estudos:stiegler:stiegler-questao-tecnica
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| + | ====== Técnica e Tempo (Habermas) ====== | ||
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| + | A alternativa de Habermas à tese de Marcuse baseia-se na ideia de que deve ser feita uma distinção entre dois conceitos de racionalização: | ||
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| + | o processo de desenvolvimento das forças produtivas só pode ser um potencial de liberação se não substituir a racionalização que deve ocorrer (...) no nível da estrutura institucional (que) só pode ser alcançada no meio da interação mediada pela linguagem (...) graças a uma liberação da comunicação[^Jürgen Habermas, La Technique et la Science comme « Idéologie », trad. J. R. Ladmiral, Gallimard, 1973, p. 48.]. | ||
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| + | Como podemos ver, as posições fundadoras da filosofia são recorrentes. | ||
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| + | Heidegger e Habermas observariam o mesmo paradoxo com relação à modernidade técnica: a tecnologia, que parece ser uma potência do homem, parece se autonomizar daquilo de que é potência (que deveria ser seu ato), de modo que serve ao homem em ato, ou seja: na medida em que ele se comunica, decide e individualiza. Uma vez observado, o paradoxo não é analisado de forma idêntica. Portanto, devemos observar uma convergência e uma divergência entre Heidegger e Habermas. | ||
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| + | A convergência reside no fato de que ambos apreendem a tecnicização da linguagem como uma desnaturação. Como se fosse uma questão de perversão da “natureza própria do homem” por outra “natureza própria do homem”. A confusão dessas ' | ||
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| + | A divergência está no fato de que Habermas ainda analisa a técnica a partir da categoria dos meios, na qual Heidegger vê uma determinação metafísica. Agora, se a tecnologia não é um meio, não pode mais ser simplesmente uma questão de abrir um “debate” sobre a tecnologia — por meio de uma comunicação “liberada” — ou, portanto, de garantir o “mínimo de subjetividade | ||
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| + | Se Habermas e Heidegger parecem concordar em ver a tecnicização da linguagem como uma perversão, permanecendo assim juntos na mais antiga tradição filosófica, | ||
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| + | A questão mais profunda é a relação entre a técnica e o tempo — se é verdade que a individuação e a “intersubjetivação” estão em jogo na linguagem (e aqui abandonaremos Habermas e o conceito extremamente frágil de intersubjetividade no qual suas análises se baseiam): o que é dado na fala é o tempo, que “é o verdadeiro princípio da individuação” [^M. Heidegger, « Le Concept de temps », in Heidegger, coll. « Les Cahiers de L’Herne », op. cit., p. 51.]. Heidegger só pode opor a fala à técnica instrumental porque a fala carrega a temporalidade original do tempo, que, ao contrário, a instrumentalidade técnica e calculadora obscurece em uma intratemporalidade que é sempre a da preocupação. A questão toda é saber se uma bela distribuição, | ||
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