categorias são menos frequentes. O que pode explicar-se historicamente, numa certa medida, pelo fato de o pensamento de Gabriel Marcel se ter constituído independentemente do pensamento de Kierkegaard. E explica-se também pelo fato de a solução religiosa intervir de uma maneira menos angustiada, menos trabalhada pela angústia em Gabriel Marcel que em Kierkegaard. As ideias de angústia ou de nada não terão, em Gabriel Marcel, o mesmo lugar que nos outros filósofos que simultaneamente classificamos como filósofos da existência. Não oferece dúvida de que é em Gabriel Marcel que algumas destas categorias são menos frequentes. O que pode explicar-se historicamente, numa certa medida, pelo fato de o pensamento de Gabriel Marcel se ter constituído independentemente do pensamento de Kierkegaard. E explica-se também pelo fato de a solução religiosa intervir de uma maneira menos angustiada, menos trabalhada pela angústia em Gabriel Marcel que em Kierkegaard. As ideias de angústia ou de nada não terão, em Gabriel Marcel, o mesmo lugar que nos outros filósofos que simultaneamente classificamos como filósofos da existência.
  
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 Mas, se o homem é dotado das qualidades que a filosofia tradicional reservava a Deus, não resta a menor dúvida de que ele é um Deus frustrado; e, realmente, para ser plenamente um Deus, seria necessário que ele realizasse uma união do «em si» e do «para si», união que Sartre declara impossível. Mas, se o homem é dotado das qualidades que a filosofia tradicional reservava a Deus, não resta a menor dúvida de que ele é um Deus frustrado; e, realmente, para ser plenamente um Deus, seria necessário que ele realizasse uma união do «em si» e do «para si», união que Sartre declara impossível.
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 Poderíamos interrogar-nos sobre as causas do sucesso das filosofias da existência Este sucesso vem, indubitavelmente, em primeiro lugar da contestação das outras filosofias e da consciência do seu malogro. Além disso, é preciso ter em conta o fato de que, após os abalos da guerra e da ocupação, o espírito experimentava a necessidade de se concentrar em volta de uma doutrina, e tanto quanto possível de uma doutrina nova; neste sentido, poderíamos dizer que o «existencialismo» assumiu a função que o surrealismo desempenhara no final da guerra precedente. Em terceiro lugar, nenhuma teoria, salvo a de Nietzsche, tinha posto em tão plena luz a ideia da criação dos valores para o homem. Acresce que é certo que o lugar concedido à ideia de liberdade e à afirmação de que a liberdade persiste sempre teve o seu papel na repercussão destas filosofias. Neste ponto, poderíamos, numa certa medida, comparar o que fez primitivamente a força da filosofia de Sartre ao que fez a força do pensamento dos estoicos. Poderíamos interrogar-nos sobre as causas do sucesso das filosofias da existência Este sucesso vem, indubitavelmente, em primeiro lugar da contestação das outras filosofias e da consciência do seu malogro. Além disso, é preciso ter em conta o fato de que, após os abalos da guerra e da ocupação, o espírito experimentava a necessidade de se concentrar em volta de uma doutrina, e tanto quanto possível de uma doutrina nova; neste sentido, poderíamos dizer que o «existencialismo» assumiu a função que o surrealismo desempenhara no final da guerra precedente. Em terceiro lugar, nenhuma teoria, salvo a de Nietzsche, tinha posto em tão plena luz a ideia da criação dos valores para o homem. Acresce que é certo que o lugar concedido à ideia de liberdade e à afirmação de que a liberdade persiste sempre teve o seu papel na repercussão destas filosofias. Neste ponto, poderíamos, numa certa medida, comparar o que fez primitivamente a força da filosofia de Sartre ao que fez a força do pensamento dos estoicos.
  
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 Problematizando o homem, problematiza-se todo o universo que lhe está ligado. Sem qualquer problema filosófico, a totalidade do mundo está implicada, ao mesmo tempo que a existência do indivíduo é arriscada por ele próprio, como uma aposta suprema. Deste modo vemos unirem-se constantemente as ideias de individualidade e de totalidade. Problematizando o homem, problematiza-se todo o universo que lhe está ligado. Sem qualquer problema filosófico, a totalidade do mundo está implicada, ao mesmo tempo que a existência do indivíduo é arriscada por ele próprio, como uma aposta suprema. Deste modo vemos unirem-se constantemente as ideias de individualidade e de totalidade.
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 Igualmente podemos dizer que vemos juntarem-se as da individualidade e da generalidade. Heidegger, efetivamente, não fala só para um indivíduo particular, mas para qualquer indivíduo. Descreve a existência humana em geral. A angústia é, sem dúvida, uma experiência particular, mas pela angústia nós chegamos às condições gerais da existência, ao que Heidegger chama os existenciais. A filosofia de Heidegger pretende distinguir-se da de Kierkegaard em que Kierkegaard permanece sempre no existencial, enquanto Heidegger atinge o existencial, ou seja os caracteres gerais da existência humana. Faltará perguntar-se se, por esta via, a ideia de essência não é retomada na filosofia de Heidegger, se Kierkegaard não é mais fiel ao pensamento da existência banindo a ideia de essência. Por outras palavras, faltará perguntar-se se a procura dos existenciais é compatível com a afirmação da existência. Igualmente podemos dizer que vemos juntarem-se as da individualidade e da generalidade. Heidegger, efetivamente, não fala só para um indivíduo particular, mas para qualquer indivíduo. Descreve a existência humana em geral. A angústia é, sem dúvida, uma experiência particular, mas pela angústia nós chegamos às condições gerais da existência, ao que Heidegger chama os existenciais. A filosofia de Heidegger pretende distinguir-se da de Kierkegaard em que Kierkegaard permanece sempre no existencial, enquanto Heidegger atinge o existencial, ou seja os caracteres gerais da existência humana. Faltará perguntar-se se, por esta via, a ideia de essência não é retomada na filosofia de Heidegger, se Kierkegaard não é mais fiel ao pensamento da existência banindo a ideia de essência. Por outras palavras, faltará perguntar-se se a procura dos existenciais é compatível com a afirmação da existência.
  
 Naturalmente, uma concepção como a de Kierkegaard põe muitos problemas. Por um lado, não há nele, apesar de tudo, uma tentativa para racionalizar e explicar o paradoxo fazendo-o ver como união do finito e do infinito, e, enquanto ele quer apresentar um escândalo para a razão, não encontramos nós nele uma espécie de justificação do escândalo, que, finalmente, não o deixaria mais ser enquanto era escândalo! Por outro lado, o próprio Kierkegaard disse que a vinda de Cristo ao mundo, sob a forma por que ela se efetuou, não constitui o paradoxo supremo; dado que este paradoxo só seria atingido no caso em que ninguém se apercebesse da vinda de Deus. «Eu medito nesta questão», escreve ele; «e nela se perde o meu espírito.» Acrescentemos que o paradoxo só existe para aquele que vive na Terra; para os Bem-Aventurados, isto é, para aqueles que veem a verdade, o paradoxo desvanecer-se-á. O que significa que toda esta construção só existe em relação ao homem na medida que ele vive no mundo. Naturalmente, uma concepção como a de Kierkegaard põe muitos problemas. Por um lado, não há nele, apesar de tudo, uma tentativa para racionalizar e explicar o paradoxo fazendo-o ver como união do finito e do infinito, e, enquanto ele quer apresentar um escândalo para a razão, não encontramos nós nele uma espécie de justificação do escândalo, que, finalmente, não o deixaria mais ser enquanto era escândalo! Por outro lado, o próprio Kierkegaard disse que a vinda de Cristo ao mundo, sob a forma por que ela se efetuou, não constitui o paradoxo supremo; dado que este paradoxo só seria atingido no caso em que ninguém se apercebesse da vinda de Deus. «Eu medito nesta questão», escreve ele; «e nela se perde o meu espírito.» Acrescentemos que o paradoxo só existe para aquele que vive na Terra; para os Bem-Aventurados, isto é, para aqueles que veem a verdade, o paradoxo desvanecer-se-á. O que significa que toda esta construção só existe em relação ao homem na medida que ele vive no mundo.
  
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