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estudos:solomon:solomon-2012-nietzsche-ressentimento

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 ==== What Nietzsche Really Said ==== ==== What Nietzsche Really Said ====
  
-  * A ênfase de Nietzsche na nobreza e no ressentimento, presente na sua descrição da moralidade de senhor e de servo, constitui uma tentativa de priorizar o caráter, a motivação e a virtude (e com eles, a tradição e a cultura) acima de todos os outros elementos da ética. +    * A ênfase de Nietzsche na nobreza e no ressentimento, presente na sua descrição da moralidade de senhor e de servo, constitui uma tentativa de priorizar o caráter, a motivação e a virtude (e com eles, a tradição e a cultura) acima de todos os outros elementos da ética. 
-    * A moralidade de senhor, pautada na nobreza, é uma expressão de um caráter bom e forte, enquanto uma ética baseada no ressentimento é a manifestação de um caráter mau, independentemente dos seus princípios e racionalizações. +      * A moralidade de senhor, pautada na nobreza, é uma expressão de um caráter bom e forte, enquanto uma ética baseada no ressentimento é a manifestação de um caráter mau, independentemente dos seus princípios e racionalizações. 
-    * Nietzsche argumenta que a universalização kantiana e as regras universais em geral (como os Dez Mandamentos) desviam a atenção das questões concretas do caráter. +      * Nietzsche argumenta que a universalização kantiana e as regras universais em geral (como os Dez Mandamentos) desviam a atenção das questões concretas do caráter. 
-  * Além disso, a abstração na moral não só oferece uma fachada respeitável para o caráter defeituoso, mas também funciona como uma arma ofensiva para o ressentimento. +    * Além disso, a abstração na moral não só oferece uma fachada respeitável para o caráter defeituoso, mas também funciona como uma arma ofensiva para o ressentimento. 
-    * A razão e o ressentimento demonstraram ser uma equipa bem coordenada na guerra de guerrilha da moralidade e do moralismo quotidianos. +      * A razão e o ressentimento demonstraram ser uma equipa bem coordenada na guerra de guerrilha da moralidade e do moralismo quotidianos. 
-    * Conforme Nietzsche submete: "Uma raça de tais homens de *ressentimentoestá destinada a tornar-se eventualmente mais esperta do que qualquer raça nobre; também honrará a esperteza em um grau muito maior." +      * Conforme Nietzsche submete: "Uma raça de tais homens de //ressentimento// está destinada a tornar-se eventualmente mais esperta do que qualquer raça nobre; também honrará a esperteza em um grau muito maior." 
-    * De forma análoga, Nietzsche sugere que, "Supondo que... o significado de toda a cultura é a redução da besta de rapina 'homem' a um animal manso e civilizado, um animal doméstico, então ter-se-ia, sem dúvida, de considerar todos aqueles instintos de reação e ressentimento, por meio dos quais as raças nobres e os seus ideais foram finalmente confundidos e derrubados, como os instrumentos reais da cultura." +      * De forma análoga, Nietzsche sugere que, "Supondo que... o significado de toda a cultura é a redução da besta de rapina 'homem' a um animal manso e civilizado, um animal doméstico, então ter-se-ia, sem dúvida, de considerar todos aqueles instintos de reação e ressentimento, por meio dos quais as raças nobres e os seus ideais foram finalmente confundidos e derrubados, como os instrumentos reais da cultura." 
-  * Nietzsche insiste que é fundamental superar a tendência infantil e simplista de pensar toda a valoração em termos de "valores opostos" maniqueístas, como bom e mal, contudo, essa rejeição de "bom e mal" não implica a rejeição de bom e mau. +    * Nietzsche insiste que é fundamental superar a tendência infantil e simplista de pensar toda a valoração em termos de "valores opostos" maniqueístas, como bom e mal, contudo, essa rejeição de "bom e mal" não implica a rejeição de bom e mau. 
-    * Existe a vida boa, bem vivida, e existe a vida patética, repleta de ressentimento e empobrecida em tudo, exceto no seu sentido de justiça própria. +      * Existe a vida boa, bem vivida, e existe a vida patética, repleta de ressentimento e empobrecida em tudo, exceto no seu sentido de justiça própria. 
-  * O diagnóstico do ressentimento e a linguagem carregada de patologia que envolve a moralidade de escravo comunicam, de forma inequívoca, que a moralidade de escravo é má. +    * O diagnóstico do ressentimento e a linguagem carregada de patologia que envolve a moralidade de escravo comunicam, de forma inequívoca, que a moralidade de escravo é má. 
-    * Da mesma forma, a moralidade de senhor — embora numa forma refinada e mais artística, distante da sua brutalidade primordial — não é apenas boa, mas, num sentido importante, natural, pois não depende de Deus, de deuses ou de qualquer reino transcendente para o seu valor. +      * Da mesma forma, a moralidade de senhor — embora numa forma refinada e mais artística, distante da sua brutalidade primordial — não é apenas boa, mas, num sentido importante, natural, pois não depende de Deus, de deuses ou de qualquer reino transcendente para o seu valor. 
-    * No entanto, por mais que admirasse os seus senhores desinibidos, Nietzsche reconhece que "não podemos voltar atrás," e que vinte séculos de moralidade judaico-cristã produziram os seus efeitos combinados benéficos e nocivos. +      * No entanto, por mais que admirasse os seus senhores desinibidos, Nietzsche reconhece que "não podemos voltar atrás," e que vinte séculos de moralidade judaico-cristã produziram os seus efeitos combinados benéficos e nocivos. 
-    * Tornámo-nos mais espirituais e mais civilizados sob a égide da moralidade de escravo e do Cristianismo. +      * Tornámo-nos mais espirituais e mais civilizados sob a égide da moralidade de escravo e do Cristianismo. 
-    * O que se deve aspirar, portanto, já não é o que Nietzsche descreveu como "moralidade de senhor," embora seja notoriamente incerto o aspecto da sua proposta de "legislação" da moral para o futuro. +      * O que se deve aspirar, portanto, já não é o que Nietzsche descreveu como "moralidade de senhor," embora seja notoriamente incerto o aspecto da sua proposta de "legislação" da moral para o futuro. 
-    * O Übermensch (Super-homem) está claramente além da nossa capacidade, e mesmo os melhores dos "homens superiores" são ainda "humanos, demasiado humanos" — isto é, presos no ciclo mesquinho de defensividade e vingança. +      * O Übermensch (Super-homem) está claramente além da nossa capacidade, e mesmo os melhores dos "homens superiores" são ainda "humanos, demasiado humanos" — isto é, presos no ciclo mesquinho de defensividade e vingança. 
-    * A humanidade parece estar tanto presa à moralidade de escravo quanto pronta para a transcender. +      * A humanidade parece estar tanto presa à moralidade de escravo quanto pronta para a transcender. 
-  * Não obstante, é possível distinguir entre o que é natural e nobre e o que é reacionário e nascido do *ressentimento*+    * Não obstante, é possível distinguir entre o que é natural e nobre e o que é reacionário e nascido do //ressentimento//
-    * Nietzsche torna difícil evitar o reconhecimento incomodo de que, sim, a moralidade protege os fracos contra os fortes, sim, por vezes parece ser a expressão do ressentimento, e sim, é frequentemente usada para "diminuir" ou "nivelar" o que há de melhor em nós em favor do que é seguro, conformista e confortável. +      * Nietzsche torna difícil evitar o reconhecimento incomodo de que, sim, a moralidade protege os fracos contra os fortes, sim, por vezes parece ser a expressão do ressentimento, e sim, é frequentemente usada para "diminuir" ou "nivelar" o que há de melhor em nós em favor do que é seguro, conformista e confortável. 
-    * Adotando uma perspectiva de guerreiro magistral — a visão que Nietzsche absorveu da *Ilíada*, e que muitos estudantes universitários americanos assimilam dos "filmes de ação" de Hollywood — a concepção quotidiana de moralidade parece, de facto, manca e tímida, talvez conducente à civilidade, mas não à autoexpressão espontânea, à nobreza ou ao heroísmo. +      * Adotando uma perspectiva de guerreiro magistral — a visão que Nietzsche absorveu da //Ilíada//, e que muitos estudantes universitários americanos assimilam dos "filmes de ação" de Hollywood — a concepção quotidiana de moralidade parece, de facto, manca e tímida, talvez conducente à civilidade, mas não à autoexpressão espontânea, à nobreza ou ao heroísmo. 
-    * Nietzsche observa: "Enquanto o homem nobre vive em confiança e abertura consigo mesmo... o homem de *ressentimentonão é nem íntegro, nem ingênuo, nem honesto e direto consigo mesmo. A sua alma envesga..." +      * Nietzsche observa: "Enquanto o homem nobre vive em confiança e abertura consigo mesmo... o homem de //ressentimento// não é nem íntegro, nem ingênuo, nem honesto e direto consigo mesmo. A sua alma envesga..." 
-  * Embora o ressentimento nasça da impotência, Nietzsche vê-o como estando preocupado, ou mesmo obcecado, com o poder. +    * Embora o ressentimento nasça da impotência, Nietzsche vê-o como estando preocupado, ou mesmo obcecado, com o poder. 
-    * Não é o mesmo que autopiedade, com a qual frequentemente partilha o palco subjetivo; não é meramente a consciência da própria desgraça, mas envolve uma forma de culpa e indignação pessoal, uma projeção externa, uma avassaladora sensação de injustiça. +      * Não é o mesmo que autopiedade, com a qual frequentemente partilha o palco subjetivo; não é meramente a consciência da própria desgraça, mas envolve uma forma de culpa e indignação pessoal, uma projeção externa, uma avassaladora sensação de injustiça. 
-    * Contudo, também não é apenas uma versão de ódio ou raiva — com os quais é por vezes confundido, pois ambos pressupõem uma base de poder emocional e expressivo, da qual o ressentimento essencialmente carece. +      * Contudo, também não é apenas uma versão de ódio ou raiva — com os quais é por vezes confundido, pois ambos pressupõem uma base de poder emocional e expressivo, da qual o ressentimento essencialmente carece. 
-    * O ressentimento é obsessivo. +      * O ressentimento é obsessivo. 
-    * Nietzsche afirma que "Nada na Terra consome um homem mais rapidamente," contudo, as suas descrições frequentemente empregam termos que denotam um consumo lento e persistente, como "a arder lentamente," "a ferver," "a efervescer" e "a fumegar," pois o ressentimento, embora cause danos rapidamente, não se extingue. +      * Nietzsche afirma que "Nada na Terra consome um homem mais rapidamente," contudo, as suas descrições frequentemente empregam termos que denotam um consumo lento e persistente, como "a arder lentamente," "a ferver," "a efervescer" e "a fumegar," pois o ressentimento, embora cause danos rapidamente, não se extingue. 
-  * O ressentimento é também notável entre as emoções pela sua falta de qualquer desejo positivo específico. +    * O ressentimento é também notável entre as emoções pela sua falta de qualquer desejo positivo específico. 
-    * Nisto, não é o mesmo que inveja — uma emoção aparentada — que tem a vantagem de ser bastante específica e baseada no desejo. +      * Nisto, não é o mesmo que inveja — uma emoção aparentada — que tem a vantagem de ser bastante específica e baseada no desejo. 
-    * A inveja deseja, mesmo que não possa ter ou não tenha o direito de ter. +      * A inveja deseja, mesmo que não possa ter ou não tenha o direito de ter. 
-    * Se o ressentimento tem um desejo, é o desejo de vingança, mas mesmo este é raramente muito específico, assumindo frequentemente a forma de um niilismo infantil, entretendo o desejo abstrato pela aniquilação total do seu alvo. +      * Se o ressentimento tem um desejo, é o desejo de vingança, mas mesmo este é raramente muito específico, assumindo frequentemente a forma de um niilismo infantil, entretendo o desejo abstrato pela aniquilação total do seu alvo. 
-    * Da mesma forma, o ressentimento é bastante diferente da malevolência, na qual ocasionalmente degenera, pois o ressentimento é, se é que é alguma coisa, prudencial, estratégico e até cruelmente astuto. +      * Da mesma forma, o ressentimento é bastante diferente da malevolência, na qual ocasionalmente degenera, pois o ressentimento é, se é que é alguma coisa, prudencial, estratégico e até cruelmente astuto. 
-    * Não tem qualquer apreço pela autodestruição; pelo contrário, é a emoção derradeira da autopreservação. +      * Não tem qualquer apreço pela autodestruição; pelo contrário, é a emoção derradeira da autopreservação. 
-  * O ressentimento pode ser uma emoção que começa com a consciência da sua impotência, mas, por meio de compensação, forjou a arma perfeita — uma língua ácida e uma consciência estratégica do mundo, que proporciona paridade, se não vitória, na maioria dos conflitos sociais. +    * O ressentimento pode ser uma emoção que começa com a consciência da sua impotência, mas, por meio de compensação, forjou a arma perfeita — uma língua ácida e uma consciência estratégica do mundo, que proporciona paridade, se não vitória, na maioria dos conflitos sociais. 
-    * Surge, assim, a ironia, a dramática inversão de fortunas, à medida que o ressentimento defensivo subjuga a autoconfiança indefesa e o sentimento de inferioridade esmaga os seus superiores. +      * Surge, assim, a ironia, a dramática inversão de fortunas, à medida que o ressentimento defensivo subjuga a autoconfiança indefesa e o sentimento de inferioridade esmaga os seus superiores. 
-    * Os estereótipos neo-nietzschianos são frequentemente retratados em termos do senhor nobre e culto *versuso escravo miserável e iletrado, e as descrições na *Genealogiade Nietzsche certamente encorajam tal leitura. +      * Os estereótipos neo-nietzschianos são frequentemente retratados em termos do senhor nobre e culto //versus// o escravo miserável e iletrado, e as descrições na //Genealogia// de Nietzsche certamente encorajam tal leitura. 
-    * Contudo, a tipologia que realmente conta na genealogia do ressentimento e da moral é o escravo articulado e o senhor de língua presa, até mesmo o ingênuo. +      * Contudo, a tipologia que realmente conta na genealogia do ressentimento e da moral é o escravo articulado e o senhor de língua presa, até mesmo o ingênuo. 
-    * É o escravo que é suficientemente engenhoso para fazer o que Nietzsche deseja: ele ou ela inventa novos valores. +      * É o escravo que é suficientemente engenhoso para fazer o que Nietzsche deseja: ele ou ela inventa novos valores. 
-    * E é o senhor, e não o escravo, que se torna decadente e dependente e permite ser enganado pelas estratégias do ressentimento. +      * E é o senhor, e não o escravo, que se torna decadente e dependente e permite ser enganado pelas estratégias do ressentimento. 
-    * Hegel acertou na *Fenomenologia do Espírito*: a linguagem pode ser a invenção política do "rebanho" (como Nietzsche sugere em *A Gaia Ciência*), mas é também o meio no qual o poder real é expresso e trocado. +      * Hegel acertou na //Fenomenologia do Espírito//: a linguagem pode ser a invenção política do "rebanho" (como Nietzsche sugere em //A Gaia Ciência//), mas é também o meio no qual o poder real é expresso e trocado. 
-    * A ironia é a arma derradeira do ressentimento e, como Sócrates demonstrou habilmente, transforma a ignorância em poder, a fraqueza pessoal em força filosófica. +      * A ironia é a arma derradeira do ressentimento e, como Sócrates demonstrou habilmente, transforma a ignorância em poder, a fraqueza pessoal em força filosófica. 
-    * Não é de admirar que Nietzsche tivesse sentimentos mistos em relação ao seu predecessor no arsenal do ressentimento, que criou a "tirania da razão" como a expressão bem-sucedida da sua própria vontade de poder. +      * Não é de admirar que Nietzsche tivesse sentimentos mistos em relação ao seu predecessor no arsenal do ressentimento, que criou a "tirania da razão" como a expressão bem-sucedida da sua própria vontade de poder. 
-    * Nietzsche usou a ironia e a "genealogia" tal como Sócrates usou a dialética, para minar e, em última instância, dominar os outros e as suas opiniões.+      * Nietzsche usou a ironia e a "genealogia" tal como Sócrates usou a dialética, para minar e, em última instância, dominar os outros e as suas opiniões.
  
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