estudos:wahl:jean-wahl-1998-239-241-filosofar-e-transcender
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| A falha da filosofia, de acordo com ele — e uma das características deste curso é afirmar isso — tem sido dar preeminência ao problema do ser, enquanto o que é preeminente é o problema do mundo. Mas, na realidade, nenhum deles pode ser separado do outro, e é a totalidade desses dois caminhos que seguimos que faz a filosofia. A partir disso, podemos ver em que sentido filosofar é transcender autenticamente — essa é a definição de filosofia para ele. Agora, a transcendência do Dasein é vista em ambos os problemas. De fato, teremos de nos perguntar se é o mesmo tipo de transcendência, | A falha da filosofia, de acordo com ele — e uma das características deste curso é afirmar isso — tem sido dar preeminência ao problema do ser, enquanto o que é preeminente é o problema do mundo. Mas, na realidade, nenhum deles pode ser separado do outro, e é a totalidade desses dois caminhos que seguimos que faz a filosofia. A partir disso, podemos ver em que sentido filosofar é transcender autenticamente — essa é a definição de filosofia para ele. Agora, a transcendência do Dasein é vista em ambos os problemas. De fato, teremos de nos perguntar se é o mesmo tipo de transcendência, | ||
| - | Mas vamos deixar essa observação de lado. O que precisa ser dito é que a filosofia não tem como tema a transcendência da mesma forma que as ciências têm como objeto tal e tal tema: a natureza do mundo físico, fenômenos relacionados à vida etc. Pois aqui não há nada manifesto [241] (Vorhanden) e a filosofia não descreve a transcendência porque ela não pode ser descrita, e filosofar é transcender. Aqui, mais uma vez, teremos de nos fazer uma pergunta: é provável que não devamos tomar a transcendência como um tema da mesma forma que a ciência toma tal e tal domínio do ser como um tema. A conclusão seria que, se não tomarmos uma coisa como tema, teremos de viver essa coisa e não lidar com ela. Portanto, há outro problema aqui: o problema de como lidar com a transcendência. Em todo caso, de acordo com Heidegger, a transcendência não pode ser isolada da filosofia, ela é formada na filosofia: filosofar é permitir que a transcendência chegue. No ato de filosofar, a transcendência se mostra e se torna um fenômeno, deixamos que ela se construa, e devemos sempre evitar tomá-la como uma coisa: devemos tomá-la como um fenômeno transcendental, | + | Mas vamos deixar essa observação de lado. O que precisa ser dito é que a filosofia não tem como tema a transcendência da mesma forma que as ciências têm como objeto tal e tal tema: a natureza do mundo físico, fenômenos relacionados à vida etc. Pois aqui não há nada manifesto [241] (Vorhanden) e a filosofia não descreve a transcendência porque ela não pode ser descrita, e filosofar é transcender. Aqui, mais uma vez, teremos de nos fazer uma pergunta: é provável que não devamos tomar a transcendência como um tema da mesma forma que a ciência toma tal e tal domínio do ser como um tema. A conclusão seria que, se não tomarmos uma coisa como tema, teremos de viver essa coisa e não lidar com ela. Portanto, há outro problema aqui: o problema de como lidar com a transcendência. Em todo caso, de acordo com Heidegger, a transcendência não pode ser isolada da filosofia, ela é formada na filosofia: filosofar é permitir que a transcendência chegue. No ato de filosofar, a transcendência se mostra e se torna um fenômeno, deixamos que ela se construa, e devemos sempre evitar tomá-la como uma coisa: devemos tomá-la como um fenômeno transcendental, |
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