estudos:vattimo:2007-i1-interpretacao
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| + | ====== INTERPRETAÇÃO ====== | ||
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| + | Vamos começar com uma observação que pode nos ajudar a entender qual é o significado da interpretação e o papel que ela tem a desempenhar no que chamamos de conhecimento. De uma perspectiva hermenêutica, | ||
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| + | Aqueles que estão familiarizados com a tradição hermenêutica sabem que esse é o ponto em que começa a objeção de Heidegger à metafísica — ou seja, na decisão de sermos objetivos, não podemos deixar de assumir uma posição definida, de-finida, em outras palavras, um ponto de vista que limita, mas também ajuda de forma decisiva, nosso encontro com o mundo. Embora a crítica de Heidegger à metafísica comece aqui, na crítica da definição metafísica da verdade como um dado objetivo, sua crítica também vai além desse ponto em seu eventual foco na natureza ético-política da metafísica, | ||
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| + | O conceito de interpretação está todo aqui: não há experiência de verdade que não seja interpretativa. Eu não conheço nada que não me interesse. Se isso me interessa, é evidente que não estou olhando para isso de uma forma desinteressada. | ||
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| + | Para Heidegger, esse conceito de interpretação também faz parte de sua reflexão sobre as ciências históricas, | ||
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| + | Essa observação feita por Heidegger há quase um século é um fato aceito atualmente — os cientistas não descrevem o mundo objetivamente. Pelo contrário, sua descrição do mundo depende do uso específico de instrumentos precisos e de uma metodologia rigorosa, tudo isso culturalmente determinado e historicamente qualificado. É claro que sei que nem todos os cientistas aceitariam essas palavras. Mas até mesmo as próprias condições de possibilidade de verificação de uma proposição científica (ou falsificação, | ||
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| + | Novamente, isso é interpretação: | ||
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| + | Há algumas pessoas que acreditam que estudar física não é estudar a verdade da física, mas aprender as habilidades e práticas secretas e suportar os vários ritos de iniciação, | ||
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| + | Essa descoberta do século XIX altera drasticamente nossa compreensão de como o conhecimento é construído. De acordo com Kant, para conhecer o mundo, são necessárias algumas estruturas a priori que não podem ser recuperadas da experiência e por meio das quais a própria experiência é organizada. Mas o que isso significa? O espaço, o tempo e as categorias do entendimento são coisas que me constituem como estruturas universais da razão. Em outras palavras, para Kant e muitos filósofos neokantianos, | ||
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| + | A primeira onda da antropologia cultural reconheceu a existência de outras culturas, mas, ao mesmo tempo, enfatizou seu status “primitivo”, | ||
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| + | A questão da interpretação está agora configurada desta forma: a interpretação é a ideia de que o conhecimento não é o reflexo puro e desinteressado do real, mas a abordagem interessada do mundo, que é historicamente mutável e culturalmente condicionada. | ||
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| + | //CAPUTO, J. D.; VATTIMO, G. After the death of God. New York: Columbia University Press, 2007// | ||
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