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estudos:solomon:solomon-2012-nietzsche-forca-e-fraqueza

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 ==== What Nietzsche Really Said ==== ==== What Nietzsche Really Said ====
  
-O que Nietzsche despreza no [ressentimento->/spip.php?page=search_definitions&search=ressentiment] é sua patética impotência, sua fraqueza. Contudo, os critérios de força e fraqueza estão longe de ser óbvios ou consistentes em Nietzsche, e nem sequer é evidente, por exemplo, que fraqueza seja ausência de força. Por vezes, as descrições em Genealogia da moral sugerem que o status social e a classe, por si sós, determinam força e fraqueza; os aristocratas, em virtude de seu nascimento e educação, são fortes. Devido a seu papel servil, os escravos são fracos, quaisquer que sejam a força física ou espiritual que possam possuir. Em outras ocasiões, Nietzsche parece empregar um critério quase médico (“fisiológico”) — forte significa saudável, fraco significa enfermiço. Mas nem isso é, de modo algum, coerente, e parte do que Nietzsche afirma poderia até implicar que são os escravos, e não os senhores, os verdadeiramente fortes.+O que Nietzsche despreza no ressentimento é sua patética impotência, sua fraqueza. Contudo, os critérios de força e fraqueza estão longe de ser óbvios ou consistentes em Nietzsche, e nem sequer é evidente, por exemplo, que fraqueza seja ausência de força. Por vezes, as descrições em Genealogia da moral sugerem que o status social e a classe, por si sós, determinam força e fraqueza; os aristocratas, em virtude de seu nascimento e educação, são fortes. Devido a seu papel servil, os escravos são fracos, quaisquer que sejam a força física ou espiritual que possam possuir. Em outras ocasiões, Nietzsche parece empregar um critério quase médico (“fisiológico”) — forte significa saudável, fraco significa enfermiço. Mas nem isso é, de modo algum, coerente, e parte do que Nietzsche afirma poderia até implicar que são os escravos, e não os senhores, os verdadeiramente fortes.
  
 Mais do que qualquer outra coisa, Nietzsche parece conceber força e fraqueza em termos estéticos, remetendo, sem dúvida, à sua célebre injunção em O nascimento da tragédia, segundo a qual se deve considerar a própria vida como uma obra de arte. Os senhores são um deleite de contemplar; seria ainda mais deleitoso sê-lo, experimentar aquele sentido de espontaneidade e autoconfiança. Os escravos, para dizer com delicadeza, são banais e entediantes. Seu porte é servil e tímido. Protegem-se com sorrisos submissos e sem humor, destituídos de caráter. Quando lhes voltam as costas, rosnam. É Otelo quem fornece a nobreza na peça que leva seu nome. Iago fornece a trama, por meio de seu ressentimento ardiloso. Mas cumpre lembrar o aviso preciso de Simone Weil: “O mal imaginário é romântico e variado; o mal real é sombrio, monótono, estéril, entediante.” A banalidade do bem no palco não é argumento contra ele. Mais do que qualquer outra coisa, Nietzsche parece conceber força e fraqueza em termos estéticos, remetendo, sem dúvida, à sua célebre injunção em O nascimento da tragédia, segundo a qual se deve considerar a própria vida como uma obra de arte. Os senhores são um deleite de contemplar; seria ainda mais deleitoso sê-lo, experimentar aquele sentido de espontaneidade e autoconfiança. Os escravos, para dizer com delicadeza, são banais e entediantes. Seu porte é servil e tímido. Protegem-se com sorrisos submissos e sem humor, destituídos de caráter. Quando lhes voltam as costas, rosnam. É Otelo quem fornece a nobreza na peça que leva seu nome. Iago fornece a trama, por meio de seu ressentimento ardiloso. Mas cumpre lembrar o aviso preciso de Simone Weil: “O mal imaginário é romântico e variado; o mal real é sombrio, monótono, estéril, entediante.” A banalidade do bem no palco não é argumento contra ele.
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